Relatório da Polícia Federal aponta que milícia digital usou estrutura do ‘gabinete do ódio’

“Gabinete do ódio” é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto, focados nas redes sociais

Postado em: 11-02-2022 às 09h43
Por: Igor Afonso
“Gabinete do ódio” é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto, focados nas redes sociais | Foto: Divulgação

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) diz que a milícia digital estaria usando a estrutura do chamado “gabinete do ódio”. O relatório é parcial e não conclusivo.

“Gabinete do ódio” é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto, focados nas redes sociais, inclusive em gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro.

O documento foi elaborado pela delegada Denisse Dias Rosa Ribeiro e entregue ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. O ministro abriu em investigação sobre a existência de uma organização criminosa que visa atentar contra a democracia e propagar desinformação, assim chamado de inquérito das milícias digitais.

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“Em período compreendido entre 2018 e a presente data, em Brasília e em outros locais, pessoas identificadas no bojo dos inquéritos 4781, 4828 e 4874 se uniram de forma estruturalmente ordenada, com unidade de desígnios e divisão de tarefas (produção, difusão e financiamento), com o objetivo de obter vantagens financeiras e/ou político-partidárias por meio da produção e divulgação de informações (texto, imagem e video) em meios de comunicação (redes sociais ou canais de comunicação), de notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, violação de sigilo funcional, ameaças e crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria), lesando ou expondo a perigo de lesão o Estado democrático de direito e a independência e a harmonia entre os Poderes, ocultando ou dissimulando a natureza, origem, movimentação ou propriedades de valores decorrentes da atividade criminosa”, aponta um trecho do relatório.

A delegada aponta ainda que há uma análise em curso para analisar a propagação de notícias falsas. “Como exemplo, entre outros, pode-se citar a questão do tratamento precoce contra a covid-19 com emprego de hidroxicloroquina/cloroquina e azitromicina, bem como a menção à elaboração de dossiês contra antagonistas e dissidentes, inclusive com insinuação de utilização da estrutura de Estado para atuar “investigando todos”, aponta o relatório.

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