Com Bolsonaro, PL será um dos maiores partidos em Goiás

Postado em: 25-11-2021 às 08h03
Por: Marcelo Mariano
Bolsonaristas goianos devem seguir o mesmo caminho do presidente. | Foto: Reprodução/Internet

O Partido Liberal (PL), comandado pelo ex-deputado federal e condenado no escândalo do mensalão em 2012, marcou a filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o dia 30 de novembro.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro e PL marcam uma data para selar o “casamento” entre ambos. A primeira opção era o dia 22 de novembro, mas esta foi descartada devido a duras trocas de mensagens entre Bolsonaro e Valdemar.

“Você pode ser presidente da República, mas quem manda no PL sou eu”, teria escrito Valdemar, segundo o site O Antagonista, em referência ao objetivo do presidente de ter o controle sobre o diretório do partido em São Paulo.

Ainda de acordo com o site O Antagonista, o presidente nacional do PL também teria feito xingamentos a Bolsonaro e seus filhos, principalmente Eduardo, deputado federal por São Paulo e de saída do PSL.

Após o desentendimento, o PL emitiu nota cancelando o evento do dia 22. Em novo comunicado divulgado dias depois, o partido afirmou que os diretórios estaduais deram “carta branca” para Valdenar negociar a filiação de Bolsonaro. Agora, aparentemente, tudo está resolvido.

Com Bolsonaro, o PL ganhará novos filiados, aqueles mais fiéis ao presidente. Em Goiás, essas filiações devem fazer do partido um dos maiores do estado, aumentando consideravelmente suas bancadas de parlamentares.

O deputado federal Vitor Hugo, atualmente no PSL e aliado de primeira hora de Bolsonaro, será uma das principais aquisições do PL goiano, que já tem Magda Mofatto com cadeira na Câmara dos Deputados.

Dessa forma, o PL terá a segunda maior bancada de deputados federais goianos, empatado com o Progressistas (PP) e atrás apenas da União Brasil, resultado da fusão entre DEM e PSL.

Na Assembleia Legislativa (Alego), o PL não conta com um deputado estadual sequer, mas, com a chegada de Bolsonaro, pode ter três: Delegado Humberto Teófilo, Major Araújo e Paulo Trabalho.

Insatisfeitos com a fusão entre DEM e PSL, partido ao qual pertencem, os três já disseram que não ficarão na União Brasil. A tendência é que sigam o mesmo caminho de Bolsonaro, a quem são considerados fiéis.

Com três parlamentares na Alego, o PL ainda não terá uma das maiores bancadas da Casa. Porém, para quem não tinha nada, passará a ser um partido pelo menos um pouco mais influente.

Vale lembrar que esse cenário é traçado com base em quem tem mandato no momento. Há uma expectativa de que o fator Bolsonaro ajude o PL a eleger mais candidatos para cargos legislativos nas eleições de 2022.

No caso dos vereadores, estes não terão janela partidária no ano que vem e, portanto, não poderão trocar de partido. Em Goiânia, o único representante do PL na Câmara Municipal é Willian Veloso.

Em 2020, o PL teve um desempenho modesto nas eleições municipais, elegendo 13 prefeitos em Goiás, número superior ao de partidos maiores, como PSD (11) e PT (3), mas insuficiente para figurar entre os cinco primeiros (DEM, PP, MDB, PSDB E PDT). O Podemos, com 14, também ficou à frente do provável novo partido de Bolsonaro.

Os prefeitos, por serem de um cargo majoritário, não precisam seguir janelas partidárias e podem trocar de partido a qualquer momento. Logo, com Bolsonaro, espera-se que o PL passe a comandar mais uma ou outra cidade goiana.

Por fim, convém destacar que o PL caminha para ter destaque na disputa pelo governo estadual em 2022, com composição na chapa do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido) ou candidatura de Vitor Hugo. Esse, aliás, tende a ser o grande assunto do partido a ser resolvido em Goiás daqui para frente. (Especial para O Hoje)

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