‘Câmara cheia, plenário vazio’ marca dia de protestos no Legislativo

Postado em: 01-04-2022 às 07h54
Por: Felipe Cardoso
Servidores lotaram as galerias da Câmara Municipal de Goiânia na última quinta, porém, apenas dois, dos 35, vereadores se deram ao trabalho de escutá-los | Foto: Felipe Cardoso

Os professores terminaram ignorados. Desta vez, não pela prefeitura — como tem ocorrido ao longo dos últimos 15 dias —, mas pelos vereadores da Câmara Municipal de Goiânia, eleitos, por sinal, para representá-los. 

Na manhã da última quinta-feira (31/3), as galerias estavam cheias, mas o plenário vazio. O vereador Clécio Alves, comumente apedrejado pela “truculência” na condução das sessões — mas não há quem ouse questionar sua pontualidade — até que se dispôs a esperar. Às 9h25, deu o primeiro aviso: “a presidência vai aguardar mais cinco minutos”. 

Às 9h30 veio a decisão: “por falta de quórum encerro a sessão”. O que se testemunhou, na sequência, foi o vereador, e outros oito que ali estavam, deixando o plenário assistidos pelos manifestantes tomados — com razão — pela ira ante ao descaso. 

Mais tarde, apenas dois parlamentares estiveram em plenário para dar voz aos servidores: Aava Santiago (PSDB) e Mauro Rubem (PT). O inércia dos demais parlamentares, no entanto, não foi suficiente para titubear a categoria que permaneceu em plenário. 

Rafael Gomes, que faz parte do comando de greve e trabalha como auxiliar de atividades educativas na rede municipal de ensino, foi um dos que usaram a tribuna para desabafar. Descontente em falar para um plenário esvaziado, vociferou: “Nos sentimos desrespeitados e humilhados pelos vereadores”.  

Na sequência, justificou: “No dia em que a gente vem aqui para conversar com os vereadores, colocarmos nossas propostas e dizer da nossa indignação, eles correm. Estão agindo como o prefeito”. O servidor ainda lembrou que além de não aparecerem em Plenário, os vereadores também se esquivaram da reunião da Comissão de Educação mais cedo. 

“Fomos convidados pela vereadora Aava a participarmos de uma reunião da Comissão de Educação da Câmara, mas ela aconteceu de maneira informal porquê não teve quórum. Infelizmente, estamos aqui falando para nós mesmos. Estamos nos sentindo completamente desrespeitados e abandonados pelo prefeito e pelo secretário de Educação que nunca sentou com a categoria para poder conversar e entender o que está ocorrendo”, pontuou o profissional. 

Outra a desabafar com a reportagem sobre o assunto foi a secretária geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ludmila Morais. “É frustrante. A prefeitura está num movimento silenciado, não existe nenhum chamamento de negociação com o sindicato. Mas nem a Câmara nem o Paço vão nos cansar. Esperamos que o prefeito seja sensível e apresente formas de cumprir o que é Lei”. Vale lembrar que os servidores reivindicam o pagamento da data-base acumulada, bem como o reajuste salarial nos moldes do proposto pelo Governo Federal.

Morais ainda aproveitou para considerar digna a reivindicação dos professores que, segundo ela, têm carregado a Educação municipal nas costas. “Faltam trabalhadores como merendeiras, professores, servidores da limpeza e tantos outros. Agora somos tratados com silêncio? A greve não vai parar”. Para ela, isso representa “uma falta de respeito”. 

A profissional ainda assegurou que os trabalhadores deverão judicializar, nos próximos dias, as constantes nomeações da prefeitura que tem buscado contratar servidores temporários na tentativa de “minar a greve”. “Querem desmoralizar um movimento legítimo e legal”, pontuou. Questionada sobre o assunto, a prefeitura de Goiânia não se manifestou até o fechamento desta reportagem. 

Como se não bastasse o descaso dos parlamentares, mais cedo, os servidores foram recebidos com truculência pela Guarda Civil Metropolitana em um ato de protesto no CMEI Vila Areião. Sobre o caso, a prefeitura emitiu uma nota para considerar as ações do manifestantes desrespeitosas e violentas.

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