Rogério Cruz busca ‘agradar’ Educação com progressões e antecipação de salário

Postado em: 29-04-2022 às 09h56
Por: Felipe Cardoso
Ao todo, a prefeitura desembolsou um montante de quase R$ 13 milhões para honrar com os compromissos e sanar os restos a pagar | Foto: Reprodução

O prefeito Rogério Cruz (Republicanos) parece estar empenhado em reparar alguns erros. Na intenção de minimizar os atritos, em especial os acumulados nos últimos meses com os servidores da Educação, a prefeitura de Goiânia decidiu pela concessão de mais de 7.6 mil progressões salariais. Os servidores foram contemplados mediante critérios relacionados ao tempo de serviço e avaliações de desempenho.

Além das progressões anunciadas, a gestão municipal decidiu também antecipar o pagamento dos valores pendentes. Ontem, o funcionalismo recebeu, além do pagamento do mês, os valores retroativos que tinham direito. Ao todo, a prefeitura desembolsou um montante de quase R$ 13 milhões para honrar com os compromissos e sanar os restos a pagar.

Mais de 46 mil profissionais foram beneficiados com a antecipação do pagamento de abril. Os repasses se estendem aos ativos, aposentados e pensionistas. “Eles são os responsáveis pela eficiência da administração e merecem ser valorizados. Ao adiantarmos o pagamento, incrementamos a economia da capital”, destacou o prefeito ao comentar a medida. 

A investida pode ser interpretada como uma tentativa de estancar a sangria. Em um passado não muito distante, servidores da Educação, por exemplo, tomaram a Câmara de Goiânia e as dependências do Paço para reivindicar esses e outros direitos. A luta foi árdua e envolveu uma sequência de ações por parte do Paço que inflamaram ainda mais a categoria. 

Vale ressaltar o episódio ocorrido em 31 de março durante a inauguração de um CMEI na Capital com a presença do prefeito. Na ocasião, agentes da Guarda Civil Metropolitana  (GCM) prenderam dois manifestantes sob a justificativa de “garantir a segurança do prefeito”. Os vídeos tomaram as redes sociais rapidamente e alimentou ainda mais a indignação da categoria que clamava por seus direitos. 

O presidente do Simsed, Antônio Gonçalves Rocha, chegou a comentar o episódio e considerou que o prefeito “usou a guarda para impedir a justa manifestação”. Rocha chegou a declarar, inclusive, que mulheres foram agredidas. 

Passada a tormenta, Cruz sinalizou positivamente não apenas à categoria, mas a todo o funcionalismo. A injeção de recursos na última quinta superou a casa dos R$ 263 milhões. Mas ainda há muito o que ser feito para sanar as queixas dos trabalhadores. 

“A prefeitura pagou o salário hoje [ontem] sem o reajuste negociado. Nós até pedimos para que pudessem atrasar um pouco, talvez até segunda-feira, para garantir a inclusão neste pagamento do que é de direito, não aconteceu”, lamentou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintego), Bia de Lima. Na sequência ela explicou que o pagamento será feito no mês de maio, mas retroativo a abril. “O Sintego não abre mão do que foi negociado e exigimos o cumprimento à risca”. 

Lima também assegurou à categoria que além do retroativo, a próxima folha também virá com o acréscimo de R$ 300,00 de auxílio locomoção para os administrativos, além dos 9,32% da data-base, também retroativo. “No mês que vem ainda vamos trabalhar para garantir o projeto de lei sendo encaminhado para a Câmara para tratar da data-base de 2022. Ninguém vai abrir mão de nada”. 

Apesar do aparente esforço da gestão em agradar — leia-se reverter a situação — as cobranças é o que tem sobressaído. Em uma foto divulgada pelo prefeito nas redes sociais na tarde de ontem, por exemplo, os comentários refletem o sentimento ainda de indignação. “Pagar o reajuste dos funcionários da Educação necas?”, escreveu um internauta.

Outro disparou: “Lembre-se que a Educação pede socorro”. “Como fica o acordo com a educação que não foi cumprido, prefeito?”, questionou um terceiro. O prefeito tem dado sinais de que tem buscado acalmar os ânimos, mas ainda há muito chão pela frente. Especialmente se a intenção for apagar as marcas deixadas pela luta incisiva travada com os educadores.

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