Governadoriáveis em Goiás ainda não despertaram para o Telegram

Postado em: 17-12-2021 às 08h04
Por: Marcelo Mariano
Aplicativo de mensagens tende a ser mais influente do que WhatsApp nas eleições de 2022 | Foto: Reprodução

O aplicativo de mensagens Telegram caminha para ser o principal desafio das eleições de 2022 em relação à desinformação, popularmente conhecida como fake news. A avaliação é do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas eleições de 2018, o WhatsApp esteve nos centro das atenções. Para o ano que vem, tende a ser substituído pelo Telegram, considerado uma terra sem lei e de divulgação de informações de forma ainda mais rápida.

Fundado em 2013 pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, que, no passado, já haviam criado a rede social VK, o equivalente ao “Facebook da Rússia”, o Telegram, vale frisar, não tem qualquer relação com o governo russo e atualmente está sediado nos Emirados Árabes Unidos.

Dos principais pré-candidatos a governador de Goiás, porém, poucos despertaram para o uso do Telegram como ferramenta para atingir o eleitorado e devem se encontrar no Instagram e Twitter, além do próprio WhatsApp.

A reportagem do jornal O Hoje buscou canais no Telegram de sete eventuais governadoriáveis, com base em especulações de bastidores e não necessariamente em candidaturas confirmadas.

São eles: o governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil); o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido); o ex-governador Marconi Perillo (PSDB); o deputado federal Vitor Hugo (de saída do PSL e a caminho do PL), o ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) Wolmir Amado (PT); o ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot (Patriota); e o senador Vanderlan Cardoso (PSD).

Desses, apenas Caiado e Vanderlan estão presentes de alguma forma no Telegram. Contudo, no caso do governador, o seu canal no aplicativo é mantido por apoiadores, intitulado “Governador Ronaldo Caiado (Apoiadores)”.

Há apenas 50 inscritos, um número bem abaixo dos seguidores que Caiado acumula em outras redes sociais, e pouca atividade. A última mensagem é de 24 de novembro, a única do mês. Em outubro, foram somente três publicações e, em setembro, nenhuma.

Em outras palavras, apesar de existir um canal de Caiado no Telegram, mesmo que mantido por apoiadores, o governador, na prática, praticamente não faz uso do aplicativo em sua estratégia de comunicação.

Vanderlan, por sua vez, é mais ativo, e o senador de fato tem um canal oficial no aplicativo para compartilhar informações sobre seu mandato, mas o número de inscritos também é baixo: só 153. Em dezembro, o canal de Vanderlan no Telegram teve quatro mensagens. Em novembro, foram 12. Os meses de outubro e setembro somam 17 e oito postagens, respectivamente.

De todas elas, a que conta com mais visualizações (125) é uma de 1 de setembro, na qual Vanderlan aborda a obra do anel viário como prioridade nacional, de acordo com palavras do ministro da Infraestrutura e pré-candidato ao Senado por Goiás, Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, mas próximo do PL).

No grupo de apoiadores de Caiado, a mensagem mais vista (146) é de 13 de agosto, mas o assunto não tem nada a ver com a atividade política de Caiado. Trata-se de um vídeo no YouTube sobre a campanha Agosto Lilás, que busca combater a violência contra a mulher.

O desempenho de políticos goianos, ainda com tempo para melhorar, contrasta com o cenário nacional. Por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que entendeu a força do Telegram já há algum tempo, tem pouco mais de 1 milhão de inscritos em seu canal, enquanto o ex-presidente Lula (PT), recém-chegado ao aplicativo, está prestes a passar dos 50 mil. (Especial para O Hoje)

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