Lissauer avança entre lideranças e minimiza possibilidade candidaturas isoladas

Postado em: 06-06-2022 às 09h00
Por: Felipe Cardoso
Pressão do PSD e ampla adesão ao nome de Lissauer por lideranças políticas da Capital e do interior têm forçado o governador a tomar posição | Foto: Reprodução

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e pré-candidato ao Senado, Lissauer Vieira (PSD), tem tornado cada vez mais distante o sonho de alguns concorrentes por candidaturas avulsas na chapa governista. A vontade de alguns, é de que o governador Ronaldo Caiado (UB), candidato à reeleição nas eleições que se aproximam, não banque um nome específico ao Senado, de forma que todos enfrentem as urnas em uma disputa “de igual pra igual”. 

Mas esse não é o plano de Lissauer, nem de seu partido, o PSD. Por óbvio, o pré-candidato e lideranças da sigla almejam chegar à disputa com o apoio confesso do governador. E esse é, de fato, o caminho mais provável. 

Ciente dessa realidade e bom estrategista que é, o candidato do Republicanos, João Campos, dá sinais de que está de malas prontas. Conforme mostrado pela reportagem do O HOJE na semana passada, o governador realizou uma reunião recentemente com presidentes de partidos da base. Campos, que lidera a sigla em Goiás, não participou nem enviou representante.

Isso porquê o Republicanos, todos sabem, está pronto para deixar a base e com negociações  avançadas com o pré-candidato ao governo pelo Patriota, Gustavo Mendanha. João Campos até manteve viva, por um tempo, a esperança de compor com Caiado, mas por fim não encontrou espaço.

O caldo azedou para os demais pré-candidatos — leia-se: Delegado Waldir (PSL), Luiz Carlos do Carmo (PSC), Zacharias   Calil  (UB) e Alexandre Baldy (PP) —  com a chegada tardia de Lissauer Vieira à disputa. É um político querido pelo governador. Nos bastidores, a leitura é de que Lissauer não entraria na disputa se não tivesse a garantia de apoio intrínseco do governador. 

Em paralelo aos que defendem que Caiado tenha candidatos avulsos e se mantenha neutro na disputa ao Senado, o PSD pressiona pelo contrário. Mas não apenas o PSD tem demonstrado o interesse de que Lissauer seja, oficialmente, o candidato caiadista. Lideranças da Capital e do interior também sinalizam na mesma direção. Caiado, por sua vez, tem ficado cada vez mais encurralado. 

Como se não bastasse o apoio dos próprios deputados que entregaram ao governador, em abril, uma carta com 25 assinaturas em apoio a candidatura de Vieira — o documento conta com a canetada, inclusive, de deputados da oposição como Gustavo Sebba e Helio de Sousa, ambos do PSDB –, no final de maio foi a vez dos vereadores. 

O grupo esteve no Palácio Maguito Vilela onde entregou ao presidente do Parlamento um manifesto assinado por 23 nomes. No texto, os vereadores ressaltam que o deputado “é um nome que atende à maioria da Casa, com seu perfil conciliador, moderador, coerente, sempre aberto ao diálogo e com uma visão de Estado, qualidades fundamentais para um senador”.

No último final de semana, outra ação encabeçada por lideranças do entorno chamou a atenção do meio político. Lissauer foi recebido em Luziânia como pré-candidato da base governista. Lá, 18 dos 21 vereadores assinaram uma declaração de apoio a seu nome para o Senado. Além dos próprios vereadores, o prefeito do município, Diego Sorgatto, também participou do encontro. A cidade conta com o maior número de eleitores do Entorno de Brasília. São mais de 124 mil segundo a base de dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). 

A cereja do bolo é que Lissauer conta com o apoio do setor produtivo. No final de maio, o pré-candidato reuniu mais de 3 mil pessoas ligadas ao agronegócio em evento de apoio a sua pré-candidatura. Em paralelo, o governador enfrenta dificuldade de reaproximação com o segmento. Isso torna Lissauer uma peça ainda mais interessante — para não dizer indispensável — ao projeto de reeleição caiadista.

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