Wanderley Tavares, o homem da Universal que manda na gestão Cruz

Família de Wanderley Tavares exerge grande influência na igreja evangélica e política no Entorno do DF

Postado em: 22-11-2021 às 08h57
Por: Redação
Família de Wanderley Tavares exerge grande influência na igreja evangélica e política no Entorno do DF | Foto: Reprodução

Por Yago Sales

Na última reunião antes do desembarque dos secretários emedebistas com Rogério Cruz (Republicanos), em abril, houve silêncio e constrangimento. Enquanto o prefeito tentava se desvencilhar de pedidos para troca de auxiliares indicados por Daniel Vilela, o grupo que correu as ruas em prol da campanha eleitoral de Maguito Vilela parecia desanimado. Ou, desencantados, com o projeto cada vez mais longe do Plano de Governo construído baseado no “sonho” de Maguito para a Goiânia que sucedia Iris Rezende Machado.

Ex-secretários contam que, dias antes da debandada, um nome surgiu, onipresente, onipotente e onisciente nos gabinetes: Wanderley Tavares da Silva. Presidente do Republicanos no Distrito Federal, Tavares passaria a dar as cartas e, não raramente, atropelaria decisões do secretariado emedebista. Poucos no Paço o conheciam, nem mesmo de nome. De repente, Warderley se tornaria o “homem”. Um ex-secretário contou que, numa manhã, prestes a iniciar uma importante reunião com o prefeito, uma ligação, segundo ele de Wanderley, pôs fim a toda a agenda de Cruz naquela manhã. “A prioridade ali, pelo menos quando estava lá, era o pessoal de Brasília”, disse. Era o início de um desgaste que levaria ao rompimento do MDB com Rogério.

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Outro ex-secretário lembra que tudo começou quando Wanderley pediu a saída de Andrey Azeredo – da secretaria de Governo – para nomear Arthur Bernardes. O atual secretário de Governo, segundo fontes do Paço, é uma voz firme dentro do Paço. Ao contrário de Cruz, mais comedido nas decisões, Bernardes é quem manda e desmanda de fato. Claro, sob as ordens de Tavares. Mas há quem afirme que Cruz sabe de tudo. Concordando, ou não, prevaleceram as demandas do “povo de Brasília”, como parte dos vereadores, secretários e imprensa passaram a denominar a influência de Tavares.

Wanderley, por sua vez, tem fortes ligações com o presidente da sigla nacional, o bispo licenciado da Igreja Universal e deputado federal Marcos Pereira (SP). Outro nome com trânsito livre ao Paço é o pastor licenciado da igreja Universal e deputado estadual Jeferson Rodrigues.

Nos bastidores, no entanto, avulta-se um possível racha, dentro da Prefeitura, por causa do presidente do Republicanos em Goiás, o deputado federal, delegado e pastor da Assembleia de Deus, João Campos. O motivo seria a composição de chapa e alianças.

Wanderley é filho do casal de pastores Sebastião Tavares e Clara Tavares. Sebastião, conhecido em Brasília por ter construído 61 templos, teve cinco filhos. A única mulher da prole, Valdirene Tavares dos Santos foi vereadora por dois mandatos em Luziânia. Na eleição de 2016, Valdirene e o pai foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral por coagirem líderes religiosos a apoiarem ela em uma reunião na Igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Luziânia. O caso chegou à mesa do ministro Edson Fachin, que não acatou o pedido de inelegibilidade de Valdirene.

Do Republicanos da cidade, ela já foi assessora do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, por quase 20 anos. Atuou como secretária municipal de Cultura em Santo Antônio do Descoberto e secretária de Promoção Social em Luziânia. Ainda em Luziânia, Valdirene foi titular da pasta de Relações Institucionais e a de Turismo, para onde voltou agora na gestão de Diego Sorgatto (DEM).

Outro irmão de Wanderley, Egmar Tavares Silva, foi candidato pelo Republicanos a vice-governador do Distrito Federal na chapa com Rogério Rosso contra Ibaneis Rocha (MDB). A chapa obteve apenas 11,24%, ou seja, 169.785 votos. Paralelamente a uma forte influência com a Assembleia de Deus do Gama, sendo indicado pelo principal nome da igreja, o bispo Manoel Ferreira. Ele também foi presidente Regional do Partido Social Cristão (PSC).

Egmar e Valdirene formam, há 25 anos, uma dupla com Cds com música evangélica. Talvez esteja aí uma compreensão para o motivo de Egmar ter abandonado a carreira militar. Em um relato em que conta sua história, Egmar afirma que Deus teria dito para ele deixar a Polícia Militar para dedicarse completamente às atividades religiosas.

Mais discreto do que os irmão, Vanduir Tavares da Silva também é pastor. Sargento da Polícia Militar do Distrito Federal, ele conseguiu um cargo na Diretoria do Centro Olímpico e Paralímpico do Gama.

Elias Tavares Silva, o caçula dos Tavares, é o mais discreto. Empresário, já teve contratos com as prefeituras de Trindade e Caldas Novas, na área de engenharia. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Hoje, ficou a Elias Tavares a interlocução para a demissão de Fabiano Bissoto, que era titular da Secretaria Municipal de Administração (Semad). “Aí que está o problema dentro da gestão”, sugere um servidor efetivo que acompanhou de perto a articulação para a troca do titular. “Tem muitos interesses. O TCM[Tribunal de Contas dos Municípios] e o MP [Ministério Público] precisam ficar atentos”, disse ele, em um café no Setor Sul, na semana passada. (Especial para O Hoje)

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