Contribuição política de Rogério Cruz ao projeto de reeleição caiadista

Nos bastidores, a leitura é de que, apesar da aliança, Cruz não teria potencial de transferir votos para o governador

Postado em: 14-07-2022 às 08h27
Por: Felipe Cardoso
Nos bastidores, a leitura é de que, apesar da aliança, Cruz não teria potencial de transferir votos para o governador | Foto: Reprodução

O apoio do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos) ao projeto de reeleição do governador Ronaldo Caiado (UB) segue, até hoje, como alvo de discussões nos bastidores da política goiana. Há um mês, como mostrou O HOJE, o pré-candidato ao Governo de Goiás, Gustavo Mendanha (Patriota) conquistou o apoio do partido e da maior parte de seus filiados ao abrigar como candidato ao senado em sua chapa o deputado federal João Campos (Republicanos). A aliança significa não somente a chegada de uma outra sigla, mas também mais tempo de propaganda eleitoral e fundo partidário para a coligação.

O grande impasse que ainda paira sobre o partido, diz respeito ao apoio factível, que vai além do simbólico. Isso porque o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, é tido como um dissidente no time. Ele bancou, desde o começo, seu apoio ao governador Ronaldo Caiado, mas se viu ‘sozinho’ depois que as composições avançaram e juntamente com Campos, uma ala considerável do partido migrou para o time mendanhista. 

A pergunta que fica é o quanto, de fato, o governador herdou do partido, haja vista que, nos bastidores, a avaliação é que além de ter alçado ‘voo solo’ para o time do governador, Cruz não teria potencial para transferir votos ao chefe do Executivo goiano. Isso, por ser, de acordo com políticos do alto escalão, um gestor de curta trajetória e experiência. 

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Em paralelo, a avaliação é que o núcleo pensante do Republicanos teria acompanhado a decisão de Campos. “O que sustenta o interesse do governador pelo prefeito é a igreja Universal. Se Caiado está bem em Goiânia, isso não se deve ao prefeito e sim às viúvas de Iris Rezende”, avaliou uma fonte do alto escalão. 

Outro detalhe que chamou a atenção do meio político nos últimos tempos foi a tentativa de Rogério em mostrar força. Como mostrado pela Xadrez, o prefeito de Goiânia mostrou recentemente quem é o dono da caneta. Na tentativa de impressionar o governador, o chefe do Executivo goianiense determinou, em 26 de junho, convocar o secretariado, chefes de gabinete, superintendentes, diretores e gerentes para uma reunião na sede do partido do União Brasil no dia seguinte. 

E, como ficou claro em uma mensagem divulgada pelo chefe de gabinete de Rogério em um grupo de WhatsApp composto por secretários e outras figuras influentes na gestão, o melhor era que todos, sem exceção, comparecessem. “O gabinete vai anotar o nome de cada um”, disse o mensageiro ao mandar o recado em nome do prefeito. 

Sobre a investida, a leitura é que o resultado disso é muito mais ‘fictício do que factível’. O apoio representa, para muitos, algo ainda muito distante do convencimento. Apesar da avaliação de algumas personalidades do mundo político que atestam que, na prática, Rogério pouco soma com o projeto do governador, o cientista político Lehninger Mota diz o contrário. 

Para ele, o resultado da força pode ser calculado com base na quantidade de cargos comissionados existentes no Paço. “São cargos que pertencem à prefeitura. Logo, o poder de um prefeito, ainda que desconhecido, é muito mais palpável do que a presidência estadual de um partido como o Republicanos. O apoio simbólico portanto é o que  Republicanos ofertou ao Gustavo [Mendanha], somando apenas tempo de televisão”.

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