Henrique Meirelles encerra novela da pré-candidatura ao Senado e decide não disputar eleição por Goiás

Postado em: 01-04-2022 às 17h40
Por: Augusto Diniz
Ex-presidente do Banco Central põe fim ao cabo de guerra para mantê-lo na chapa do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e abre espaço para disputa na base do Palácio Pedro Ludovico | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Acabou na tarde desta sexta-feira (1º/4) a novela sobre a desistência ou não do secretário estadual de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles (PSD). O presidente do Banco Central na gestão do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministro da Fazenda no governo Michel Temer (MDB) confiou em carta aos goianos e ao PSD que não irá disputar o cargo de Senador nas eleições de outubro em Goiás.

“Nas últimas semanas, ponderei sobre a possibilidade de ser candidato e, caso fosse essa a vontade do povo goiano, representar o nosso Estado no Congresso Nacional. No entanto, entendo que posso contribuir mais, para Goiás e o Brasil, trabalhando por um plano econômico que recoloque o País no eixo da prosperidade, que deixe de vez no passado o medo da inflação e da recessão”, escreveu Meirelles na carta.

Na segunda-feira (28/3), Meirelles veio a Goiânia, assim como na semana passada, e foi embora para São Paulo no dia seguinte (29/3) sem falar qualquer coisa publicamente sobre a ainda possível, mas nos bastidores já descartada, pré-candidatura ao Senado na chapa de reeleição do governador Ronaldo Caiado (União Brasil).

O ex-presidente do Banco Central, depois de conversa com o presidente estadual do PSD, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, decidiu cancelar a entrevista que daria na terça-feira (29/3) para anunciar a desistência de colocar seu nome na corrida eleitoral em outubro. Até a nota que seria publicada foi adiada. Mas só por três dias. Hoje a não candidatura foi oficialmente anunciada.

“Muita honra”

Na carta, Meirelles agradece aos que acreditaram no potencial eleitoral que sua pré-candidatura teria. “Foi com muita honra que recebi pesquisas me apontando como um dos preferidos em uma eventual disputa ao Senado, demonstrando o quão profundas são as nossas ligações. Tenho orgulho de ser filho de Goiás.” E falou com orgulho do convite que o partido do ex-ministro Gilberto Kassab o fez em 2021.

“No ano passado, eu tive a honra de ser convidado pelos amigos do PSD a me filiar ao partido e considerar a possibilidade de ser candidato a senador pelo nosso Estado. Nestes meses, eu tive o prazer de voltar às minhas raízes, revigorar meus laços e ouvir a sociedade de Goiás sobre seus desafios e sonhos. Cada retorno ao nosso Estado me deixa com mais certeza das potencialidades de Goiás e do nosso povo.”

Mesmo com todo o espaço aberto para que Meirelles voltasse a Goiás para concorrer a um cargo majoritário, o secretário do governo Rodrigo Garcia (PSDB) em São Paulo preferiu abrir mão da possibilidade de voltar a colocar seu nome na urna. “Vou seguir acompanhando a política goiana e defendendo os interesses de todos os goianos em outras instâncias, seja no setor público, seja no setor privado”, descreve o ex-presidente do Banco Central.

Eleições passadas

Em 2002, quando foi eleito deputado federal, mas não assumiu o cargo porque veio o convite para comandar o Banco Central em 2003 na gestão Lula, Meirelles foi o 14º candidato mais votado, com 5.646 votos pelo PSDB. “Assim como contribui como presidente do Banco Central e Ministro da Fazenda para superarmos obstáculos que muitos consideravam instransponíveis, quero agora contribuir para um programa de governo realista, que prometa só o que pode ser cumprido, e que permita aos brasileiros e aos goianos retomar o caminho do crescimento sustentável.”

Aqui surge uma nova oportunidade para Meirelles, que pode deixar o PSD e se filiar ao MDB para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Rodrigo Garcia. Com a lambança feita por João Doria na quinta-feira (31/3) ao dizer que desistiria da pré-candidatura a presidente e ficaria no governo de São Paulo e, horas depois, disse que tudo aquilo era apenas uma estratégia para manter seu nome na disputa ao Palácio do Planalto, Garcia pode deixar o PSDB e se filiar até amanhã no União Brasil.

Enquanto o PSD em Goiás tenta se reorganizar de olho nas eleições de outubro a um dia do fim da janela de filiações partidárias, nomes como o dos presidentes do Republicanos, deputado federal João Campos, do Progressistas, ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy, e o deputado federal Delegado Waldir (União Brasil) lutam para ficar com a vaga ao Senado na chapa caiadista.

Leia a carta de Henrique Meirelles na íntegra:

“Aos goianos

No ano passado, eu tive a honra de ser convidado pelos amigos do PSD a me filiar ao partido e considerar a possibilidade de ser candidato a senador pelo nosso Estado. Nestes meses, eu tive o prazer de voltar às minhas raízes, revigorar meus laços e ouvir a sociedade de Goiás sobre seus desafios e sonhos. Cada retorno ao nosso Estado me deixa com mais certeza das potencialidades de Goiás e do nosso povo.

Foi com muita honra que recebi pesquisas me apontando como um dos preferidos em uma eventual disputa ao Senado, demonstrando o quão profundas são as nossas ligações. Tenho orgulho de ser filho de Goiás.

Esse orgulho seguiu comigo ainda jovem em São Paulo, onde iniciei a minha carreira no mercado financeiro. E nos Estados Unidos, onde fui o primeiro não-americano a presidir uma instituição financeira global. Igualmente me acompanhou em Brasília, onde assumi funções públicas relevantes, primeiro como o presidente do Banco Central que mais tempo permaneceu no cargo e depois como ministro da Fazenda. Quando ajudei o País a superar as graves crises econômicas de 2003, 2008 e 2016, e com isto os goianos também foram muito beneficiados.

Nas últimas semanas, ponderei sobre a possibilidade de ser candidato e, caso fosse essa a vontade do povo goiano, representar o nosso Estado no Congresso Nacional. No entanto, entendo que posso contribuir mais, para Goiás e o Brasil, trabalhando por um plano econômico que recoloque o País no eixo da prosperidade, que deixe de vez no passado o medo da inflação e da recessão. Assim como contribui como presidente do Banco Central e Ministro da Fazenda para superarmos obstáculos que muitos consideravam instransponíveis, quero agora contribuir para um programa de governo realista, que prometa só o que pode ser cumprido, e que permita aos brasileiros e aos goianos retomar o caminho do crescimento sustentável.

Vou seguir acompanhando a política goiana e defendendo os interesses de todos os goianos em outras instâncias, seja no setor público, seja no setor privado. Goiás está acima dos partidos, das divergências e das vontades particulares. Vamos em frente!

Henrique Meirelles“.

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