Cristãos não seguem escolha unânime na hora de dar o voto

Uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que cerca de 20% dos eleitores com alguma religião afirmam que recebem instruções de voto

Postado em: 01-07-2022 às 08h20
Por: Thauany Melo
Uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que cerca de 20% dos eleitores com alguma religião afirmam que recebem instruções de voto | Foto: Reprodução

Uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que cerca de 20% dos eleitores com alguma religião que frequentam locais de culto afirmam que recebem instruções de voto. Em geral, as recomendações são para escolha de candidatos religiosos e orientações sobre como agir em relação à política. Do total de entrevistados, 51% se declararam católicos, enquanto 26% disseram ser evangélicos. 

De acordo com o levantamento, os conselhos para os eleitores são mais comuns entre evangélicos que católicos. No entanto, a maioria dos entrevistados, próximo a 80% em ambas as religiões, declaram que não há tentativa de interferência política. 

Dos 20% que dizem receber orientações em igrejas sobre a eleição, 6% declaram segui-las integralmente, dos quais 9% entre evangélicos e 6% entre católicos. Já 8% afirmam obedecer em parte, sendo 12% entre evangélicos e 6% entre católicos. Outros 6% dizem ignorar as orientações, com essa opinião 7% são evangélicos e 6% católicos.

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Eleitores com menos escolaridade confirmam as orientações vindas de igrejas no campo político. 26%, em comparação com a média geral. Entre eles, 11% afirmam seguir completamente as instruções, 8% parcialmente e 7% não seguem. Entre eleitores de maior escolaridade, o número de entrevistados que dizem receber instruções no campo político cai dentro dos templos cai para 15%. Destes, 2% dizem seguir completamente, 5% parcialmente e 7% não seguir.

Quando observada a renda, é mais comum (23%) que fiéis de famílias que ganham até dois salários mínimos frequentem mais templos em que líderes religiosos tentem orientar politicamente os fiéis. Os que dizem seguir plenamente são 8%, parcialmente 8% e não seguem 7%.

Entrevistados com renda acima de dez salários são os que menos declaram influência nesse âmbito: 10% dizem ouvir direcionamentos sobre o voto. Deles, 4% dizem seguir completamente, 4% parcialmente e 2% não seguem.

O Datafolha ouviu 2.556 pessoas com mais de 16 anos em 181 cidades do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Católicos e evangélicos

Para o cientista político Lehninger Mota, os cristão não apresentam unidade no voto. Apesar de muitos optarem pelo conservadorismo, há uma parcela considerável que escolhe candidatos mais progressistas. “Quando falamos em cristãos estamos nos referindo a mais de 85% da população brasileira, logo podemos notar que não há, politicamente falando, uma unidade na decisão do voto nesse segmento”, explicou. 

“Por outro lado, devemos reconhecer que existe uma pauta conservadora que consegue abarcar boa parte dos votos dos evangélicos e é com essa pauta que líderes religiosos neopentecostais principalmente, conseguem uma ampla adesão dos fiéis aos candidatos que se propagam como defensor da família, moral, contra o casamento homoafetivo, contra o aborto, ideologia de gênero e daí por diante”, completou.

O especialista apontou que a maioria dos evangélicos tendem a apoiar o atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Em contrapartida, os católicos são mais propensos a optar pelo ex-presidente Lula (PT) “A maioria dos evangélicos apoiam o atual presidente Bolsonaro por enxergar nele um defensor das pautas conservadoras. Já os católicos não se rendem a esse discurso e declaram que sua intenção de voto é no ex-presidente Lula. Então, claramente, podemos afirmar que existe uma parcela dos cristãos que votam baseados no conservadorismo, mas isso está muito longe de ser unanimidade”, pontuou.

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