Vereador Sargento Novandir rasga jornal e diz que imprensa atrapalha Goiás

Vereador que se vestiu de palhaço após repercussão negativa do Código Tributário disse que o veículo deveria fechar

Postado em: 16-02-2022 às 09h27
Por: Felipe Cardoso
Vereador que se vestiu de palhaço após repercussão negativa do Código Tributário disse que o veículo deveria fechar | Foto: Reprodução

O vereador Sargento Novandir (Sem partido) é, e todos sabem, um dos parlamentares mais aguerridos quando o assunto é segurança pública. Na manhã da última terça-feira (15/2) provou, mais uma vez, isso. Ao discursar durante a sessão plenária, usou a tribuna para rechaçar uma reportagem contrária à conduta policial e atacar a imprensa. No ápice de sua indignação, chegou, inclusive, a rasgar uma edição do jornal O Popular.

O texto que foi alvo das críticas de Novandir foi publicado pelo veículo na edição do último dia 11 de fevereiro. A matéria, assinada pela repórter Cristiane Lima, mostra que três a cada dez mortes violentas em Goiás são por ação policial. A proporção, segundo o veículo, saltou de 9,9% para 29,1% de 2017 a 2020. 

Ao todo, foram 631 mortes praticadas por policiais, em serviço ou não, durante o ano de 2020. A divulgação dos dados trazidos pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no entanto, incomodaram o parlamentar que reagiu com energia. “No meu entendimento, no entendimento do cidadão de bem, do trabalhador, do pai de família, o nosso desejo é que não apenas três fossem pelas polícias, que fossem as dez. Dessa forma estariam morrendo 10 vagabundos que tiram a paz da sociedade”, disse. 

Continua após a publicidade

Ao justificar sua ida à tribuna para comentar o assunto, Novandir disse que a matéria “chocou” não apenas ele, mas toda a instituição e acrescentou: “Mais uma vez venho aqui para me posicionar a respeito da melhor polícia militar do Brasil, que é a Polícia Militar de Goiás”. O parlamentar também citou três ocorrências atendidas, separadamente, por agentes do Choque, Rotam e Giro, segundo ele, revidaram, em todos os casos, “a injusta agressão”.  “Felizmente  os bandidos estão na vala”, pontuou. 

Para ele, o governador Ronaldo Caiado é peça fundamental nessa história. “Ele não recua diante de uma matéria dessa. Podem criticar as ações policiais que ele não troca de comandante. Ele dá respaldo para que a polícia possa combater o bom combate. Como disse lá atrás: ou o bandido muda de Goiás ou muda de profissão. Que continue assim, governador, dessa forma nosso estado terá cada vez mais segurança”. 

Antes de rasgar o jornal, Novandir fez uma última consideração: “Hoje, o estado de Goiás está em segundo no ranking dos que mais confrontam bandidos. O meu desejo é que suba para primeiro. Goiás tem que ser o estado que mais mata bandido. E para esse jornal que vive perseguindo nossa instituição, vou dizer que o jornal de vocês deveria fechar. Vocês prejudicam demais o estado de Goiás. Não são essas matérias que vão nos abalar”. 

Polêmico

Além de aguerrido, Novandir também é um vereador polêmico. Dois de seus pronunciamentos na tribuna se tornaram amplamente conhecidos nos últimos meses. O primeiro deles ocorreu ainda em outubro do ano passado. À época, o vereador pediu a palavra para rechaçar uma suposta articulação do colega de Parlamento, vereador Geverson Abel (Avante).  Isso porque Abel teria, segundo ele, trabalhado pelo arquivamento de uma matéria a qual o vereador lutava para aprovar há quatro anos. 

Ao falar sobre o assunto na tribuna, Novandir não apenas subiu o tom como chegou a tirar o cinto para expressar sua vontade de “educar” o colega. 

“Algumas vezes eu já bati em moleque na rua, em bandido, quando alguns tentaram me agredir. Mas em você vereador, vou ser sincero, eu tinha vontade de tirar esse cinto aqui e te dar um couro. Sabe quando a gente pega um moleque covarde na rua e o pai e a mãe educa? Eu queria te educar com uma cintada no lombo, infelizmente não posso, mas o senhor merecia isso”, disparou.

No mais recente episódio, Novandir se fantasiou de palhaço para discursar na tribuna da Câmara Municipal. Na ocasião, o vereador afirmou ter sido enganado pela Secretaria de Finanças quanto ao Código Tributário Municipal que acarretou no aumento desenfreado do IPTU de boa parte dos goianienses. 

O discurso dos vereadores da base, do qual Novandir faz parte, é de que não sabiam que o acréscimo no imposto passaria dos 45%. Diante da situação, ele alegou se sentir “arrependido” e chegou a tirar o cinto novamente. Dessa vez, pediu que algum de seus colegas desse uma “chibatada” em suas costas por seu erro. Ele firmou compromisso de não votar em matérias futuras em regime de urgência.

Por fim, o parlamentar pediu perdão à sociedade por ter votado a favor do novo Código Tributário e sugeriu que o secretário de Finanças, Geraldo Lourenço, volte para Brasília.

Veja Também