Eleições em 2022: uma escolha bem fácil

Não estou falando de candidato, mas de você mesmo, leitor

Postado em: 02-10-2021 às 13h30
Por: Carlos Nathan Sampaio
Não estou falando de candidato, mas de você mesmo, leitor

Há exatos três anos Jair Bolsonaro (hoje sem partido) já despontava como favorito nas eleições do primeiro turno de 2018. Foi então que, dia 7 de outubro daquele ano, que ele garantiu sua participação para o 2º turno com 46,03% dos votos válidos. Bolsonaro concorreu, então, com Lula, digo, Fernando Haddad (PT), e o resultado já sabemos, vitória do capitão reformado – 55,13% contra 44,87%. Depois disso, o país passou por muitas mudanças. Há quem diga que são positivas, há quem diga que são negativas. Mas há, dentro disso, os fatos. Não importa o quão pior poderia ser o que está acontecendo, os fatos são que o mundo jamais será um lugar onde todos concordem com a mesma coisa.

Se para você está tudo bem hoje, se não existem problemas graves que te afetam diretamente, para alguém há muitos. Por exemplo, não importa para as pessoas, principalmente para as pobres, as decisões econômicas que, tomadas, impactam positivamente no bolso dos grandes empresários se, nos últimos 4 anos, o preço do dólar, do combustível, do feijão e do arroz dobraram, mas o salário mínimo não acompanhou tudo isso proporcionalmente. A conta não bate, não fecha. E o pior de tudo é que não há como culpar uma pessoa por isso, não adianta tentar justificar, espernear, não há um único culpado, são vários e você está entre eles.

Enquanto tudo isso acontecia, dezenas e dezenas de manifestações contra e a favor do governo foram promovidas levando milhões de pessoas às ruas e para a internet para defender o seu ponto de vista. Dentro disso, porém, precisamos afunilar, esquecer as massas – o conglomerado de pessoas que reclama/defende algo/alguém – e chegar ao coração, ou cabeça, dos eleitores que, mergulhados em uma polarização sem fim, estão cegos a ponto de não mais respeitarem a opinião contrária de quem quer que seja.

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Para muitos defensores do atual presidente, por exemplo, noticiar qualquer tipo de coisa que fere o seu caráter, seja o fato de ele ter sido supostamente traído ou o fato de que ele supostamente roubou dinheiro público por anos, é irrelevante e nada que a imprensa, especialistas ou polícia diga serve como prova e, o pior de tudo: é tido, pelos comentaristas defensores (justo os que defendem a liberdade de expressão), como ataque e passível de denúncia, como foi com o finado Mais Goiás.

Por outro lado, para as pessoas que defendem a volta do ex-presidente Lula (e acreditam que ninguém mais pode liderar a esquerda no país atualmente), a Justiça foi totalmente injusta com ele, o transformando em uma pessoa totalmente inocente. Veja que, de ambos os lados há a desconfiança das decisões tomadas por uma entidade que está lá para isso.

Dados os fatos, como jornalistas, nem sempre é fácil lidar com estes tipos de público. Quem eu quero enganar? É impossível lidar com estes tipos de público. Nós, enquanto comunicadores, queremos esmiuçar cada ato que vem a tona dessas pessoas públicas, que, independente de serem criminosas ou não, estão no centro das atenções, por que são ou foram as autoridades máximas do país, e tudo que elas fizeram de errado ou certo precisa ser dito, divulgado, cobrado, fiscalizado, analisado, questionado, não importa se você concorda ou não.

Você, leitor, precisa imediatamente parar de dar palco para o que não concorda e cuidar de fazer sua parte como cidadão, eleitor e, principalmente, ser humano. Se a esquerda é ruim, no seu ponto de vista, seja uma direita que dê exemplo e vice-versa.

O país foi liderado por um partido de esquerda por mais de 13 anos e, logo depois, um candidato totalmente oposto foi eleito com todas as ferramentas existentes para que isso fosse possível – leia-se democracia e urna eletrônica. Passou da hora de apontar, julgar, criticar, abominar seu “inimigo”. Aja como um adulto, se você tem mais de 18 anos, e defenda seus ideais sem ferir a dignidade das pessoas, sem culpar a imprensa, as autoridades dos poderes Judiciário e Legislativo.

No fundo, todos nós sabemos bem que ninguém é perfeito, e que todo ser humano é corruptível. Todo ser humano tem falhas e falhas graves e, por isso, acabamos sendo hipócritas. Alguns mais do que outros, mas quem vai medir? Não há mais tempo para entrar em guerra, estamos atrasados há séculos. Então, até ano que vem, em outubro de 2022 e além, você precisa tomar a escolha mais fácil que poderia existir: cuidar da sua vida a partir de agora.

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