”As pessoas sinalizaram o desejo de me ver candidato”, relata Mendanha

Postado em: 22-06-2022 às 08h39
Por: Felipe Cardoso
Em entrevista exclusiva ao O Hoje, pré-candidato falou sobre possíveis alianças com partidos da base governista | Foto: O Hoje News

Pré-candidato ao governo de Goiás, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (Patriota) conversou com os jornalistas do Jornal O Hoje sobre o pleito de 2022, mas também sobre o futuro. Ele comentou sobre pesquisas eleitorais, governador Ronaldo Caiado (União Brasil), Marconi Perillo (PSDB), desejos de alianças, segundo turno e mais. Confira a seguir.

 Jornal O Hoje: O senhor deixou a prefeitura, mostra que o senhor não tem apego ao poder, o senhor está na política para servir… Pelo menos é o sinal que o senhor deu a entender para a sociedade. Ao sinalizar isso, o senhor tem encaminhado pelo estado, cumprindo uma agenda política muito intensa, mas como o senhor avalia a gestão do Ronaldo Caiado atualmente com as andanças que o senhor tem feito por aí como um todo?

Mendanha: Bom, acho que é uma gestão que mostrou para o que veio. A gente precisa reconhecer e respeitar o legado do Caiado como parlamentar. Pode-se fazer críticas pontuais, mas na somatória é muito positivo o trabalho dele como deputado federal e senador da República. Foi por isso que as pessoas, a maioria absoluta dos goianos, votaram nele. Vou confessar, eu não votei nele, mas quando eu vi o Ronaldo eleito a governador a gente já imaginava que ele faria um governo dando um novo norte para o estado de Goiás. Então, a verdade é que ele não correspondeu com as expectativas do eleitorado goiano. Faço umas críticas pontuais sempre em relação ao trabalho administrativo, mas mostro também os caminhos que são possíveis.

Porém, digo que é um governo que não mostrou para o que veio. As pessoas se sentem desiludidas e desanimadas. Na saúde pública, as pessoas choram por não ter acesso, na infraestrutura governo é algo que não avançou em nenhum ponto. Precisamos mudar essa história. A saúde é uma questão higienizadora que ele tanto pregou, conseguiu finalizar umas estruturas que estavam praticamente prontas, mas não conseguiu avançar no serviço e precisamos avançar, seja com equipamentos que necessitam ser construídos, seja com parceria privada que é algo em que eu acredito muito. Então contratar serviços de saúde e novos equipamentos que estejam funcionando em todo território goiano para que possam prestar um bom serviço. A infraestrutura é um serviço que eu faço. Como governador, nós vamos avançar muito. Pequenos trechos e duplicação de rodovias importantes que precisam ser construídos e reformados, as quais se formos falar ficaríamos aqui por um bom tempo… 

Jornal O Hoje: O que fez o senhor tomar essa decisão de disputar o governo sem passar antes pelos cargos de deputado federal, estadual, ou seja, ampliar esse leque de experiência? 

Mendanha: Primeiro, eu passei por duas esferas. O legislativo municipal me deu uma bagagem extraordinária, fui vereador e presidente da Câmara de Aparecida. Eu diria que todo político deveria passar pelo parlamento municipal e não por uma Assembleia Legislativa. O parlamento municipal é muito mais rico (de informações), o vereador tem mais poder do que um deputado estadual e de fato um governador vai ter várias dificuldades se não tiver parceria com esses órgãos. Mas eu sou uma pessoa que sendo eleito vou buscar ser parceiro dos deputados, pois sei o quão importante isso é. Entretanto, um prefeito não administra sem o parlamento municipal. Passei pela prefeitura, que é uma estrutura pesada. É claro que é bem menor do que Goiás, mas representa 8% da população goiana. A prefeitura foi como uma faculdade.

Passada as eleições, muitas pessoas sugeriram para que eu me candidatasse a governador e isso gerou uma dúvida no meu coração. Pensei: ‘poxa, mas eu não acabei de ser reeleito?’ Na verdade, naquele momento, os eleitores não tinham opções. Você tinha o Maguito, que tinha perdido sua vida, e Marconi em uma situação delicada – eu diria que ele recuperou muito. 

Mas a gente vê isso através de pesquisas, através das pessoas de Aparecida que demonstraram esse desejo para eu dar esse passo e o povo goiano. Eu consegui ter a tranquilidade de analisar, conversar com empresários, servidores públicos, classe política. Fiz pesquisas e, para a minha surpresa, mesmo sendo desconhecido por uma parte da população goiana, uma boa parte no primeiro momento, quase 20%, tinha intenção de voto. Isso quer dizer que as pessoas sinalizavam o desejo de me ver candidato a governador. E, bom, deixar o conforto de um mandato de quase três anos não foi algo simples. Foi algo que eu avaliei muito. Mas tive muita tranquilidade. Não dependo de poder público, então tive condição.

Jornal O Hoje: Visto que as pesquisas indicam uma boa somatória entre você e Marconi, existe uma possibilidade de parceria? 

Mendanha: Acho que está claro o desejo do ex-governador de ser candidato e eu respeito muito. Mas eu nunca ajudei, nunca votei e eu fui filiado a vida inteira ao MDB. O ex-governador teve um certo respeito com o Maguito e quando eu entrei foi a mesma coisa, então tivemos um diálogo em certo momento. Claro, pela questão do campo em que estou atuando, a questão partidária, meu partido tem suas defesas, eu tenho que respeitar isso. E também acho que, para esse processo, mais de uma candidatura forte seria interessante. Existia esse grande temor lá no início do processo. Hoje vou confessar: pelas pesquisas nós podemos ter sim um segundo turno e se não tivermos, não vai ser vitória do Caiado. Não tenho dúvida disso. 

