Prefeitura ignora reivindicações e professores não descartam nova greve

Presidente do Sintego disse ao O HOJE que categoria está indignada e que decisões da prefeitura não são comunicadas

Postado em: 23-09-2022 às 08h03
Por: Felipe Cardoso
Presidente do Sintego disse ao O HOJE que categoria está indignada e que decisões da prefeitura não são comunicadas | Foto: Reprodução

Ao longo da semana, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) reuniu servidores em atos de protesto contra a prefeitura de Goiânia. Na terça (20/9), por exemplo, os profissionais se reuniram na Câmara Municipal de Goiânia onde protestaram durante toda a manhã. As reivindicações passam pelo pagamento da data-base de 2022 e inclusão dos administrativos da Educação no plano de carreira dos servidores municipais. 

Ao O HOJE, o Sintego rememorou que à época da greve instaurada pelos professores, em abril deste ano, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) se comprometeu a enviar a data-base — que deveria ser paga em janeiro — à Câmara Municipal em maio. Mas isso não aconteceu. 

Agora, a prefeitura fala em enviar em outubro, com previsão de pagamento em dezembro. Diante do descaso com a categoria, a presidente do sindicato, Ludymilla Morais, disse, em entrevista exclusiva ao O HOJE, que os profissionais não descartam uma nova greve. “Estamos cumprindo a nossa parte do combinado, retomamos as atividades e não há paralisação. Mas tudo depende de até onde a categoria está disposta a ir. É claro que priorizamos o diálogo. Sabemos que uma greve é algo nocivo para a educação. Duas em um mesmo ano é ainda mais complicado. Esperamos que a prefeitura não leve a discussão a esse patamar”, afirmou. 

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A representante lamentou que o Executivo não esteja disposto a tentar resolver a situação. Isso, segundo ela, só alimenta a indignação dos profissionais contra a gestão de Cruz. “O que estamos percebendo é uma lentidão muito grande. Sem contar que tudo o que estamos sabendo sobre o envio desse projeto, tomamos conhecimento por meio da mídia. Eles não nos chamaram para conversar, comunicar as decisões. Que tipo de reconhecimento é esse? Querem pagar a data-base de janeiro em dezembro e ainda vendem a ideia de que estão fazendo muito em não pagar parcelado? Estamos falando de um ano de prejuízo”. 

“A categoria está muito indignada com toda essa situação. Esperávamos que ainda no primeiro semestre a prefeitura encaminhasse esse projeto, o que não aconteceu. Estamos desde junho na cobrança do Paço, mas sem avanços”, pontuou a representante.

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Plano de carreira 

Outro fator de indignação por parte dos profissionais diz respeito ao plano de carreiras previsto para chegar ao Legislativo ainda essa semana. A presidente do Sintego explica que para a surpresa da categoria, a prefeitura deve enviar a reformulação das carreiras dos servidores municipais, porém, sem a inclusão dos servidores administrativos da Educação.  “Isso nos preocupa muito. Os administrativos contam com os menores salários. Para se ter uma ideia, muitos recebem algo em torno de R$ 800,00 por mês”.

“Nossa briga agora é, também, pela inclusão dos administrativos, de maneira a contemplar todas as categorias nesse projeto que será enviado à Câmara. Não há argumento ou justificativa para essa exclusão. É importante que fique claro que não queremos embarreirar nada em relação aos demais servidores, pelo contrário, o que queremos é que todos sejam contemplados. Por que deixar de fora os menores salários? O silêncio da gestão em relação a isso é péssimo”, pontuou. 

Resposta

Durante o protesto dos profissionais na última terça, o líder do prefeito, vereador Anselmo Pereira (MDB) falou com a imprensa sobre o assunto. Ele informou, em entrevista coletiva, que o pagamento será assegurado a todos os servidores de forma retroativa ainda este ano. “Tenho convicção que no fim do mês [a matéria] chega para ser apreciada até dezembro e pagar dentro do mês. Temos mais de R$ 240 milhões separados para pagar integralmente o piso salarial, eliminando por completo qualquer possibilidade de reclamação nesse sentido”. 

A prefeitura de Goiânia foi procurada para comentar o descompasso com os professores, mas até a publicação desta reportagem não se posicionou. O espaço continuará aberto para manifestação do contraditório. 

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