PSD pressiona por vaga ao Senado com Caiado, que deve protelar por estratégia

Postado em: 04-06-2022 às 05h30
Por: Francisco Costa
No mês passado, o governador realizou uma reunião com presidentes de partidos da base; líderes do PSD e Republicanos não participaram | Foto: Reprodução

Nos bastidores, os rumores de que o Republicanos está de malas prontas para deixar a base do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) nesta eleição ganha força. Mais surpreendente, contudo, é a possibilidade do PSD tomar o mesmo rumo. 

No mês passado, o governador realizou uma reunião com presidentes de partidos da base. O mandatário do PSD, Vilmar Rocha, e o do Republicanos, João Campos, não estiveram presentes. Eles também não mandaram representantes, conforme relata uma fonte que esteve no encontro por outra sigla. 

O Republicanos estaria pronto para deixar a sigla e com negociações avançadas com o pré-candidato ao governo do Patriota, Gustavo Mendanha, que é ex-prefeito de Aparecida. João Campos não teria encontrado espaço na chapa de Caiado e Mendanha seria um acordo mais próximo da realidade. Apesar disso, o partido manteria na base caiadista o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, e outras figuras, como os pré-candidatos à Câmara Federal Jeferson Rodrigues e Rodney Miranda. 

O PSD, por sua vez, estaria pressionando por uma definição rápida. Lissauer é governista desde antes de se filiar ao partido. Vilmar Rocha, presidente da sigla, não. Por anos foi próximo ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB) – que pode ser adversário de Caiado neste pleito. 

Destaca-se, o partido não tem esse desejo, de fato, de deixar a base, segundo apurado. Porém, segundo interlocutores que conversaram com o Jornal O Hoje, a permanência da sigla estaria condicionada a ter o candidato ao Senado dentro da chapa majoritária. O nome da legenda é o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira.

Inclusive, a ausência na reunião seria um recado em relação a esta “condicional do partido”, que só ficaria na base se Lissauer tivesse esse espaço. O Hoje tentou contato com Vilmar Rocha para tratar sobre o tema, mas ele não atendeu às ligações.

Na base

Dentro da base, são pré-candidatos ao Senado, além do presidente da Alego, Lissauer Vieira: Delegado Waldir (PSL), Luiz Carlos do Carmo (PSC), Zacharias Calil (União Brasil) e Alexandre Baldy (PP). 

Existe a possibilidade de candidatura isolada, ou seja, sem ninguém ser escolhido por Caiado como oficial. Tanto Lissauer quanto Luiz do Carmo defendem um nome de consenso, por acreditar que a pulverização beneficia a oposição. 

Já Baldy não só prefere a possibilidade de cada partido ter seu próprio nome, como afirma se tratar de um acordo com o governador. O ex-ministro e presidente do Progressistas em Goiás já disse ao jornal: “Todos coligam com Governador, mas para o Senado são todos independentes.”

Assim, não haveria candidatura oficial dentro da chapa. “Eu considero o assunto fechado, com as candidaturas independentes. Apoiaremos a reeleição do governador Ronaldo Caiado e seremos candidatos independentes”, disse à época. 

Outras fontes disseram que esse acordo não deve prevalecer. Que, na verdade, Caiado protela ao máximo a decisão para dificultar que os demais pré-candidatos migrem para outras chapas por causa do tempo. De acordo com esta pessoa, seria “empurrar com a barriga”.

De dentro da sigla

Um membro do PSD confirmou. Ele disse ao O Hoje que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por candidaturas avulsas, apesar do parecer favorável, não é certa. Além disso, ela só sairia mais perto do momento do anúncio.

“A base está pressionando [por uma decisão], mas o governador tem fôlego para protelar.” Contudo, para esta pessoa, que não acredita na saída do partido da base, de fato seria menos traumático para Caiado ter a opção de candidaturas isoladas.

“Até por não ter essa decisão do TSE, Caiado não vai tomar nenhuma atitude sem saber as regras do jogo. Talvez a Justiça deixe para uma próxima eleição, pois há questão de fundo partidário, tempo de TV… Mas o alinhamento do PSD está afinado com Caiado e o Lissauer é mais cotado.”

Isolada ou avulsa?

Comumente, as candidaturas isoladas são chamadas de avulsas. O advogado eleitoral Danúbio Cardoso Remy revela que existe um equívoco e informa a diferença. Segundo ele, o termo candidatura avulsa “se dá pela desassociação de partidos políticos, ou seja, a existência de candidatos a cargos eletivos sem a necessidade de filiação a um partido”.  

Assim, ele afirma que o termo inexiste no mundo eleitoral. “As candidaturas avulsas, independentes, são proibidas no Brasil. Na prática, um indivíduo não pode se candidatar a qualquer cargo eletivo caso não esteja filiado a um partido político, pois a Constituição Federal resguarda o pluripartidarismo, bem como exige como condição de elegibilidade, dentre outras, a filiação ao partido político”, explica o jurista. 

Para ele, inclusive, o termo mais adequado seria a possibilidade do lançamento de “candidaturas duplas” ao Senado – ou múltiplas. “Nas eleições deste ano, cada Estado elegerá apenas um senador, que terá mandato até fevereiro de 2030. Por esse motivo, as alianças são feitas com base na necessidade de construir uma única candidatura para o Senado. Apesar disso, o ponto positivo da consulta é acerca da possibilidade de que a coligação para o governo não precise reproduzir a disputa do Senado. Isso é o que se deu o nome de ‘candidatura isolada’”, argumenta.

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