Candidato a deputado ressuscita proposta de trem-bala entre Goiânia e Brasília

Eduardo Macedo, candidato deputado federal pelo PTB, defende volta de projeto à pauta mesmo depois de ex-ministro de Jair Bolsonaro dar conversa por encerrada

Postado em: 23-09-2022 às 08h28
Por: Yago Sales
Eduardo Macedo, candidato deputado federal pelo PTB, defende volta de projeto à pauta mesmo depois de ex-ministro de Jair Bolsonaro dar conversa por encerrada

Parece que a expectativa de goianos e brasilienses de voltarem a ter um trem-bala que liga Goiás a Brasília ganha outro fio de esperança. Candidato a deputado federal, o presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Eduardo Macedo, propõe resgatar o antigo projeto do trem-bala, que ficou conhecido como Expresso Pequi, que encheu os olhos da população, quando milhões foram gastos em viagens internacionais de representantes de ambas as federações à Itália, França e Alemanha e destinaram ao menos R$10 milhões a estudos para a viabilidade do projeto que acabou caindo no limbo do esquecimento. 

O projeto entusiasma tanto o setor empresarial quanto o agronegócio. A chegada de matéria-prima e o escoamento da produção agrícola seriam impactadas positivamente, afora a geração de empregos – pauta constantemente discutida em período eleitoral. 

Eduardo Macedo faz um retrospecto histórico – que vai de Getúlio Vargas a Juscelino Kubitschek. “É uma questão desenvolvimentista, que o Brasil perdeu. Não existe mais uma grande obra”, aponta. “Somos um estado multicultural, etnicorracial, que precisa de projetos exequíveis. Qualquer país do mundo tem um sistema ferroviário em pleno funcionamento.”

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Sonho de Perillo

Em março de 2017, o então governador Marconi Perillo (PSDB) foi a Brasília e sentou-se com o presidente Michel Temer e o Alexandre Baldy, (filiado à época PMN), que foi como deputado federal, mas se tornaria ministro de Cidades, para discutir o projeto. Na ocasião, o tucano explicou ao mandatário federal o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) sobre o projeto do trem-bala feito pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). 

O governo viabilizou o estudo por meio de um financiamento do consórcio formado pelas empresas EGIS, LOGIT, JGP e Machado Meyer. Na reunião com o presidente, Perillo defendeu que o projeto estava adiantado e que, em três anos, as obras estariam adiantadas, com investimento inicial de R$6 milhões com aumento gradual. O custo, afirmou Perillo, seria de R$2,9 bilhões a ser dividido entre o Estado de Goiás, o governo do Distrito Federal e o governo federal. O investimento excedente seria aplicado pela empresa que venceria a licitação que colocaria marcha na obra. 

Por outro lado, a ideia, estudada pela ANTT, daria substância para dois outros serviços e nenhum chegaria nem aos pés dos ideais propagados pelos ex-governadores Joaquim Roriz, do DF, e Marconi Perillo, de Goiás. Os dois sairiam do Plano Piloto e chegariam no Centro da capital goiana. 

Em agosto de 2019, o ministro de Infraestrutura de Jair Bolsonaro, Tarcísio Freitas – atualmente candidato ao governo de São Paulo – jogando balde de água fria na ideia, respondeu a uma repórter do UOL: “Esquece. É um projeto que não dura cinco minutos de análise”. E, num raciocínio, resumiu que a falta de demanda – de apenas passageiros, na defesa dele – não se viabilizaria economicamente. 

Eduardo Macedo dá de ombros ao sepultamento do projeto pelo ex-ministro de Jair Bolsonaro. “Independentemente do que o ministro disse, tem que haver uma ampla discussão. Unir a bancada goiana, a Assembleia Legislativa de Goiás, os governos de Goiás e do Distrito Federal”, sinaliza ele. 

“Os trilhos e as estações são baratos, caro são os trens”, acrescenta ele. Antes de afirmar que Goiás é fraco com Parceria Público Privada (PPP) – forma de o projeto caminhar para o sucesso – Macedo defende que é necessário apresentar algo que dê condições de tirar o projeto do papel e executar. “O trem-bala vai ser um sucesso. São soluções que precisam se tornar realidade”, termina, otimista.

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