Eventual filiação ao PL deve afastar Gustavo Mendanha de ex-governador Marconi Perillo (PSDB)

Postado em: 27-01-2022 às 08h09
Por: Marcelo Mariano
Prefeito de Aparecida busca abrigo partidário para disputar o Palácio das Esmeraldas | Foto: Reprodução

Conforme o jornal O Hoje antecipou na semana passada, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, está “99,9% fechado com o PL”, nas palavras do presidente da sigla em Goiás, Flávio Canedo, o que pode impactar as articulações da oposição.

Mendanha deixou o MDB no final de setembro do ano passado por não concordar com a aliança que definiu o presidente estadual do seu agora ex-partido, Daniel Vilela, como candidato a vice na chapa do governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil).

Desde então, o prefeito de Aparecida de Goiânia busca um novo abrigo para viabilizar sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas. Ao lado do Podemos, o PL sempre esteve em seu radar, antes mesmo de o presidente Jair Bolsonaro decidir ingressar na legenda.

Com a recente filiação ao Podemos do vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano, também conhecido como Vilmarzinho, especulou-se que Mendanha poderia tomar o mesmo caminho.

Contudo, de acordo com um mendanhista influente, o partido do presidenciável Sergio Moro não é a primeira opção. A decisão ainda deve levar algumas semanas para ser tomada, mas, no momento, a principal aposta é mesmo o PL de Bolsonaro, com quem Mendanha deve intensificar o diálogo em Brasília.

Vale lembrar que, a princípio, o prefeito de Aparecida de Goiânia não gostaria de se envolver diretamente com a disputa nacional, e chegou até mesmo a sinalizar uma preferência por um candidato centrista da terceira via, ou seja, contrário tanto a Bolsonaro quanto ao ex-presidente Lula (PT).

Porém, diante da dificuldade para encontrar um partido com estrutura, ele passou a cogitar a possibilidade de estar no mesmo palanque do presidente. Tanto é que, agora, afirma, publicamente, não ter problema algum em caminhar ao lado de Bolsonaro.

A única barreira contra esse cenário é o desejo do presidente de lançar o deputado federal Vitor Hugo (de saída do PSL), seu maior aliado em Goiás, como candidato ao governo estadual, mas não se trata de algo irreversível.

Se a aliança entre Mendanha e Bolsonaro de fato vingar, isso pode distanciar o prefeito de Aparecida de Goiânia do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e, portanto, fragmentar a oposição caiadista.

“Na política, nada é impossível”, pontua uma pessoa ligada a Marconi, que tem dialogado com Lula sobre a situação da política brasileira. “Mas Mendanha no PL torna mais difícil uma aproximação com o PSDB.”

Os tucanos têm o governador de São Paulo, João Doria, como presidenciável. No entanto, se precisarem se posicionar quanto à polarização entre Lula e Bolsonaro, os de Goiás tendem a preferir o petista.

“Temos pesquisas de intenção de voto que mostram Lula bem melhor do que Bolsonaro no estado”, revela o aliado marconista, que faz questão de enfatizar o seguinte: “O PSDB não se mistura mais com o bolsonarismo.”

Embora negue, os bastidores dão conta de que, durante suas viagens ao interior, Mendanha aproveita a estrutura tucana para se tornar mais conhecido. Caso realmente se afaste de Marconi, o prefeito de Aparecida de Goiânia, que ainda está montando seu próprio grupo, pode enfrentar um pouco mais de dificuldade.

Por outro lado, o entorno de Mendanha vê com bons olhos ele não estar tão ligado ao PSDB devido à alta rejeição de Marconi, que não descarta concorrer ao Palácio das Esmeraldas. Além disso, na visão de pessoas próximas ao prefeito de Aparecida de Goiânia, se houver mais candidaturas de oposição, as chances de segundo turno aumentam.

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