RRF aumenta a tensão entre os ex-aliados Caiado e Bolsonaro

Postado em: 18-12-2021 às 08h42
Por: Marcelo Mariano
Presidente disse em live que deve esperar um pouco mais para dar prosseguimento ao ingresso no RRF. | Foto: Reprodução/Internet

O Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que ajuda estados em situação financeira delicada a ajustarem suas contas e é tido como uma prioridade do governo estadual, inaugurou mais um capítulo das tensões entre o governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Isso porque o último passo para a aprovação do RRF é justamente a assinatura do governo federal. E Bolsonaro, durante sua live semanal nas redes sociais, realizada na quinta-feira (17), disse que “vai esperar um pouco mais” para “tomar conhecimento melhor do assunto” e “dar prosseguimento ao pedido do governador de Goiás”.

Caiado, por sua vez, gostaria que o RRF fosse aprovado o quanto antes, prioritariamente ainda em 2021 para que ele pudesse começar o ano que vem, quando tentará a reeleição, com um pouco mais de tranquilidade.

A tendência é a de que o RRF seja mesmo aprovado. Porém, não da maneira que o governador gostaria, ou seja, Bolsonaro sinalizou que sua assinatura não deve sair tão rapidamente. Caiado provavelmente usará o bom trânsito que sua secretária da Economia, Cristiane Schmidt, tem com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tentar acelerar a demanda.

O presidente, conforme subentendido em sua live, pode usar a questão como uma ferramenta de pressão eleitoral, já que ele e Caiado agora são adversários políticos e têm tudo para estarem em palanques diferentes em 2022.

Na live, aliás, Bolsonaro disse que a política do “fique em casa” no contexto da pandemia de Covid-19 prejudicou a economia goiana, em um claro recado à sua base mais fiel. O pedido de recuperação fiscal de Goiás, no entanto, ocorreu em 2019, antes do surgimento do novo coronavírus. 

Chapa bolsonarista

Bolsonaro já fez declarações públicas no sentido de demonstrar interesse em lançar a candidatura do deputado federal Vitor Hugo (de saída do PSL e a caminho do PL), seu principal aliado em Goiás, como candidato ao governo estadual contra Caiado.

A propósito, Vitor Hugo esteve ao lado de Bolsonaro no início da live e, assim como o presidente, fez críticas a Caiado. Outros dois nomes que marcaram presença foram o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, mas em negociação com o PL) e o senador Luiz do Carmo (de saída do MDB e próximo do PSC), sendo que este último apenas foi citado e não chegou a aparecer.

Tanto Tarcísio quanto Luiz do Carmos são pré-candidatos ao Senado por Goiás no pleito de 2022. O ministro da Infraestrutura também cogita concorrer ao governo de São Paulo. De qualquer forma, ambos são, no momento, os mais cotados para ocupar a vaga de senador em uma eventual chapa bolsonarista encabeçada por Vitor Hugo.

Luiz do Carmo, vale lembrar, era suplente de Caiado e só assumiu o cargo no Senado quando o governador foi eleito para a atual função nas últimas eleições. A princípio, o ainda emedebista gostaria de disputar a reeleição por seu partido na base caiadista, mas, com a definição do presidente do MDB, Daniel Vilela, na vice de Caiado, ele acabou ficando sem espaço.

Histórico

No segundo turno das eleições de 2018, Caiado declarou voto em Bolsonaro e, no início de seus mandatos, os dois eram aliados e pareciam estar em sintonia. Entretanto, essa aliança começou a se fragilizar a partir do momento em que eles tomaram atitudes diferentes no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Outro ponto de discordância diz respeito ao ICMS dos combustíveis, o que também foi assunto na live de Bolsonaro, com quem Caiado acumulou desentendimentos públicos em relação ao tema. O RRF, portanto, só reforça que o presidente e o governador estão, de fato, sem clima para caminharem juntos no ano que vem. (Especial para O Hoje)

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