Porquê Marconi Perillo é ‘candidatíssimo’ ao governo de Goiás

Postado em: 03-06-2022 às 07h20
Por: Felipe Cardoso
Alguns movimentos chamam atenção da política goiana que aposta na tentativa de Marconi em retornar ao governo | Foto: Mariana Capeletti

Nos bastidores da política goiana o comentário é homogêneo: Marconi Perillo (PSDB) é “candidatíssimo” ao governo. Apesar de dar claros indícios de que, de fato, deverá brigar para desbancar o governador Ronaldo Caiado (UB), o líder do tucanato segue escondendo o jogo. Ele só confirmará seu nome, seja na corrida pelo governo ou Senado, no início de julho — prazo máximo para definição —, porém, alguns movimentos chamam atenção da política goiana que aposta na tentativa de Marconi em retornar ao governo.

1 – No jogo

Ainda nas prévias do partido, especificamente durante a passagem do ex-senador Arthur Virgílio (PSDB/AM) pela Capital, Marconi fez um discurso caloroso para a militância. Na ocasião, o tucano afirmou sem titubear: “O PSDB terá candidato próprio”.

Quase nove meses se passaram e, agora, cada vez mais perto das eleições, Marconi mantém sua posição. Ao ser questionado sobre uma possível composição com o PT goiano disparou: “Isso não está sendo discutido por uma questão muito simples: o PT tem candidato à presidência da República e o PSDB também terá. O PT tem candidato ao Governo de Goiás e o PSDB também terá”.

2 – Esse cara sou eu

Dilacerado ao longo dos últimos anos, não restou ao partido nomes consistentes o suficiente para a corrida senão o de seu próprio líder. A verdade é que o PSDB ainda sofre com a sequência de baixas sofridas a partir de 2018. A conclusão, ante aos que restaram, é que não há outro player forte para bancar uma candidatura ao governo além de Marconi.

3 – Não dá 1 

Outro detalhe que tem enchido os olhos do ex-governador, diz respeito à oposição. Uma grande expectativa foi gerada acerca do nome do ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, na reta final de 2021. O cenário apontava para o nome de Gustavo como o grande adversário do governador. De lá para cá, as composições, no entanto, não foram as mais assertivas.

Enquanto de um lado o governadoriável patinava na escolha de seu ninho e formação de bases, do outro o governador asfixiava Mendanha aglutinando o máximo de siglas ao seu projeto de reeleição. Com isso, o crescimento de Mendanha foi aquém do esperado. O lançamento de Vitor Hugo (PL) como candidato do presidente Bolsonaro na corrida, só piorou a situação ao dividir a oposição e inibir ainda mais o tímido crescimento mendanhista.

4 – Sombra

O tucano também decidiu, assim como Caiado e Mendanha, investir rumo à Câmara Municipal. Na última quinta, Marconi esteve com os vereadores em uma conversa com claro tom de candidato ao Governo. O encontro vem na esteira da passagem do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota), pelo Legislativo. Mendanha esteve no Parlamento na última terça-feira (31/5). Antes, o governador também apostou na mesma investida. O gestor convidou, em 10 de maio, os vereadores de Goiânia para um almoço no Palácio das Esmeraldas. 

5 – Adição/subtração

Marconi, por si só, já demonstrou o quão importante são as pesquisas para sua tomada de decisão. A mais recente delas tem sido interpretada com bastante otimismo, inclusive. No último dia 26, a Real Time Big Data mostrou Caiado com 33% das intenções de votos. O governador é seguido justamente por Marconi, com 18%. Depois, vem Gustavo com 16%. Somados os dois últimos nomes, o resultado das intenções é maior do que o registrado por Caiado. Não é preciso muito para entender que caso não vença a eleição, a oposição tem potencial para, no mínimo, dar trabalho ao incomodar o governo. 

6 – Do velho ao novo

O líder tucano deve intensificar sua agenda no interior do estado nas próximas semanas. Diversos encontros regionais, encabeçados pelo prefeito de Sancrerlândia, Itamar Leão, dão conta de que Marconi pode mergulhar de cabeça. O tucano tem passado por regiões estratégicas do estado logo após Caiado — assim como fez na Câmara, e, diga-se de passagem, contra Iris Rezende em 1998 quando virou o jogo e terminou vitorioso. 

7 – Espumando

Há quem diga que o objetivo de Marconi não é ganhar a corrida pelo governo e sim impedir que Caiado o faça. Na interpretação de alguns nomes do alto escalão da política goiana, Marconi entrará no jogo pautado por uma única missão: prejudicar Caiado. Ainda que não ganhe, se o governador não levar, sairá satisfeito. (Especial para O Hoje)

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