Milton Ribeiro e pastor do MEC tinham telefones secretos, diz PF

Postado em: 24-06-2022 às 08h48
Por: Francisco Costa
Polícia descobriu os aparelhos quando fez a primeira interceptação telefônica autorizada pela Justiça (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

O ex-ministro do Ministério da Educação (MEC), Milton Ribeiro, o pastor Arilton Moura e o ex-gerente de projetos da Secretaria Executiva do MEC, Luciano de Freitas Musse, tinham telefones secretos, segundo relatório da Polícia Federal (PF) ao Ministério Público Federal. O portal Metrópoles teve acesso ao documento.

“Foi descoberto que os alvos Milton, Arilton, e Luciano possuem números de telefones celulares que até então eram desconhecidos e que devem constar de eventual nova decisão de interceptação”, diz o relatório.

A PF descobriu os aparelhos quando fez a primeira interceptação telefônica autorizada pela Justiça. Depois disso, pediu a prorrogação, além de autorização para interceptar outros celulares.

Vale citar, a Operação Acesso Pago, deflagrada na quarta-feira (22), investigou a prática de “tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos”. Ela teve como base relatório e depoimentos da Controladoria-Geral da União.

A ação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão. Os municípios alvos foram: Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal. Na ocasião, Milton Ribeiro, os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, e outros foram presos. Na quinta-feira (23), eles foram soltos.

Relembre

Em março, a Folha de S.Paulo revelou um áudio que mostrava um suposto gabinete paralelo no Ministério da Educação, no qual Ribeiro dizia atender uma solicitação de Bolsonaro para priorizar a liberação de verbas a prefeitos que negociavam com Gilmar Santos e com o também pastor Arilton Moura – não foi informado se ele foi detido.

“Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar […] porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender todos os que são amigos do pastor Gilmar”, dizia trecho da conversa.

Em um dos casos, os pastores teriam pedido 1 kg de ouro para liberação de verba no MEC. Prefeitos também relataram outras demandas de propina.

Posicionamentos de Milton Ribeiro e Santos

Vale lembrar, logo após o vazamento dos áudios, Milton Ribeiro pediu demissão e negou envolvimento de Bolsonaro. Além disso, afirmou que as solicitações à pasta iam para avaliação técnica.

Os pastores negaram qualquer irregularidade. Gilmar disse: “Afirmo categoricamente à sociedade brasileira que nunca houve de minha parte interferência nas relações institucionais do MEC, para com os entes municipais, seja diretamente, com seus representantes legais, ou indiretamente, por delegatários de qualquer ordem. Assim, também, é repugnante a Fake News de que sou lobista, e, com isso, atuaria no afã de receber verba pública conforme noticiado em diversos veículos de comunicação.”

Vale citar, Gilmar é presidente, em Goiânia, da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos. O Jornal O Hoje tentou novo contato com o religioso, por meio do perfil oficial dele no Instagram (que poderia ser administrado por terceiros), mas não teve retorno.

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