Entrevista: ‘Vamos perguntar ao Caiado qual legado ele está deixando’

Líder da oposição na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Lêda Borges diz que seu nome está à disposição para ser candidata a vice-governadora na chapa de Gustavo Mendanha

Postado em: 04-03-2022 às 08h32
Por: Marcelo Mariano
Líder da oposição na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Lêda Borges diz que seu nome está à disposição para ser candidata a vice-governadora na chapa de Gustavo Mendanha | Foto: Vladir Araújo

A deputada estadual Lêda Borges (PSDB) afirmou, em entrevista ao jornal O Hoje, concedida durante a primeira sessão na nova sede da Assembleia Legislativa, que, ao longo de 2022, a oposição ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil), liderada por ela, terá a missão “de fazer o comparativo de legado”.

“Nós vamos perguntar ao Caiado qual legado ele está deixando. Porque o legado de pseudo-honestidade é uma obrigação. Agora, cadê o legado na saúde, na educação, na UEG, na infraestrutura, nas rodovias, na execução das obras nas rodovias goianas?”, indagou a parlamentar.

A defesa do legado do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) é uma das principais bandeiras dos tucanos com vistas às próximas eleições. Perillo, aliás, é cotado para disputar o governo estadual contra Caiado, mas também pode tentar uma vaga de senador ou de deputado federal.

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Caso não ocupe a cabeça de alguma chapa majoritária, especula-se que o ex-governador possa fazer uma aliança, até mesmo no primeiro turno, com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido), outro oposicionista de olho no Palácio das Esmeraldas.

Mendanha já disse publicamente que gostaria de ter uma mulher como sua candidata a vice. Perguntada se estaria disposta a preencher a vaga, Lêda não descartou a possibilidade. Ela pontua que sua prioridade é a candidatura a deputada federal, mas que seu nome está à disposição do PSDB.

“Eu vejo isso [a aliança entre Marconi e Mendanha] com muita naturalidade porque o adversário é o mesmo”, ressaltou a tucana. “O que tem de ser avaliado é se já iremos juntos para o segundo turno e se iremos separados.”

Como líder da oposição, qual é a expectativa para a atuação na Assembleia Legislativa ao longo deste ano eleitoral?

Nossa posição é a de fazer o comparativo de legado. Todos os anos, esta Casa recebe, do chefe do Poder Executivo, o governador Ronaldo Caiado, uma mensagem. E essa mensagem, durante três anos, foi de coisas negativas, como dívidas. Sabemos que o superávit do orçamento cresceu em 28%. Portanto, nós vamos perguntar ao Caiado qual legado ele está deixando. Porque o legado de pseudo-honestidade é uma obrigação. Agora, cadê o legado na saúde, na educação, na UEG, na infraestrutura, nas rodovias, na execução das obras nas rodovias goianas? Nosso papel será o do contraponto, do que foi feito, e de qual é o resultado verdadeiramente que esse governo está deixando para o povo goiano, seja nos programas sociais, seja na infraestrutura, seja na saúde, seja na educação, seja na segurança pública.

Em ano de eleição, os trabalhos na Assembleia Legislativa costumam ficar comprometidos por causa das campanhas. Como conciliar?

Eu priorizo o meu trabalho parlamentar, porque eu estou no mandato, na minha atividade parlamentar na Casa. Gosto de tribuna e ainda sou líder da oposição. Portanto, tenho que estar presencialmente. O debate presencial é muito diferente do debate virtual.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, já disse publicamente que gostaria de ter uma mulher como candidata a vice em sua chapa nas eleições para governador. A senhora estaria disposta a ocupar a vaga?

Estar vice-governadora é uma composição e uma articulação que não depende apenas de mim como política ou como uma deputada estadual. É uma composição partidária, uma articulação maior, que tem como principal articulador o nosso líder, o ex-governador Marconi Perillo. Portanto, pessoalmente, o meu projeto é a candidatura a deputada federal, em uma representação efetiva da minha região, que é o entorno de Brasília, mas também de todo o estado. E eu continuo sempre à disposição do meu partido. O meu nome está à disposição do meu partido.

A senhora acredita que existe possibilidade de aliança entre Marconi e Mendanha já no primeiro turno ou isso ainda está distante?

Isso não é distante, não. Eu vejo isso com muita naturalidade porque o adversário é o mesmo. O que tem de ser avaliado é se já iremos juntos para o segundo turno ou se iremos separados. Acho que essa é a grande pergunta, que será conduzida por meio das pesquisas, no sentido de nos balizarmos para essa decisão. Reforço que nós não estamos distantes porque o nosso adversário é o mesmo.

A escolha que Mendanha fizer sobre seu novo partido influencia de alguma forma a decisão do PSDB? O Patriota, por exemplo, é uma das opções, e Marconi tem um contencioso com o presidente da legenda, Jorcelino Braga. Isso seria um empecilho?

O Marconi não tem contencioso com ninguém. As pessoas é que tem com ele. Não é o Marconi que tem com o Braga. É o Braga que tem com o Marconi. Agora, o líder maior não é o Braga, é o Mendanha. Aí é conversa é entre Mendanha e Marconi.

Então, para confirmar, o PSDB não teria objeção em se aliar com o Mendanha, caso ele se filie ao Patriota?

Eu creio que nós não temos objeção a nada. A única objeção que nós temos é ao Caiado continuar como governador desse estado.

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