Federação entre PSB e PDT esbarra nas alianças em Goiás: partidos não estão do mesmo lado no cenário estadual

Postado em: 14-01-2022 às 09h02
Por: Marcelo Mariano
Com interesses parecidos, nada mais natural que ambos os partidos sentem para conversar | Foto: Reprodução

Desde que o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro (PL) às federações partidárias, no final de setembro do ano passado, a possibilidade mais real de esse mecanismo ser aplicado passou a ser por meio de uma aliança de partidos de esquerda, com PT, PSB, PCdoB, PV e , eventualmente, PSOL e Rede.

No entanto, as conversas sobre alianças em alguns estados, como São Paulo e Pernambuco, têm dificultado o avanço em relação às negociações especialmente entre PT e PSB, que, agora, começou a flertar com o PDT.

Válida a partir das próximas eleições, as federações partidárias, muitas vezes vistas como um mecanismo voltado para ajudar partidos pequenos a sobreviverem, têm três objetivos. Primeiro, eleger mais deputados. Segundo, atingir a cláusula de desempenho para ter acesso aos recursos do fundo partidário. Por fim, evitar fusões entre legendas.

Há, contudo, algumas exigências, como união por pelo menos quatro anos e programa e estatuto unificados. Além disso, os partidos que deixarem as federações antes do prazo determinado podem ser punidos.

O fato de as legendas precisarem atuar em conjunto por no mínimo quatro anos é uma das principais diferenças entre as federações partidárias e as coligações, que duravam oficialmente apenas durante as eleições e não estão mais permitidas.

Uma outra diferença importante é a questão da verticalidade. No caso das federações partidárias, o que for decidido a nível nacional tem que ser cumprido também a nível estadual, ou seja, é necessário 100% de afinidade.

Em São Paulo, por exemplo, tanto o PT, de Fernando Haddad, quanto o PSB, de Márcio França, têm pré-candidatos a governador. E nenhum parece disposto a abrir mão de sua candidatura para apoiar o outro, o que, na prática, inviabilizaria os dois partidos estarem em uma mesma federação partidária.

Dessa forma, o PSB deu início a um diálogo com o PDT. Uma reunião formal com a presença dos presidentes nacionais das duas siglas, Carlos Siqueira e Carlos Lupi, respectivamente, deve ocorrer ainda em janeiro.

Nos bastidores, comenta-se que, por um lado, o PSB adotou essa estratégia para pressionar o PT. Por sua vez, o PDT quer atrapalhar os planos dos petistas com o objetivo de alavancar a campanha presidencial de Ciro Gomes e, quem sabe, derrotar Lula.

Logo, com interesses parecidos, nada mais natural que ambos os partidos sentem para conversar. Em Goiás, eles não pretendem ter candidato ao governo, mas estão em campos opostos, apesar de serem de centro-esquerda e estarem ideologicamente próximos. Caso formem uma federação partidária, portanto, um deles terá que ceder.

Enquanto o PDT confirmou que seguirá na base do governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil), o deputado federal e presidente do PSB goiano, Elias Vaz, já deu sinalizações de que gostaria de caminhar com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido), até agora o principal nome da oposição.

Se a federação com o PT vingar, o que, de fato, tem mais chances devido ao peso da sigla, o PSB não teria resistência em estar ao lado do governadoriável petista em Goiás, Wolmir Amado. Por outro lado, se a aliança com o PDT for a que prosperar, Elias Vaz e Ronaldo Caiado não dão pinta de que estarão no mesmo palanque.

Claro que a situação em Goiás é mais fácil de conciliar do que as de São Paulo e Pernambuco. Aliás, nas eleições municipais de 2020, PSB e PDT foram aliados no estado. De qualquer forma, não deixa de ser um assunto importante para ficar de olho nas próximas semanas.

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