“Quero servir a Ordem e não me servir dela”, diz Rodolfo Mota

Pesquisas de intenção de voto e movimentações pelos quatro cantos do estado já são observadas e garantem um clima acirrado para o pleito que se aproxima.

Postado em: 25-09-2021 às 11h00
Por: Felipe Cardoso
Pesquisas de intenção de voto e movimentações pelos quatro cantos do estado já são observadas e garantem um clima acirrado para o pleito que se aproxima.

Conforme a eleição da Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Goiás (OAB-GO) se aproxima, mais os pré-candidatos ao pleito intensificam suas articulações na capital e no interior goiano. Isso garante um acirramento ainda maior da disputa prevista para outubro deste ano. 

Pesquisas de intenção de voto e movimentações pelos quatro cantos do estado já são observadas e garantem um clima acirrado para o pleito que se aproxima.

Até o momento, quatro nomes estão na corrida. São eles: Pedro Paulo Medeiros, Rafael Lara, Rodolfo Mota e Valentina Jungmann. Recentemente, o pré-candidato Júlio Meirelles selou uma aliança com Valentina Jungmann, deixando a disputa onde figurava, até então, como cabeça de chapa.

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Vale lembrar que o cenário ainda se encontra passível de mudanças, haja vista a possível redução deste quadro com novas prováveis alianças já esperadas para os próximos meses.

Pensando em apresentar as principais ideias de cada um dos nomes que devem protagonizar a disputa de 2021, o jornal O Hoje divulga, nesta terça-feira, 21, sua última entrevista com os pré-candidatos. Dessa vez, os questionamentos foram apresentados ao presidente do Centro de Excelência da OAB-GO (Casag), Rodolfo Mota.

O concorrente da semana tem ampla atuação em Direito Tributário, Direito Empresarial e Direito Societário e outras. Rodolfo Mota é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Anápolis e pós -graduado em Direito Público pela Universidade Católica de Goiás. Além disso, conta com MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.

Comumente nos deparamos com advogados se queixando do uso da OAB-GO, por parte de suas lideranças, como mero instrumento de promoção de interesses particulares. Dentre eles, a alavancagem de seus escritórios de advocacia. Como avalia esse tipo de reclamação e o que pode ser feito para mudar essa impressão?

Acredito que o primeiro passo para que possamos reverter essa situação seja, sem dúvidas, fazer a escolha certa no momento do voto. Infelizmente, sabemos que essa prática existe e, sobretudo, que precisamos combatê-la. Mas como presidente da Casag há mais de 5 anos, sei que é possível trabalhar sem utilizar desse tráfego de influência para potencializar escritórios.

Prova disso é que desde que assumi essa posição sempre busquei servir a Ordem e não me servir dela. Quem se propõe a esse tipo de compromisso deve estar pronto para a abnegação e entender que sua vida pessoal evidentemente será comprometida. Se errarmos na escolha do voto, tudo o que nos indigna permanecerá.

Como presidente da Casag ou não, sempre mantive minha posição discreta, nunca quis assumir presidência de nenhuma Comissão, apesar de poder recorrer à isso. Ou seja, devemos, ao meu ver, evitar o desacerto. Caso isso aconteça, teremos no Poder pessoas comprometidas com advocacia privada e não com os interesses da sociedade e dos advogados, o que, de fato, cabe à Ordem.

A anuidade cobrada pela OAB-GO está entre as mais caras do Brasil. Sabemos, contudo, que trata-se de uma instituição rica. É possível diminuir essa taxa? Se eleito, pretende lutar por isso?

Se eleito, no primeiro dia de gestão quero convocar todos os conselheiros para que possamos refazer esse orçamento. Para se ter uma ideia, a caixa de assistência recebe um repasse de 20% do que é levantado pela OAB-GO. Nós reduzimos esse repasse para 5.5% ao longo dos últimos anos. Queremos fazer o mesmo na Ordem. Estimamos uma redução de aproximadamente 14% do valor atual. Temos plena condição de diminuir esses valores. Sabemos fazer gestão, sabemos administrar e isso está provado.

Outra queixa recorrente diz respeito às condições precárias enfrentadas pelas subseções do interior. O que deve ser feito pela sua gestão tendo em vista a resolução dos problemas estruturais enfrentados pelos advogados do interior goiano?

Enquanto presidente da Casag, já fizemos muito. Promovemos, por exemplo, a ampliação do escopo do trabalho, investimos em reformas de salas, subseções e entregamos, ainda, três prédios para essa finalidade, investimos em infraestrutura, levamos o programa “Meu Escritório” às diferentes regiões do estado e outros.

O que precisamos agora, ao meu ver, é destinar receita e dar autonomia para a administração dessas unidades. São problemas pontuais e distintos, de forma que precisamos que elas sejam autônomas para saná-los, bem como tenham condições para isso. Precisamos também enfrentar a dívida histórica de forma a garantir que haja isonomia e respeito em qualquer região de Goiás.

Há tempos é ventilado que as lideranças da OAB-GO usam de seu protagonismo muito mais para a prática de ativismo político do que para busca de benefícios para a sociedade. Isso é uma realidade? Como avalia esse tipo de queixa?

Sabemos que isso, por vezes, acontece. É uma prática que deve ser banida. A OAB-GO deve ser apartidária e utilizada como instrumento para manter e atender aos interesses coletivos. Não podemos atuar como advogados de partidos ou políticos, temos que ter nossa autonomia e independência sempre preservadas. Vejo com tristeza esse sentimento coletivo impresso pela advocacia goiana. A Ordem deve primar pela Constituição e atuar em defesa da sociedade e dos advogados, apenas.

A jovem advocacia talvez seja um dos maiores desafios desta e das próximas gestões da Ordem. Sendo eleito, o que será viabilizado pensando em acolher e projetar o novo advogado para o mercado de trabalho?

A necessidade primária, ao meu ver, é formá-los verdadeiramente como advogados, uma vez que o bacharelado não os qualifica como tal. Para isso, existe a ESA [Escola Superior de Advocacia]. Queremos qualificá-los e prepará-los verdadeiramente para o mercado. Para que possam enfrentá-lo de frente e em pé de igualdade com os demais colegas.

Também trabalharemos focados na criação de oportunidades de trabalho, seja via projetos de lei, que passam pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), seja por outros caminhos, mas isso será uma premissa. Queremos alocá-los ao mercado através, por exemplo, de mentorias com profissionais mais experientes que possam os acompanhar.

Outro propósito diz respeito à ampliação do “Meu Escritório”. Os novos advogados precisam de uma boa estrutura que ao mesmo tempo não gere despesas Não queremos que a jovem advocacia enfrente as dificuldades de construção do próprio negócio sem antes ser assistido, não queremos também que estejam inseridos em um projeto profissional que os remunerem mal. Pensando nisso é que iremos assistí-los de forma a não permitir que nenhum advogado deixe de exercer sua profissão ou procure uma terceira via de trabalho alheia à advocacia.

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