Dá para dizer que a diferença entre Lula e Bolsonaro diminuiu?

Pesquisa mostra uma possível tendência, mas há uma interpretação diferente dos números e, por isso, ainda é cedo para ter certeza

Postado em: 19-02-2022 às 08h31
Por: Marcelo Mariano
Pesquisa mostra uma possível tendência, mas há uma interpretação diferente dos números e, por isso, ainda é cedo para ter certeza | Foto: reprodução

O PoderData, divisão de pesquisas do site Poder360, divulgou, na última semana, uma pesquisa que animou o bolsonarismo, pois, segundo os números, a diferença entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria diminuindo.

Lula apresenta 40% das intenções de voto. Bolsonaro, por sua vez, está com 31%, ou seja, uma diferença, que, um mês atrás, era de 14%, agora é de 9%. A margem de erro é 2% para mais ou para menos, e é justamente isso que oferece uma outra leitura dos dados.

Levando em consideração as quatro últimas pesquisas do PoderData, o ex-presidente petista tinha 40%, subiu para 42%, recuou para 41% e, no levantamento mais recente, voltou para os 40%. Em outras palavras, ele oscilou dentro da margem de erro.

Continua após a publicidade

Enquanto isso, o atual presidente marcava 30%, caiu para 28%, retomou os 30% e, por último, cresceu para 31%. De uma pesquisa para outra, portanto, ele também oscilou dentro da margem de erro.

Porém, Bolsonaro cresceu acima da margem de erro (3%) na comparação entre a antepenúltima pesquisa e a última (de 28% para 31%), o que, sem dúvidas, é significativo, mas o intervalo de apenas dois levantamentos ainda não é suficiente para cravar que existe uma tendência.

Dessa forma, é necessário esperar a próxima pesquisa, que será divulgada daqui a no máximo duas semanas. Nela, se Lula mantiver a oscilação dentro da margem de erro e Bolsonaro seguir com o ritmo de crescimento, por menor que seja, aí sim será possível dizer que a diferença entre os dois está diminuindo.

Até porque, por enquanto, essa diferença numérica de 9% pode chegar a 13% devido à margem de erro (2% a menos para Bolsonaro e 2% a mais para Lula), apenas 1% inferior aos 14% registrados há um mês.

De qualquer forma, a última pesquisa serviu também para os críticos de Bolsonaro acenderem um alerta de que não dá para descartar o presidente da corrida eleitoral. Apesar de ele sempre aparecer atrás de Lula nas intenções de voto, esse seria um pensamento ingênuo, mesmo sem o mais recente levantamento do PoderData.

Bolsonaro, afinal, tem uma base fiel de eleitores. Além disso, no Brasil, o histórico eleitoral mostra que a reeleição é uma regra, e não exceção, principalmente em virtude da importância de ter a máquina nas mãos.

Segundo turno

A não ser que o presidente cometa muito mais erros do que tem cometido e sua popularidade caia a ponto de um candidato da terceira via, como o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), o nome da direita mais competitivo depois de Bolsonaro, preencher o vácuo que seria deixado, Bolsonaro estará no segundo turno.

De acordo com relatório da Eurasia, a principal consultoria de risco político do mundo, Lula tem 15% de chance de vencer já no primeiro turno, e 20% de estar no segundo turno com alguém da terceira via.

A probabilidade de haver segundo turno entre Lula e Bolsonaro é de 65%, cenário também simulado pela pesquisa do PoderData. O petista tem 50% das intenções de voto, uma queda de 4% (acima da margem de erro) na comparação com o levantamento anterior.

Bolsonaro também caiu, de 37% para 35%. Trata-se, contudo, de uma oscilação dentro da margem de erro. A diferença entre ambos, que já foi de 25% (55% contra 30%), em agosto de 2021, agora é de 15%, mas há uma outra interpretação.

Em março do ano passado, somente 5% separavam Lula (41%) de Bolsonaro (36%). A diferença cresceu para 25% com a queda de popularidade do presidente e o fortalecimento da campanha do petista.

Logo, o que ocorreu foi uma recuperação das intenções de voto que Bolsonaro tinha há quase um ano, e isso só reforça o argumento de que realmente não se pode desprezá-lo. Muita coisa ainda deve ocorrer até o dia da votação e, geralmente, as últimas semanas são as mais decisivas. (Especial para O Hoje)

Veja Também