Internet, polarização e 3ª via podem fazer abstenções diminuírem neste ano

Postado em: 15-01-2022 às 09h06
Por: Carlos Nathan Sampaio
Em 2018 a abstenção no primeiro turno foi de 20,3%, ou seja, quase 30 milhões de eleitores que estavam aptos não compareceram às urnas, maior percentual desde 1998. | Foto: Reprodução

Ano eleitoral após ano eleitoral, nas últimas duas décadas, registraram cada vez mais abstenções nas votações, isto é, ausência de eleitores que estavam aptos, mas não compareceram às urnas. O fato não é segredo, os brasileiros estão, ou estavam, cada vez mais céticos, até mesmo pessimistas, com o cenário político brasileiro. Em fevereiro de 2018 mesmo, último ano em que ocorreu eleição presidencial, uma pesquisa do Instituto Locomotiva/Ideia Big Data mostrou que 94% das pessoas acham que os políticos estão mais preocupados em se manter no poder do que governar e 89% acham que políticos não pensam na população para tomar decisões.

Dito e feito, oito meses depois o Brasil bateu recorde de abstenções, 20,3% (quase 30 milhões) de eleitores aptos não compareceram para votar em algum presidente, governador, deputado estadual/federal ou senador no primeiro turno, o maior percentual desde 1998. Neste período de 20 anos, o ano de eleição com menos abstenções foi o de 2006, com 16,8%, de lá pra cá, as abstenções foram crescendo exponencialmente. Apesar disso, o ano de 2022 pode se mostrar um ano diferente em relação às abstenções. Isto porque a polarização entre eleitores de direita e de esquerda contra os eleitores que buscam uma outra via, pode fazer com que mais pessoas compareçam pra votar neste ano.

Diversas pesquisas eleitorais já publicadas nas últimas e que mostram, por exemplo, o ex-presidente Lula (PT), de esquerda, e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), de direita, entre os favoritos, com uma leve vantagem do petista, o que tem fomentado, e muito, as redes sociais. Com isso, a internet, que está cada vez mais acessível a todos, faz um papel importante e leva para ambos os extremos políticos, ou para os insatisfeitos com os dois, os meios para procurarem opções melhores para votar em outubro – isso, claro, desconsiderando as fake news.

Já em relação à terceira via, apesar de nenhum candidato estar fortemente cotado nas pesquisas, a insatisfação com a política da esquerda ou da direita podem, sim, colaborar para que mais cidadãos votem e exerçam o papel democrático que lhes é de direito e que, além de constar como obrigação, pode fazer muita diferença no resultado final. Quem mostra isso são os números, já que, em 2018, no primeiro turno, Bolsonaro recebeu 49,2 milhões de votos e o candidato do PT, Fernando Haddad, recebeu 31,3 milhões, mas com as abstenções de quase 30 milhões somada aos votos brancos e nulos (que chegaram, juntos, a 10,3 milhões) o terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), com 13,3 milhões, o quarto,  Geraldo Alckmin (PSDB), com 5 milhões, o quinto, João Amoêdo (Novo) com 2,6 milhões ou até mesmo o sexto, Cabo Daciolo (Patriotas), com 1,3 milhões poderiam facilmente ter sido cotados para o segundo turno com Bolsonaro e até mesmo poderiam ter sido eleitos presidentes no Brasil. Pense nisso.

Vale lembrar que o calendário oficial das eleições de 2022 já foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A eleição acontece no domingo de 2 de outubro, data do primeiro turno e no caso de nenhum dos candidatos a presidente alcançarem a maioria absoluta dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos, o segundo turno será realizado no dia 30 de outubro. O mesmo vale para as disputas ao cargo de governador. Para transferir o título, o eleitor tem até dia 4 de maio.

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