“Aquilo foi show”, diz André Fortaleza sobre caso Camila Rosa

Na tribuna da Câmara de Goiânia, presidente do Legislativo ainda reforçou ser contrário às cotas femininas na política. Aava, que presidia a sessão, rebateu e clima esquentou

Postado em: 24-02-2022 às 10h58
Por: Felipe Cardoso
Na tribuna da Câmara de Goiânia, presidente do Legislativo ainda reforçou ser contrário às cotas femininas na política. Aava, que presidia a sessão, rebateu e clima esquentou | Foto: Felipe Cardoso

O presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia, André Fortaleza (MDB), esteve, na manhã desta quinta-feira (24/2), na Câmara Municipal de Goiânia para uso da tribuna livre. A intenção da visita era apresentar a “sua versão” sobre os acontecimentos que tomaram repercussão nacional envolvendo o nome da colega de parlamento, Camila Rosa (PSD).

Ao discursar, em sessão presidida pela vereadora Aava Santiago (PSDB), o parlamentar lembrou da “grande” proporção que o caso tomou. “Fiquei assustado, inclusive, adoeci. Até sobre isso duvidaram”, disse.

Após rememorar cronologicamente o ocorrido reforçou, mais uma vez, que não houve machismo em sua atitude. “Se tivesse, projetos de proteção à mulher não passariam”, acrescentou. Na sequência disse ainda que se sentiu desrespeitado com as investidas da parlamentar com palavras do tipo: “se a carapuça serviu” ou se o vereador teria “problemas com transparência”.

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Depois, Fortaleza ainda lembrou que seu microfone foi cortado por cinco vezes na legislatura passada e isso não teria sido noticiado. “Aquilo ali foi show”, pontou.

Na sequência, o presidente da Câmara Municipal de Aparecida ainda fez alguns comentários que incomodaram alguns dos vereadores goianienses: “Mulher não está na política porque não quer. Eu sou sou contra cotas? Sou mesmo. Quantas laranjas tivemos nas eleições?”, questionou.

Na sequência, Aava Santiago usou a palavra para disparar: “Eu estava aqui ouvindo todas as barbaridades que o senhor dizia, pensei em ouvi-lo até o final, mas chegou um momento que o senhor está usando o Parlamento para promover mentiras, ataques pessoais e Fake News. O senhor é presidente de um Poder. Aqui em Goiânia temos elegância e por isso não cortei a palavra, mas não vamos aceitar que um homem que se comporte com tamanha miudeza aqui. Não que o senhor mereça, mas como democrata que sou vou devolver a palavra para suas considerações finais”.

A fala de Aava incomodou o Ronilson Reis, responsável por convidar André Fortaleza para o uso da tribuna. “Peço que a vereadora [disse direcionado a Aava] mantenha sua imparcialidade ou entregue à presidência. O parlamento não é judiciário. Mantenha o respeito, o colega que veio de outro município tem direito a falar. Quando Camila esteve aqui ela teve seu direito a fala”, disparou.

Contexto

Recentemente a vereadora de Aparecida prestou depoimento na ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral. Ela também registrou um boletim de ocorrência por violência política contra a mulher para investigar a conduta do presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia após ter tido o microfone cortado durante uma discussão sobre cotas de gênero e machismo.

Segundo Camila, o presidente “promove uma situação de desconforto”. “Ele convida todos os vereadores para os eventos e não me chama”, exemplificou ao jornal O Hoje.

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