Com gasolina a quase R$ 8 o litro, Bolsonaro reclama de acordo do WhatsApp com TSE em motociata

Postado em: 15-04-2022 às 15h57
Por: Augusto Diniz
Presidente chegou a dizer que decisão não será cumprida e que nova ferramenta que permite criação de comunidades funcionará antes do previsto no Brasil | Foto: Reprodução/Facebook

No momento em que o governo federal enfrenta investigações por suspeita de uso do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) por pastores para cobrar propina de prefeitos na liberação de recursos do Ministério da Educação e o suposto superfaturamento na compra de remédio para impotência sexual pelo Ministério da Defesa para as Forças Armadas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou o acordo do WhatsApp com a Justiça Eleitoral para só liberar o recurso das comunidades no aplicativo depois das eleições de outubro.

“Já adianto que isso que o WhatsApp está fazendo no mundo todo, sem problema. Agora abrir uma excepcionalidade no Brasil isso é inadmissível e inaceitável”, bradou Bolsonaro durante a motociata da manhã desta sexta-feira (15/4) para apoiadores no interior de São Paulo. Para o chefe do Palácio do Planalto, a nova ferramenta da plataforma que autoriza a inclusão de milhares de pessoas no formato repaginado de grupos do WhatsApp será liberada no País em descumprimento ao acordo da empresa com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No dia seguinte à divulgação da informação de que os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos estiveram no Palácio do Planalto 35 vezes, Bolsonaro declarou: “Não vai ser cumprido esse acordo que porventura eles realmente tenham feito com o Brasil com informações que eu tenho até esse momento”. Ao discursas na cidade paulista de Americana, o presidente definiu o acordo como “discriminação” e “acordo sem validade”.

Em mais um apelo ao que define como liberdade de expressão, Bolsonaro gritou que “o Brasil seguirá livre custe o que custar”, mesmo que não tenha definido que custo seria esse. “Censura, discriminação, isso não existe. Ninguém tira o direito de vocês nem por lei quem dirá por um acordo. Esse acordo não tem validade”, reclamou o presidente.

WhatsApp em tempos de crise

Com o quilo da cenoura superior a R$ 10 e o litro da gasolina a quase R$ 8, o chefe do Poder Executivo nacional se mostrou bastante empenhado em interferir nos rumos da funcionalidade de um aplicativo privado de troca de mensagens. Bolsonaro não deu sinais ou pistas de como poderia atuar para fazer com que o acordo do WhatsApp com a Justiça Eleitoral seja descumprido. Resta saber se o presidente irá acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para recorrer da decisão no TSE.

A ferramenta comunidades foi lançada ontem (14/4) pelo WhatsApp em caráter experimental. Elas servirão como um depósito de grupos com milhares de usuários, bem superior ao limite atual de 256 membros.

Leia também:

WhatsApp vai criar comunidades com mais usuários, mas só depois das eleições de outubro

Compartilhe: