”Cuidar direito do dinheiro de Senador Canedo é uma missão” , diz Fernando Pellozo

Postado em: 24-06-2022 às 08h42
Por: Felipe Cardoso
Prefeito de Senador Canedo comentou, em entrevista exclusiva ao O HOJE, situação fiscal do município e ações de infraestrutura | Foto: O Hoje

O prefeito de Senador Canedo, Fenando Pellozo (PSD), visitou O HOJE na manhã da última quinta-feira (23/6). Em entrevista aos jornalistas Felipe Cardoso e Wilson Silvestre, Pellozo comentou os desafios enfrentados no início da gestão e os resultados entregues à sociedade depois de 1 ano e 5 meses à frente da administração municipal. 

O político foi questionado sobre a condução de obras importantes para cidade e destacou, dentre os principais desafios, o saneamento básico. Ele também comentou a construção da nova sede do Poder Executivo, iniciada há 12 anos e ainda não concluída.

Pellozo também defendeu sua posição político/partidária. Durante a sabatina, esclareceu que é amigo e apoiador de Vanderlan Cardoso (PSD), ex-prefeito do município e atual senador por Goiás. Porém, desconsiderou qualquer possibilidade de apoiar outro candidato senão Caiado caso Vanderlan não esteja na disputa pelo governo goiano. Confira abaixo o bate-papo completo: 

O Hoje: Nos conte um pouco da sua trajetória. Afinal, quem é o Fernando Pellozo?

Pellozo: Nasci em Goiânia e sou formado em fisioterapia. Moro em Senador Canedo, em 1994 casei com a Simone (esposa do prefeito). Fiquei na administração em redes de saúde e isso me levou a querer entrar na carreira política. As pessoas viram a minha vontade de melhorar a saúde e isso fez com que tivéssemos uma grande campanha em 2020.

O Hoje: Os problemas enfrentados durante o início da gestão como prefeito de Senador Canedo, como por exemplo o impasse com a Câmara Municipal, foram resolvidos? Se sim, como o senhor solucionou esse problema e passou a atender os anseios dos vereadores?  

Pellozo: Sim, graças a Deus esse problema não existe mais. Eu atribuo esse problema no começo da gestão em relação a Câmara na minha inexperiência no excesso de vontade de fazer a gestão. Hoje, admito, faltou um diálogo com Câmara e descobri que não há melhor parceria do que com eles. Com o apoio da Câmara a cidade anda muito mais rápido. Eu sou uma pessoa pragmática, se é necessário caminhar junto, então a gente vai caminhar junto. Hoje eu compartilho a gestão com Câmara, no bom sentido e cada um em seu devido papel. Eles ajudam na velocidade de progresso da cidade. Ficar debatendo, discutindo ideologicamente e politicamente, não tem resultado prático na gestão. Eu já tinha feito um plano como prefeito e quando a gente faz, não fazemos junto com a Câmara, e eu havia pensado em aplicá-lo sozinho. Por isso, a cobrança dos vereadores em participar. Hoje estamos trabalhando já com essa parceria. Assim, tenho visto que consigo alcançar os objetivos com a cidade muito mais rápido. 

O Hoje: Quando você assumiu a Prefeitura de Senador Canedo, qual foi o seu principal desafio? Esse desafio foi superado ou não?

Pellozo: Foi superado. Fomos conscientes. Pegamos uma cidade, junto com uma equipe de secretários e agora com o apoio dos vereadores, muito ciente do quadro que estávamos lidando. Não tinha como ser mais caótico. A cidade estava endividada, a saúde em péssimas condições, isso em plena pandemia. Sem muito alarde, graças a nossa equipe competente e madura, fomos avançando passo a passo, encarado de frente as críticas e reclamações, resolvendo. Um exemplo disso é a questão da água. Em nove meses, com o apoio do Ministério Público e dos empreendedores, conseguimos ampliar a captação, energizar o sistema, trocar todas as bombas, investir em tecnologia, sempre cuidando bem dos servidores, enfim, conseguimos aplicar esses recursos de forma séria e competente. A cidade simplesmente não tem esgoto. Temos 2% do esgoto tratado. A cidade, em pleno 2022, ainda usa fossa. E por isso não temos prédios na cidade, por exemplo. Isso acaba prejudicando o nosso crescimento. Porém, até o final da gestão, trataremos 70% do esgoto e cuidaremos do meio ambiente também. 

O Hoje: Dentro do seu plano de governo, o que o senhor considera como mais importante a ser resolvido?

Pellozo: A profissionalização da gestão e informatização do sistema. A população ainda passa por muitos problemas quando procura por um serviço público. Então estamos tentando procurar uma forma da Prefeitura entrar se modernizar para planejar, por exemplo, uma consulta ou retirar um alvará, tudo por um aplicativo. Colocar a Prefeitura para funcionar nesses grandes moldes é um grande desafio pela própria estrutura pública. A área da saúde também passa por essa lógica, de agilizar a vida do paciente pois tudo aponta, em termos de serviço público, para que as pessoas não possam obter essa velocidade. Porém, iremos quebrar essa barreira, não deixando de fora a Educação. 

