Queda de secretário abre dois espaços no 2º escalão da Prefeitura de Goiânia

Paulo Henrique da Farmácia deixou a Sedec após reportagens do jornal O Hoje sobre denúncias de supostos esquemas de rachadinha e funcionários fantasmas.

Postado em: 18-11-2021 às 07h52
Por: Marcelo Mariano
Paulo Henrique da Farmácia deixou a Sedec após reportagens do jornal O Hoje sobre denúncias de supostos esquemas de rachadinha e funcionários fantasmas. | Foto: Reprodução/Internet

O vereador Paulo Henrique da Farmácia (PTC) deixou o comando da Secretária Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec) da Prefeitura de Goiânia após meses de pressão em razão de reportagens do jornal O Hoje.

No Diário Oficial e nas redes sociais, a queda de Paulo Henrique, que agora está de volta à Câmara Municipal, foi tratada como um pedido do próprio parlamentar, cotado para disputar mandato de deputado estadual no ano que vem.

Contudo, nos bastidores, circulam informações diferentes. A queda de Paulo Henrique já estava preparada antes mesmo das denúncias feitas pelo jornal O Hoje, mas foi segurada para não dar a entender que a Prefeitura de Goiânia estivesse cedendo às revelações.

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Uma série de reportagens revelou supostos esquemas de rachadinha e funcionários fantasmas no gabinete 18 da Câmara Municipal, à época ocupado pelo hoje suplente Célio Silva (PTC), mas, na prática, controlado por Paulo Henrique.

Vale lembrar que, depois da repercussão negativa, a Câmara Municipal decidiu implementar ponto biométrico para vereadores e funcionários, que relataram receio de as denúncias chegarem a outros gabinetes.

No período de quase dois meses entre as revelações do jornal O Hoje e a exoneração de Paulo Henrique, a Sedec ficou com os trabalhos praticamente paralisados, de acordo com servidores da própria secretaria, porque havia a sensação de que ele poderia ser demitido a qualquer momento. Agora, com a confirmação da queda do vereador, há uma sensação de que a rotina deve voltar ao normal.

Para o lugar de Paulo Henrique, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) escolheu Michel Magul, tido como uma pessoa de sua confiança por já ter ocupado outros cargos da administração municipal.

Michel é suplente de vereador pelo MDB e, na Prefeitura de Goiânia, acumulava as funções de secretário-executivo da Secretaria de Governo (Segov) e da Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh).

O cargo de secretário-executivo é o número dois na hierarquia de cada órgão. A ida de Michel para a Sedec, portanto, abre duas vagas de segundo escalão na estrutura do Paço Municipal.

Até o fechamento desta edição, não há definição sobre quem serão os secretários-executivos da Segov e da Seplanh, consideradas secretarias de relevância, apesar de que alguns vereadores já estão de olho nas indicações para esses cargos.

Cabe destacar que o titular da Segov, Arthur Bernardes, é a pessoa da Prefeitura de Goiânia mais próxima do presidente do Republicanos no Distrito Federal, Wanderley Tavares, que supostamente exerce influência nos rumos da gestão em Goiânia. Logo, ser o número dois de Arthur significa estar mais perto do poder.

No caso da Seplanh, o titular é Valfran Ribeiro, indicado pelo presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo (Patriota), outro nome que, embora menor do que o de Wanderley, também tem peso.

Um emedebista que foi secretário no início do mandato de Rogério Cruz afirmou, em off, que, se o prefeito demorar a definir os secretários-executivos da Segov e da Seplanh, “isso demonstra que ele tem dificuldade em fazer nomeações por não ter um grupo político definido”.Por outro lado, se preencher esses cargos de segundo escalão de forma rápida, o prefeito dará indícios de que melhorou sua articulação política. Se será suficiente para ter mais voz sobre as alianças do Republicanos em 2022, essa é uma outra história. (Especial para O Hoje)

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