Fabrício Queiroz afirmou que está disposto a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados

Fabrício Queiroz confirma candidatura ao Congresso e políticos goianos reagem

Postado em: 20-01-2022 às 08h12
Por: Carlos Nathan Sampaio
Fabrício Queiroz confirma candidatura ao Congresso e políticos goianos reagem | Foto: Reprodução

Poderia ser uma fake news, mas não é: o policial militar da reserva Fabrício Queiroz, aquele investigado no inquérito das “rachadinhas”, afirmou que tentará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro nas eleições de outubro. Em uma entrevista dada ao Estadão nesta terça-feira, 18, ele disse não saber por qual partido vai concorrer, mas que se tiver apoio da família do presidente Jair Bolsonaro (PL), será a pessoa “mais votada do estado”. Apesar disso, o “futuro político” disse que ainda não conversou com nenhum dos integrantes do atual presidente.

A avaliação entre aliados, segundo a reportagem do Estadão, é de que essa candidatura poderia gerar ainda mais desgaste para a campanha à reeleição de Bolsonaro. Além disso, Queiroz confirmou que teve uma reunião com a presidente nacional do PTB, Graciela Nienov, e  que pretende marcar um encontro com o dirigente do partido no Rio, o deputado estadual, Marcus Vinícius Neskau (investigado na Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio), já que sua vontade é se tornar colega parlamentar de Flávio Bolsonaro. Com a repercussão da notícia, parlamentares goianos também reagiram à novidade.

Para a reportagem, curto e objetivo, o deputado federal goiano Rubens Otoni (PT) afirmou que, na sua avaliação, a candidatura de Fabrício é “uma chantagem à família Bolsonaro”. “Seria uma espécie de ‘ou me apoiam ou eu falo o que eu sei’, mas eu acho difícil que ele ganhe, justamente pela dependência e desgaste do Bolsonaro”, afirmou o parlamentar.

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Já o vereador de Goiânia Mauro Rubem, também petista, reforçou que isso mostra o “modelo dos modos operantes da família Bolsonaro”. “Sempre usaram política nos seus negócios, e eu digo negócios de todas as naturezas principalmente as milícias e também para a sua proteção e enriquecimento. O Fabrício Queiroz, caso ele seja candidato, ele está seguindo um trilho daqueles que vivem da política para o interesse pessoal, que é o caso dessa família toda. Mas eu acredito que com a quantidade de inquéritos e ações judiciais que existem contra o Fabrício, ele vai ser impedido de ter esse ciclo, até porque o próprio Bolsonaro também já está na lista de vários crimes que já cometeu no país e ainda vem cometendo”, concluiu.

Vale lembrar que Queiroz foi acusado de, no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ter comandado um esquema de “rachadinha”, que consiste na devolução de salários de funcionários do gabinete. De acordo com o Ministério Público do Rio, o então assessor entregava os valores ao então deputado. 

Sobre a acusação, tanto Queiroz quanto Flávio negam e apontam irregularidades no processo, que atualmente está parado na Justiça. Fabrício chegou a ser preso preventivamente em junho de 2020, em Atibaia, após dias se escondendo, mas passou pouco menos de um mês na cadeia. Já o Superior Tribunal de Justiça lhe concedeu o direito à prisão domiciliar e, poucos meses depois, o órgão lhe garantiu a liberdade definitiva, e com a decisão do Superior Tribunal de Justiça de que a investigação só poderia ser retomada com uma nova denúncia.

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