O Hoje: O senhor acha que é possível entregar o novo Paço abrigando pelo menos 80% da máquina burocrática da prefeitura de Senador Canedo? 

Pellozo: Sim, a proposta do Paço é exatamente essa. Não é somente um prédio novo, é uma proposta nova do serviço público que irá agregar grande parte das secretarias. Não todas, claro, mas ao menos o núcleo administrativo. Tudo de forma inteligente. Ali teremos um prédio pensado aos moldes das grandes corporações. A parte da tecnologia será bem desenvolvida. O propósito é atender a população e os servidores públicos. Todos processos serão 100% digitais, não só porque também é ecologicamente correto, mas para melhorar os processos para os servidores terem um local de trabalho adequado. A população com esses processos não deverão se render à burocracia. Os serviços irão ser disponibilizados fisicamente e digitalmente. 

O Hoje: Qual a situação fiscal da prefeitura hoje e qual a diferença entre a prefeitura que o senhor assumiu à época? 

Pellozo: Nesse aspecto Senador Canedo foi e continua sendo diferenciada em relação aos outros municípios. Esse é o grande diferencial. Estamos investindo na forma e na velocidade de como esse recurso é feito na própria cidade, mostrando mais transparência. Pagamos dívidas com valores que beiram a casa dos R$ 80 milhões e ainda continuam aparecendo dívidas do passado para a gente. Honramos essas dívidas porque são da Prefeitura e quando são comprovadas que são em benefício da cidade, são sanadas. Temos administrado e feito o que é preciso para saldar as dívidas, além de realizar investimentos em diversas áreas. Cuidar direito do dinheiro de Senador Canedo é uma missão. 

O Hoje: Qual tamanho você quer alcançar politicamente? 

Pellozo: O tamanho que o povo achar que eu mereço. Meu sonho é compartilhado. Virei prefeito pois a população quis assim e coloquei meu nome à disposição. Queria melhorar as condições da minha cidade, ser aquele que faz. Isso é um grande desafio na vida. O tamanho que eu crescer vai depender do quanto eu fizer e do reconhecimento da população. Eu não tenho essa ambição de: “Eu quero ser o prefeito, o melhor prefeito que essa cidade já viu! ”. Se a gente trabalhar e entregar as demandas da população, isso trará retorno e crescimento. 

O Hoje: Quanto ao posicionamento político partidário, o senhor tende a, de fato, caminhar com Ronaldo Caiado nesse projeto de reeleição ao governo ou pode acompanhar a posição do Vanderlan Cardoso e apoiar o deputado Vitor Hugo? 

Pellozo: Eu entrei na política a convite do Vanderlan Cardoso. Sempre o admirei e continuo admirando. Tenho lealdade. Na condição de prefeito, sou grato ao Vanderlan. Ele é uma pessoa, o Caiado é outra e o Vitor Hugo é outra. Caso o Vanderlan saia candidato, é automático meu apoio a ele. Não sendo, é automático meu apoio ao Caiado. Ele tem ajudado muito a cidade e as candidaturas postas. Lógico, o Vanderlan tem todo o direito e prerrogativa de me indicar um candidato, mas não sendo ele, eu tenho minha opinião e visão definidas. O Vanderlan respeita isso. O Vanderlan nunca conversou comigo sobre o Vitor Hugo. Ele respeita muito nossa posição. Minha opinião está vinculada ao que é melhor para Senador Canedo. 

O Hoje: Até que ponto o presidente do partido do PSD, Vilmar Rocha, teria interferência no seu posicionamento? 

Pellozo: Todo convencimento tem que ter como base um objetivo. Estou vendo que o Caiado pode terminar apoiando o candidato do PSD e já foi deixado claro, o PSD está ao lado do Caiado, pelas condições do Lissauer. Mesmo que não haja um entendimento entre os dois lados, tenho meu posicionamento de apoiar o Caiado, o Lissauer, de ficar ali sempre conversando com o Vanderlan que é uma referência para a gente. Sou muito partidário e vou junto até o momento em que houver coerência. É um diálogo entre nós, nesse cenário hipotético, acredito nessa composição em ser melhor para o estado de Goiás. Eu estou me preparando nesse sentido, pois acredito que seja melhor também para Senador Canedo. 

O Hoje: Como o senhor avalia o desempenho da gestão do prefeito Rogério Cruz? Qual a sua leitura do cenário político goianiense?

Pellozo: Em comparação a minha gestão com Senador Canedo é diferente. O Rogério já havia tido alguma experiência e eu não. Então, são desafios, os resultados das escolhas que ele esperava, diferentes. A situação dele não é tão fácil quanto a minha. São cenários diferentes. A experiência que ele está passando difere da minha. Em ressalva a essa situação, eu vejo as dificuldades que ele passa. Tenho uma leitura de que ele tem dado o seu melhor. Os resultados às vezes não condizem com o desempenho dele, porém, ele tem feito o que pode ser feito no momento. O contexto geral não beneficia Goiânia, como tem beneficiado Senador Canedo nas escolhas e nos números que a gente tem dado para a cidade. Guardo as comparações diante dessas situações.

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