Depois da queda do ministro da Educação, presidente da Petrobras será demitido por Bolsonaro

Postado em: 28-03-2022 às 18h24
Por: Augusto Diniz
Pressionado da alta nos combustíveis, chefe do Executivo comunica Silva e Luna que vai tira-lo do cargo | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro decidiu forçar o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, a deixar o cargo no MEC, o chefe do Executivo também comunicou o presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, nesta segunda-feira (28/3) de que vai trocar o comando da estatal. De acordo com militares e aliados próximos a Bolsonaro, o presidente informou Silva e Luna que vai tirá-lo da presidência da Petrobras.

O anúncio mais recente de aumento no preço da gasolina, óleo diesel e gás de cozinha incomodou Bolsonaro, que ameaçava nos bastidores demitir o general do comando da Petrobras desde o início de março. No dia 10, a estatal autorizou um reajuste de 18,8% no litro da gasolina nas refinarias, 24,9% no diesel e 16,1% no gás de cozinha.

O nome mais citado como possível novo indicado de Bolsonaro para o posto de presidente da Petrobras é o de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Para fazer Pires vingar, Bolsonaro precisará enfrentar resistências em algumas alas do governo federal.

Desde que a Petrobras anunciou o reajuste nos combustíveis, há 18 dias, Bolsonaro pressionava Silva e Luna para abaixar o preço da gasolina, do diesel e do gás. Militares tentaram atuar nos bastidores para evitar a demissão do general da reserva do Exército do cargo. Até o presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), disse publicamente que Silva e Luna precisava abaixar o valor do litro dos combustíveis.

Pouco mais de um ano

Confirmada a queda de Silva e Luna, o presidente da Petrobras deixará o cargo 13 meses após ser indicado, quando assumiu o lugar de Roberto Castello Branco, que tinha sido indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Castello Branco deixou a presidência da estatal em fevereiro de 2021, também por aumentos seguidos nos combustíveis.

De acordo com a mais recente rodada da pesquisa Datafolha, 68% dos brasileiros consideram que Bolsonaro tem responsabilidade na alta do preço dos combustíveis, o que pesou como fator negativo na busca pela reeleição do presidente da República nas contas do Palácio do Planalto. O governo federal tem demonstrado preocupação com os reajustes na gasolina, diesel e gás de cozinha, que busca alternativas para resolver o problema em ano eleitoral.

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