O que a gente sente hoje e o que as pesquisas mostram é que o atual governador teve uma queda, não diria livre, mas gradual, e o índice de rejeição aumentando constantemente, então hoje está bem pacífico isso. Entendo que o diálogo é sempre importante, então independente da nossa área de atuação, o meu desejo, do Marconi, do Vitor Hugo é que esse modelo de governança não perpetue e continue. Mas eu sou candidato que tem uma pré-candidatura posta, que tem o deputado federal João Campos como senador da República. 

Jornal O Hoje: Na possibilidade de um segundo turno, se for você,já conversou com oMarconi,Vitor Hugo?Existe alguma combinação e conversa?

 Mendanha: Não. Não existe nenhuma combinação e conversa. Não tenho dúvida que o eleitor goiano que não escolher o Ronaldo no primeiro turno terá a tendência de não votar nele no segundo turno. Porque conhecem, viram a forma de trabalhar. De alguma forma, as pessoas rejeitam esse modelo. Há uma tendência do eleitor de qualquer uma das forças que vá para o segundo turno de não votar no Caiado e sim contra ele.

Jornal O Hoje: O senhor tem os olhos voltados para o PSD, sabendo de certa instabilidade que o partido enfrenta na base do Caiado. É possível tentar fisgá-lo como fisgou os republicanos e se sim, existe alguma possibilidade do João Campos abrir mão da vaga ao senado para compor uma vice, o que não foi decidido ainda, para abrigar, por exemplo, Lissauer? 

Mendanha: Eu não tenho diálogos [nesse sentido] com o João [Campos]. Se você me perguntar se eu tenho interesse do PSD, PP, PL, tenho muito interesse. Agora, primeiro eles precisam esgotar esse diálogo com o governo. Não acredito que o governo tenha as condições para esses candidatos, mas o segundo momento é de conversar. Acho difícil o João abrir mão e ele veio a ser meu candidato a senador. 

Agora a gente tem que estar aberto ao diálogo e eu nunca escondi a relação de respeito, admiração e amizade pelo presidente Lissauer [Vieira, précandidato ao Senado pelo PSD]. É uma figura que trouxe muita estabilidade para o governo Caiado e ele não foi reconhecido e nem será reconhecido. Eu não tenho dúvidas que ele não terá o espaço que ele espera ter. Se ele quiser, estou aberto ao diálogo sim. 

Jornal O Hoje: Você descarta a possibilidade de compor com o Vitor Hugo? 

Mendanha: Não. Estou totalmente aberto. 

Jornal O Hoje: Mas qual dos dois o senhor teria como vice, caso o João Campos se mantenha em relação ao Senado? 

Mendanha: De fato, qualquer um dos dois somaria muito. Não só do ponto de vista político. Diferente do Caiado que fez praticamente, o trabalho sozinho, quero fazer um trabalho a quatro mãos. O meu vice não vai ser figura decorativa. Ele vai chegar para ajudar a cuidar do Estado, proteger as pessoas, e eu espero que o vice tenha essas qualidades para permanecer ao meu lado e governar junto comigo. 

Jornal O Hoje: Como o senhor pretende chegar nas regiões mais distantes onde a mídia não tem tanto eco?

 Mendanha: Cada região tem estratégia diferente. Segunda, terça e quarta estou aqui em Goiânia ou região metropolitana. Hoje [segunda] vou a Goianésia, mas na quinta-feira eu vou ao extremo. tento em síntese visitar as Câmaras Municipais, associações comerciais, igrejas católicas e evangélicas, trabalhos sociais…

Jornal O Hoje: Mas o que acha que te levou aos crescimentos mostrados pelas pesquisas? 

Mendanha: Eu acho que essas pessoas aqui, dessa região [metropolitana], tem um conhecimento pleno do meu trabalho, tem carinho. Aliás, a população de Goiânia, ela tem pedido que eu seja o prefeito de Goiânia. Então eu saio na rua e as vezes eles dizem: ‘Não, você tem que ser prefeito’. Eu falo: ‘Não, não posso’. Estou falando de Goiânia, já que estamos aqui, mas eu poderia falar de trindade, poderia falar da Grande Goiânia. A gente tem uma abrangência de uns 50km aí. E por quê? Porque na pandemia muitas pessoas testaram em Aparecida. 

Então assim, as pessoas entraram para dentro de Aparecida e se encantaram pelo que viram.. Quem foi a Aparecida há 20 anos e vai hoje é uma outra cidade. Então, essa realidade chocou muitas pessoas. Então, é o nosso trabalho no enfrentamento da pandemia, não é modéstia dizer. E foi feito a quatro mãos. Nós tivemos um Ministério Público atuante, a OAB, a Câmara Municipal de Aparecida, os vereadores, os empresários que se uniram nesse processo. Eu acho que a forma como nós enfrentamos essa pandemia deu um ‘gate’ aqui na região muito bom. 

Jornal O Hoje: Mas você que estava no comando de tudo isso…

 Mendanha: Assim, eu quero dizer que muita coisa eu que sugeri. Os projetos israelenses, vocês sabem a relação que eu tenho com Israel e bom… Quando a Covid chegou em Goiás, eu estava no leito de UtI, porque eu tinha tido uma trombose cerebral. 

E o embaixador na época, meu amigo [Yossi Shelley], uma pessoa que tem muito conhecimento, no ajudou. tudo que nós fizemos de tecnologia ele que nos ajudou, dialogando com ele por meio das minhas visitas.

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