Na contramão de Mendanha, Vítor Hugo dificulta composição

Deputado federal diz que não seria vice de “esquerdista”, “Doria do cerrado”, ao se referir ao ex-prefeito de Aparecida de Goiânia

Postado em: 27-06-2022 às 08h54
Por: Francisco Costa
Deputado federal diz que não seria vice de “esquerdista”, “Doria do cerrado”, ao se referir ao ex-prefeito de Aparecida de Goiânia | Foto: Reprodução

Enquanto o pré-candidato ao governo de Goiás, Gustavo Mendanha (Patriota) chega com um discurso pacificador, de portas abertas aos nomes da direita e centro-direita que fazem oposição ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil), o postulante ao Palácio das Esmeraldas pelo PL, major Vítor Hugo, dificulta a composição ao atacar o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia.

Na semana passada, em um vídeo no Twitter que rebatia informações falsas, o deputado federal Bolsonarista comentou uma mensagem distribuída no WhatsApp em que um usuário afirmava que “Vítor Hugo desistiu de se candidatar a governador por Goiás para ser vice do Gustavo Mendanha”. A reação do pré-candidato foi contundente. 

“Não serei vice-governador de um esquerdista, do ‘Doria do cerrado’”, disse em trecho da gravação divulgada na rede social. 

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Gravação

“Ele [o internauta] espalha fake news de que teria desistido da minha pré-candidatura ao governo de Goiás e teria composto com outro pré-candidato”, diz em vídeo que mostra a mensagem citando Mendanha. “Eu já disse diversas vezes que nossa pré-candidatura é sólida, é firme e nós não iremos retrair. Não iremos desistir.”

Ainda segundo o deputado, ele irá processar o difusor da mensagem pela atitude “criminosa de espalhar fake news sobre o processo eleitoral em Goiás com a intenção clara de desgastar a minha imagem. Porque ser vice-governador de um esquerdista, do ‘Doria do cerrado’ como essa figura escrita aí, eu jamais serei”.

Composição

Na última semana, ao Jornal O Hoje, Vítor Hugo disse que não tem expectativa de compor na formação de sua chapa. No entanto, segundo o parlamentar, ele está disposto a mudar de ideia caso aconteça “de maneira natural”. 

“Temos conversado com vários partidos que podem vir a contribuir com vice e suplência, que podem formar uma coligação mais para frente. Não é um objetivo nosso barganhar ou vender o futuro de Goiás, das crianças e dos jovens, comprometendo as secretarias com apoios políticos. Eu quero montar um governo técnico, dos melhores, onde as entidades representativas vão nos ajudar a escolher os melhores secretários”, afirmou.

Com a publicação no Twitter, estaria claro que Mendanha não seria uma possibilidade de composição “natural”. As acusações de Vítor Hugo tem relação com as alianças que o ex-prefeito de Aparecida fez durante sua gestão.

Em 2020, a coligação de Mendanha teve 19 siglas. Entre elas, PSB, PV, PCdoB, PDT e PT. Há quem diga que, por causa desses discursos (que são recorrentes), mesmo com Vítor Hugo não poupando críticas a Caiado – a quem ele acusa de traição a Bolsonaro –, uma composição entre o bolsonarista e o governador no segundo turno seria mais fácil. 

Mendanha pacificador

Em entrevista recente ao Jornal O Hoje, Mendanha, por sua vez, disse que não existe combinação entre os pré-candidatos que fazem oposição a Ronaldo Caiado. Contudo, citou que está “totalmente aberto” a uma composição com Vítor Hugo. Ele disse, inclusive, que tanto ele quanto o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSD) – que busca espaço na base caiadista para ser o nome de consenso ao Senado –, somariam muito. 

“O que a gente sente hoje, e o que as pesquisas mostram, é o atual governador em queda. Não diria livre, mas gradual, e o índice de rejeição aumentando constantemente. Então, hoje está bem pacífico isso. Entendo que o diálogo é sempre importante, então, independente da nossa área de atuação, o meu desejo, do Marconi, do Vitor Hugo, é que esse modelo de governança não perpetue e continue”, considerou.

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