CPI da Covid: mensagens enviadas por Bolsonaro serão incluídas em relatório

Renan Calheiros avalia usar as mensagens como prova para sustentar a recomendação de indiciamento de Bolsonaro por incitação a descumprimento de medida sanitária

Postado em: 01-10-2021 às 14h48
Por: Giovana Andrade
Renan Calheiros avalia usar as mensagens como prova para sustentar a recomendação de indiciamento de Bolsonaro por incitação a descumprimento de medida sanitária. | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Conforme decisão do senador Renan Calheiros (MDB-AL), as mensagens enviadas pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) a contatos da sua lista de transmissão do WhatsApp sobre a pandemia de Covid-19 serão incluídas no relatório final da CPI da Covid. As mensagens devem sustentar o possível indiciamento do chefe do Executivo, comprovando que ele incitou o descumprimento de medida sanitária.

Segundo informações do jornal O Globo, o presidente dissemina fake news sobre o combate à pandemia através de textos enviados de seu celular. Um exemplo foi revelado no início desta semana, quando, no mesmo dia em que o Ministério da Saúde voltou a recomendar a vacinação de adolescentes, Bolsonaro escreveu: “jovens morrendo com a Pfizer”.

A mensagem, enviada a contatos do presidente, se referia a um vídeo de uma comentarista de televisão que, citando mortes de adolescentes que sequer haviam sido imunizados, pretendia levantar suspeitas sobre a vacinação.

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A inclusão das mensagens de WhatsApp no relatório foi solicitada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), também integrante da CPI da Covid, e acatada por Renan Calheiros.

— As mensagens enviadas por Bolsonaro à sua lista de contatos disseminando fake news sobre a vacina da Pfizer constará no relatório, como também constarão outras postagens e declarações do presidente para desincentivar a vacinação. Bolsonaro será responsabilizado por disseminar fake news e desincentivar a vacinação — disse Renan ao Globo, mencionando também a ocasião em que Bolsonaro afirmou que quem se vacinasse poderia virar “jacaré”.

No relatório preparado por Renan, o capítulo sobre fake news tem Bolsonaro como principal foco.

— Tudo começava a partir da atuação do presidente, que fazia as postagens e, depois, era seguido pelo gabinete do ódio, por sites bolsonaristas — concluiu o relator.

Consultores legislativos orientaram Renan a propor o indiciamento de Bolsonaro por incitação ao crime por descumprimento de medida sanitária. O relator, no entanto, afirmou que, antes de incluir essa tipificação penal no parecer, irá consultar a opinião dos demais integrantes da comissão parlamentar de inquérito.

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