Desperdício de alimentos pela prefeitura de Goiânia revolta vereadores

Produtos estavam estocados em galpão da Conab, em Goiânia, desde março

Postado em: 08-07-2022 às 08h37
Por: Lorenzo Barreto
Produtos estavam estocados em galpão da Conab, em Goiânia, desde março | Foto: Reprodução

Em sessão realizada na Câmara Municipal de Goiânia na última quinta-feira (7/7), vários vereadores tiveram a oportunidade de se manifestar e cobrar explicações quanto a entrega de 21 mil cestas básicas paradas no galpão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Goiânia. Conforme revelado pela imprensa local, os alimentos estão retidos no local desde março.

O açúcar, por exemplo, perdeu a validade e deverá ser substituído por novos produtos. Durante o encontro, os parlamentares questionaram a demora e quais seriam os motivos por trás de toda a polêmica envolvendo a distribuição das cestas básicas.

Mauro Rubem, vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT), relembrou casos de pessoas que vivem diariamente nos sinaleiros da cidade, nos quais pedintes imploram por dinheiro e por um pouco de comida.

Continua após a publicidade

‘’É uma vergonha nacional, uma cidade com milhares de pessoas passando fome e os alimentos não sendo distribuídos e ainda por cima vencendo’’, afirmou, enfurecido, durante a sessão. O petista cobrou uma explicação oficial do Estado e respeito com a população goianiense. “Estou pedindo que respeitem a população goianiense e as famílias necessitadas, isso não pode acontecer’’, complementou o vereador.

Anderson Sales Bokão (PRTB) foi outro que manifestou sua indignação durante o encontro da última quinta. Ele contou, durante a sessão, que todos os membros da Câmara são capazes de identificar onde as famílias que necessitam dessas cestas estão. Bokão, como é conhecido por todos, relembrou que as pessoas estão passando ainda mais por dificuldades nesse momento pós-pandemia.

“As pessoas estão passando fome, desempregadas, a gente precisa ajudar. No nosso gabinete sempre chega alguém pedindo comida, com fome’’, contextualizou o vereador. Ele, como Mauro Rubem, demonstrou sua indignação afirmando que o fato de não entregar as cestas caracteriza uma “incompetência muito grande’’.

A vereadora Aava Santiago (PSDB) também foi procurada pela reportagem para comentar o assunto. Para ela, um fato como esse em meio ao agravamento da fome é algo “trágico”. “Foi noticiado recentemente que cerca de 700 mil goianos estão passando fome e que o leite está mais caro que a gasolina, essa conjuntura torna essa notícia muito pior”, lamenta a parlamentar.

A tucana cobrou uma investigação por parte do Ministério Público de Goiás (MPGO) para averiguar se essa retenção dos alimentos não foi algo “planejado” a fim de que as entregas ocorressem mais próximas da eleição. “Lembrando que isso é recurso público e que uma má gestão como essa jamais deve acontecer”, disparou a vereadora.

Ao dar início à distribuição dos alimentos até então retidos e depois de substituir os pacotes vencidos, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), comentou a situação. “Já estamos apurando a situação para verificar, junto aos responsáveis, o que aconteceu. De acordo com a licitação, o prazo de validade mínimo para os produtos era de seis meses, e a entrega ocorreu em março. Ou seja, de março até agora não se passaram seis meses”, ressaltou.

E continuou: “Desde março, já fizemos várias entregas, foram milhares de alimentos. Mas, por conta da necessidade de famílias em situação de vulnerabilidade que não possuem o cadastro [CadÚnico] atualizado, muitas vezes os alimentos não podem ser entregues”, justificou.

Veja Também