Prefeitos do MDB devem agir a favor de Daniel, rebatendo as críticas à presença do partido na chapa de Caiado

Postado em: 13-01-2022 às 09h32
Por: Marcelo Mariano
No final de setembro, Ronaldo Caiado anunciou Daniel Vilela como seu vice nas eleições de 2022 | Foto: Reprodução

Terceiro partido que mais tem prefeitos em Goiás, atrás apenas de DEM/União Brasil e Progressistas (PP), o MDB, que administra 28 cidades goianas, se articula para defender a presença da sigla na chapa caiadista.

No final de setembro do ano passado, vale contextualizar, o governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil) anunciou o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, seu adversário no pleito de 2018, como candidato a vice nas próximas eleições.

Essa decisão, porém, causou inúmeros ruídos na base governista, com aliados de Caiado externando suas insatisfações em relação a Daniel. Houve quem sugerisse outra pessoa para o cargo e, até hoje, há quem acredite que, sem Iris Rezende, o principal fiador da aliança, ela tenha prazo de validade.

Os maiores descontentes com Daniel na vice de Caiado são o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa (Alego), Lissauer Vieira (de saída do PSB), o deputado federal José Nelto (Podemos), o prefeito de Catalão, Adib Elias (Podemos), o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Renato de Castro (DEM/União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP).

Desses, apenas Lissauer Vieira e José Nelto, em alguma medida, já se conformaram com a aliança. O presidente da Alego diz não querer conversa com Daniel, mas garantiu apoio a Caiado. Nelto também confirmou que estará ao lado do governador e, inclusive, trabalha para que ele esteja no mesmo palanque do presidenciável do Podemos, Sergio Moro. Os outros quatro, cada um à sua maneira, ainda demonstram resistência.

Fontes palacianas afirmam que, nos últimos dias, o próprio governador entrou em campo para apaziguar os ânimos. Caiado tem enfatizado que não voltará atrás de sua decisão. Com isso, os setores da base insatisfeitos, de uma forma ou de outra, terão que lidar com a presença de Daniel.

No momento, a tendência é a de que o presidente do MDB goiano, uma vez confirmado na chapa caiadista após as convenções partidárias, se torne persona non grata nos palanques de algumas cidades, como Rio Verde, Catalão e Goianésia, embora permaneça na vice.

Diante desse cenário, os prefeitos emedebistas, daqui para frente, devem agir em conjunto para rebater as críticas a Daniel, caso elas se repitam. O objetivo é o de usar a estratégia de ação em bloco para abafar os insatisfeitos.

Na linha de frente, tendem a estar os dois gestores municipais das maiores cidades administradas pelo MDB: Pábio Mossoró, de Valparaíso de Goiás, e Humberto Machado, de Jataí, mas os de municípios menores também estarão às ordens.

Atualmente, muitos prefeitos se encontram em recesso. Contudo, devido ao aumento de casos de Covid-19, impulsionados pela variante ômicron espalhada durante as férias de final de ano, a maioria se prepara para antecipar o retorno ao trabalho.

Portanto, com essa antecipação, a articulação em defesa de Daniel também pode ter início mais cedo do que o previsto, apesar de que, entre emedebistas de alto escalão, alguns argumentam que isso já deveria ter começado antes.

Existe a sensação, segundo uma pessoa do MDB ligada a Daniel, de que, por enquanto, o presidente estadual do partido tem “apanhado acima do normal” e, em contrapartida, recebido uma defesa “em um grau de intensidade menor” por parte de correligionários..

Por isso, em 2022, a ideia, para consolidar de vez o nome de Daniel como vice na chapa caiadista, é adotar uma postura mais firme, mesmo que isso não signifique necessariamente aparar as arestas com os insatisfeitos.

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