A política goiana sob a ótica do segundo turno

Em Goiás, assim como na disputa presidencial, o segundo turno é visto como certo

Postado em: 07-07-2022 às 08h18
Por: Felipe Cardoso
Em Goiás, assim como na disputa presidencial, o segundo turno é visto como certo | Foto: Divulgação Secom Goiás

A eleição que se aproxima é pauta recorrente nas conversas entre jornalistas e políticos goianos. Nos diversos telefonemas e encontros comenta-se, claro, sobre um provável segundo turno. Em Goiás, assim como a nível Brasil, isso é visto como certo. Sendo assim, diversos são os rumores a respeito das estratégias que serão adotadas pelos candidatos que buscarão a cadeira do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, sede do Poder Executivo, ocupada atualmente pelo governador e pré-candidato à reeleição pelo União Brasil, Ronaldo Caiado. 

Uma eventual estratégia, porém, tem chamado mais atenção: as movimentações no sentido de inibir o crescimento de uns por meio de outros. Em resumo, a reportagem ouviu de algumas figuras do alto escalão da política goiana que o comando do Palácio tem adotado estratégias internas para evitar, especialmente, uma eventual presença do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) no segundo turno.

Vale lembrar que Perillo sequer definiu se buscará o Governo. Há quem acredite que o líder do tucanato goiano se lance, aos 45 do segundo tempo, rumo ao Senado — onde o cenário é mais confortável. Mas voltando ao campo das movimentações, neste caso, a estratégia consiste em deixar parte da oposição “nadar de braçada”. Ou seja, o governador estaria ‘permitindo’ que Gustavo Mendanha (Patriota) — segundo colocado nas principais e mais recentes pesquisas de intenção de voto — e Vitor Hugo (PL) — financiado politicamente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL)  — fiquem à vontade em relação às críticas. A ideia é simplesmente não rebatê-las.

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A leitura é que uma investida mais contundente do governador contra esses adversários poderia diminuí-los na disputa, provocando um crescimento involuntário e automático do nome de Perillo em meio ao eleitorado. Se Caiado age, de fato, pautado por esse objetivo, não há como afirmar. Interlocutores próximos atestam, em off, que esta é a estratégia. Do ponto de vista factível, o que se constata, de fato, é uma certa inércia do governador em relação aos ‘ataques’ de Mendanha e Vitor Hugo. 

Consultado pelo jornal O Hoje, o cientista político Lehninger Mota considerou, porém, que esta pode não ser o caminho mais assertivo. “Analisando as pesquisas já divulgadas a estratégia do governador Ronaldo Caiado mais plausível é rivalizar diretamente com o Marconi, já que o ex-governador tem a maior rejeição entre todos os pré-candidatos”, explicou. 

Na interpretação do especialista, é pouco provável que a eleição para governador em Goiás seja resolvida já no primeiro turno, “então Caiado tem o privilégio de responder quem ele quer enfrentar em um provável segundo turno”. “Claro que as próximas pesquisas vão mensurar se essa estratégia está sendo eficiente de modo a entender se os outros candidatos, Mendanha e Major Vitor Hugo, estão crescendo ou não”, pontuou. 

Números 

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) lidera a última pesquisa do Instituto Fox Mappin, encomendada pelo Jornal O Hoje, com 31,26% das intenções de voto. O levantamento ocorreu entre 28 e 31 de maio com 870 entrevistados. Trata-se de uma pesquisa estimulada, quando os nomes dos possíveis candidatos são informados aos eleitores.

Este levantamento ocorreu por meio de entrevistas pessoais, telefônicas, além de formulário digital enviado a grupos segmentados. O nível de confiança é de 95% para uma margem estimada de erro desejado de 3,32% para os resultados.

Ainda de acordo com a pesquisa, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota), aparece em segundo lugar (empate técnico com Caiado) com 29,43%. Ele é seguido pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB), 10,23%. 

Depois deles vêm o ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wolmir Amado (PT), 4,25%; e o deputado federal major Vitor Hugo (PL), 2,76%. Os demais nomes apresentaram menos de 2% das intenções.

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