Justiça concede indenização de R$20 mil a filha que foi demitida por pai após realizar críticas a Bolsonaro

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região avaliou o pedido e concedeu uma indenização no valor de R$ 20 mil por danos morais e demissão sem justa causa.

Postado em: 10-08-2022 às 16h45
Por: Victória Vieira
Bruna trabalhava no Grupo Popular, empresa onde seu pai é um dos sócios | Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

A tatuadora Bruna Letícia Venancio, de 29 anos, entrou na Justiça contra o próprio pai após ser demitida por ter realizado críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais, em setembro do ano passado. O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (AP) avaliou o pedido e concedeu uma indenização no valor de R$ 20 mil por danos morais e demissão sem justa causa.

“Eu acho que [a indenização] repara o dano. Ele me mandou áudios absurdos, me humilhando, falando coisas pesadas. Eu não poderia aceitar. Ele queria me chantagear com o emprego que eu tinha: ‘Ou você apaga agora, ou você sabe que posso te punir”, contou Brunna.

Tudo começou quando a jovem postou nas suas redes sociais o descontentamento contra o governo atual e as manifestações que estavam acontecendo pelos bolsonaristas ao redor do país.

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“Sou completamente contra esse desgoverno e esse ser humano horroroso, corrupto, mal caráter, fascista, nazista, imbecil, incapaz e medíocre”, escreveu Brunna. Logo após visualizar a publicação, o pai da tatuadora não gostou do que ela tinha escrito e mandou um áudio demonstrando sua revolta.

“Bom dia, Brunna. Antes de ter as suas exposições de ira e deboche em suas posições políticas, lembre em respeitar quem está do outro lado, não se esqueça que eu tenho posições antagônicas”, alertou. “Não estou com raiva, eu estou irado, tá irado com suas posições, com as suas manifestações, já que as redes sociais é suas ‘cê’ faça o que quiser, pois continue fazendo, só que agora quem manda na empresa quem é o dono desse negócio sou eu, tá certo? E não vou te aceitar mais, cabou “, ameaçou.

Bruna trabalhava no Grupo Popular, empresa onde seu pai é um dos sócios, e atuava como supervisora de cadastro e vendas da empresa. Ela alega que foi vítima de ofensas e preconceito por sua posição política no ambiente de trabalho. Segundo Venancio, o pai afirmou estar ciente da sua atitude, falando: “com plena consciência do que estou fazendo”.

A mulher relata que os dois já tiveram discussões políticas, onde o homem fazia agressões verbais a chamando de “esquerdopata” e “petralha”.

“Entrei na Justiça com um misto de indignação, tristeza e decepção. Eu não queria chegar a esse extremo. Não é fácil processar o próprio pai”, desabafou em entrevista ao site ‘O Globo‘. “Ele me chamou de esquerdopata e petralha. Desde então eu não tocava mais no assunto. Eu sempre tive que me silenciar, ele sabia das minhas opiniões políticas e eu sabia as dele, mas a gente não entrava nesse assunto”, disse a tatuadora.

Em resposta ao processo judicial, a empresa negou que o motivo da demissão tenha sido por opiniões políticas. Entretanto, para a juíza Camila Afonso de Novoa Cavalcanti, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, a ação viola a legislação do trabalho, promovendo discriminação por opinião política.

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