Marconi pode recuar e concorrer ao cargo de deputado federal

Conversações no cenário nacional podem influenciar no destino do tucano em Goiás

Postado em: 27-07-2022 às 08h11
Por: Felipe Cardoso
Caso seja Impedido de uma eventual aliança com a esquerda, ex-governador deve mirar em ser eleito deputado | Foto: Reprodução

O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pode mudar o percurso de sua trajetória política nos próximos dias. O comentário, segundo informações repassadas à reportagem por interlocutores próximos, é de que o tucano tende a reavaliar sua candidatura ao governo goiano. E mais: reflete incansavelmente acerca de uma eventual candidatura ao Legislativo. Mas não ao Senado, como muitos pensam, e sim à Câmara dos Deputados. 

Ao oficializar sua pré-candidatura ao governo de Goiás há duas semanas, precisamente em 16 de julho, o governador condicionou sua permanência na corrida à total liberdade para tomar as decisões que julgasse necessárias para viabilizar seu nome. O aval foi concedido pelos colegas de partido, acontece que a política se estende para além do quintal de casa. E Marconi sabe disso. 

No cenário nacional, porém, ganha cada vez mais musculatura a possibilidade de o senador pelo Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), firmar compromisso e ser indicado para concorrer à vice-presidência da República na chapa encabeçada por Simone Tebet (MDB). Outro detalhe é que em Goiás uma aliança com o PT tem sido estudada. Mas ainda que Marconi veja a aproximação com bons olhos, parte considerável do tucanato refuta a ideia. A consolidação de ambas as alianças não seria, por óbvio, possível. 

Continua após a publicidade

Caso Jereissati seja mesmo indicado para a vice de Tebet, o mais provável é que Marconi dispute o cargo de deputado federal e não uma vaga no Senado. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto na corrida pela casa alta do Congresso, a leitura é de que eleger-se ao Senado contribuiria “apenas” com seu projeto pessoal. 

Para ir além e somar, não apenas com a sua própria trajetória, mas com o partido que se encontra fragilizado, o tucano teria que eleger-se deputado e arrastar ao menos outros dois à Câmara. Desta forma, o tucano somaria com o grupo ao garantir maior representatividade nos espaços de decisão e poder, bem como tempo de TV e fundo partidário à sigla. 

Em uma conversa interna com a presidente metropolitana do partido, vereadora e pré-candidata a deputada federal Aava Santiago (PSDB), Marconi chegou a brincar dizendo que ela seria a única “entusiasta” em relação a uma eventual parceira com a esquerda. Ele confessou que a maioria dos companheiros aceitam pragmaticamente a ideia, apesar de não se mostrarem entusiastas do projeto. 

Aava, por sua vez, contesta a aliança do partido com Tebet. “O que pode ser mais em cima do muro do que isso? Só para não se desgastar, para não se envolver? Eu não temo desgaste. Mil vezes me desgastar do que não me posicionar”, disse a vereadora durante participação no podcast Papo Xadrez do grupo O HOJE

Questionada sobre o destino mais provável do tucano, ela considerou a possibilidade dele se lançar na disputa ao cargo de deputado federal, mas avaliou como mais provável sua permanência na corrida ao governo. 

“O que vejo claramente é que o Marconi não será candidato ao Senado. Embora dificilmente ele reflua da candidatura ao governo, é mais fácil ele ter a grandeza de ser candidato a deputado federal do que a senador. Sendo senador ele não movimenta nada em função de um grupo, só de si próprio. Sendo candidato à Câmara ele ajudaria a chapa e seus companheiros”, avaliou.

Veja Também