Baixas na base caiadista independem da escolha do governador ao Senado

Impasse enfrentado pelo governador respinga diretamente em seus principais adversários

Postado em: 22-07-2022 às 08h26
Por: Felipe Cardoso
Impasse enfrentado pelo governador respinga diretamente em seus principais adversários | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As convenções se aproximam. Com isso, as lideranças goianas intensificam os diálogos em busca da construção de bases sólidas para as eleições deste ano. Em meio a um cenário onde uns se mostram mais tranquilos que outros para formarem suas composições, a avaliação, nos bastidores, é de que o maior problema está nas mãos do governador Ronaldo Caiado (UB), que buscará mais quatro anos à frente do Estado. 

A chegada do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) também contribuiu para mudanças. O tucano, que até o último sábado ainda ensaiava sua entrada na corrida, ampliou o leque de possíveis novas composições, inéditas ou não. Acontece que o ‘problema’ enfrentado pelo governador respinga diretamente em seus principais adversários. E eles [leia-se Marconi Perillo e Gustavo Mendanha (Patriota) se mostram prontos para tirar o melhor proveito disso. 

Caiado precisará escolher um caminho. As alternativas são: 1 – o apoio integral a um único nome na corrida pelo Senado; 2 – não apoiar nenhum dos postulantes e deixar que lancem voo solo na disputa. O comentário que ventila entre os grandes players da política é de que independentemente da decisão do governador, se por um lado ou outro, haverão perdas. 

Continua após a publicidade

E o tempo tem mostrado isso. A começar pelo candidato à reeleição ao Senado, Luiz Carlos do Carmo. Desde o princípio, o senador tem insistido em se lançar candidato com o apoio de Caiado — que, por sinal, tinha Carmo como suplente antes de assumir o governo goiano. Mas o governador tem se mostrado inflexível em relação ao seu projeto. 

Na esteira também há o nome de Lissauer Vieira, que é candidato do PSD e visto como uma espécie de ‘sucessor’ de  Henrique Meirelles (PSD), cuja aliança com o governador era tida como a mais provável antes de Meirelles abrir mão da corrida. O ponto comum entre eles: não abrem mão de terem o apoio formal do governo, sob risco de partirem para a oposição. 

E isso, de fato, pode acontecer. Ambos não contam com números satisfatórios aos olhos do governador nas pesquisas de intenção de voto. Um outro agravante é que o melhor posicionado na corrida ao Senado depois da decisão do ex-governador Marconi Perillo em buscar o governo é Delegado Waldir (UB), que é membro do partido do governador. A situação é delicada, mas interlocutores próximos a Caiado não titubeiam em afirmar que apesar de ambas as perdas, o caminho menos oneroso seria o de não apoiar ninguém. 

Mas caso a debandada dos aliados se consolide, a dúvida é quem herdaria com o capital político das lideranças abandonadas pelo governador? A resposta para essa pergunta ainda é incerta, mas há, no horizonte, alguns desenhos. O mais provável, conforme as conversas de bastidores, é que Luiz firme composição com Marconi enquanto Lissauer, liderado por Vilmar Rocha, se junte ao time mendanhista. 

Há, segundo algumas fontes, uma certa resistência de Vilmar Rocha em compor com Mendanha graças a sua proximidade histórica com o ex-governador. Mas o clamor do grupo é pelo ex-prefeito de Aparecida. Em paralelo, também foi ventilada a possibilidade da suplência de João Campos (Republicanos) — postulante mendanhista ao Senado — ser destinada a Vilmar Rocha, na tentativa de convencê-lo a “ficar”. Sendo assim, Lissauer seria o indicado do grupo a vice do ex-prefeito e segundo colocado na esmagadora maioria das pesquisas de intenção de voto. 

Quanto a Luiz, a leitura é de que ele transparece mais resistência em largar o osso e que deve mesmo ir à luta pela cadeira no Senado. A ele restaria compor com Perillo diante da falta de espaço na chapa dos demais concorrentes ao governo. Os olhos da oposição caiadista estão voltados, principalmente, a esses dois nomes. Quanto aos demais [leia-se: Alexandre Baldy (PP), Delegado Walidir e Zacharias Calil (UB)], não se espera que abandonem o barco ainda que Caiado não os apoie.

Veja Também