Cinco fatos mais importantes da política goiana em 2021

Postado em: 27-12-2021 às 08h20
Por: Marcelo Mariano
Ronaldo Caiado e Daniel Vilela estiveram diretamente envolvidos na maioria dos acontecimentos \ Foto; Reprodução

Enganou-se quem, na virada de 2020 para 2021, pensou que este seria um ano tranquilo do ponto de vista político. Mesmo sem eleições, a política goiana contou com muitas movimentações e, claro, polêmicas. Pensando nisso, o jornal O Hoje elaborou uma lista dos cinco fatos políticos mais importantes em Goiás ao longo de 2021.

Cruz e MDB

O primeiro grande acontecimento, em 5 de abril, foi a ruptura entre o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), e o presidente do MDB em Goiás, Daniel Vilela, filho de Maguito Vilela, eleito nas eleições de 2020 com Cruz de vice, mas morto em janeiro em decorrência de complicações da Covid-19.

A maior reclamação do grupo de Daniel era a interferência externa da cúpula do Republicanos nos rumos da Prefeitura de Goiânia, principalmente do presidente do partido no Distrito Federal, Wanderley Tavares.

De fato, esperava-se que, em algum momento, Cruz fizesse mudanças no secretariado, que não tinha sido escolhido por ele, mas poucos imaginavam que isso seria tão rápido. No início de abril, então, 14 secretários ligados ao MDB entregaram seus cargos, após mudanças feitas pelo prefeito em outras pastas algumas semanas antes.

Vice de Caiado

Pouco mais de cinco meses depois, em 24 de setembro, Daniel protagonizou mais um momento decisivo. O governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil) anunciou o emedebista, contra quem disputou as últimas eleições, como o seu candidato a vice em 2022. Morto em novembro, Iris Rezende, vale lembrar, foi o grande fiador dessa aliança.

Por um lado, a decisão de Caiado tirou um potencial adversário da corrida eleitoral no ano que vem. Por outro, causou desconforto em setores de sua base que não se dão bem com Daniel, como o senador Vanderlan Cardoso (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (de saída do PSB), e o prefeito de Catalão, Adib Elias (Podemos).

Mendanha

Logo em seguida, em 28 de setembro, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, à época no MDB e crítico da aliança do partido com Caiado, decidiu se desfiliar para viabilizar sua candidatura a governador em 2022 por uma outra legenda.

Mendanha ainda não encontrou um novo abrigo, o que deve ser feito no máximo até abril, mas o prefeito de Aparecida de Goiânia, que desponta como o principal nome de oposição ao caiadismo, segue em negociações especialmente com Podemos, PL e Republicanos.

Câmara de Goiânia

A Câmara Municipal de Goiânia esteve em destaque negativamente por vários motivos durante o ano. As revelações do jornal O Hoje de supostas rachadinhas e funcionários fantasmas no gabinete do vereador Paulo Henrique da Farmácia (PTC), o aumento da verba de gabinete, a tentativa de passar de 35 para 39 o número de parlamentares e o vai e vem em relação ao Plano Diretor são apenas alguns exemplos.

Em termos de articulação política, o episódio mais relevante foi a reeleição de Romário Policarpo (Patriota), em 30 de setembro, como presidente da Câmara. Antecipada, a votação também esteve rodeada de polêmica.

Bolsonaro

Por fim, 2021 foi marcado pela separação oficial entre o bolsonarismo e o caiadismo, depois de inúmeros desentendimentos do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o governador goiano, como no caso do ICMS dos combustíveis.

Em 24 de dezembro, Caiado conseguiu um presente de Natal com a assinatura de Bolsonaro, não sem antes uma breve discórdia, que permite a adesão de Goiás ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e proporciona um alívio financeiro às contas do estado.

Contudo, em 2022, os dois ex-aliados dificilmente estarão no mesmo palanque. Enquanto Caiado articula nacionalmente a favor da terceira via, Bolsonaro planeja lançar candidato próprio ao governo de Goiás.

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