Lideranças veem com entusiasmo Ana Paula Rezende na disputa pela prefeitura

Discreta, a filha de Iris Rezende pode mudar todo o cenário político de 2024, em Goiânia

Postado em: 24-11-2022 às 08h00
Por: Francisco Costa
Discreta, a filha de Iris Rezende pode mudar todo o cenário político de 2024, em Goiânia. | Foto: Reprodução

Discreta, a filha de Iris Rezende pode mudar todo o cenário político de 2024, em Goiânia. Nos bastidores, Ana Paula Rezende (MDB) já é debatida como sucessora do pai e pode entrar na disputa pela prefeitura da capital. 

Ex-conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), ex-secretário de Goiânia e amigo de Iris por cerca de 40 anos, Paulo Ortegal (MDB) diz que o partido quer o nome dela no próximo pleito municipal. Recentemente, contudo, ela não tem falado sobre o assunto – até porque, a mãe dela, Dona Iris, está internada (mas já apresenta melhoras). “É assunto para janeiro”, diz Ortegal.

Ele contudo, afirma que não haveria candidata melhor. “Até o próprio Daniel [Vilela] já se manifestou que ela disputasse, que seria a candidata ideal”, se refere ao presidente estadual do MDB e vice-governador eleito. “Não teríamos candidata melhor que ela. Se vier, não terá outro nome melhor”, reforça o ex-secretário de Iris.

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Segundo Paulo, não é só somente pelo legado do pai que ela seria uma grande candidata, mas por toda a vivência. Ela, contudo, teria restrições por nunca ter participado do processo eleitoral. Ainda assim, Ortegal reforça que a defende na páreo. “No governo Caiado ele já participou de algumas carreatas, caminhadas”, lembra de envolvimentos mais recentes. “Mas ainda está cedo”, relembra que as discussões devem se iniciar em janeiro. 

Para o presidente metropolitano do MDB, o vereador por Goiânia Henrique Alves, Ana Paula carrega o legado e história de Iris. Além disso, “participou ativamente da última gestão do pai”. De acordo com ele, ela é capacitada e, caso queira, tem chances reais de vencer o páreo. “Enquanto presidente metropolitano, vou subscrever o convite da estadual a ela.”

Mudança de planos

O MDB tem tradição de candidatos na disputa em Goiânia. Mesmo que não lançasse um nome próprio, é possível que o partido apoie alguém. O deputado estadual reeleito – e mais bem votado – Bruno Peixoto (União Brasil) ficou anos na legenda e poderia vir com esse endosso, inclusive do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e Daniel Vilela.

O político vive sua melhor fase. Líder do governo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e talvez o nome mais forte para substituir Lissauer Vieira (PSD) na presidência da Casa, ele foi o deputado estadual mais votado neste ano: 73,6 mil eleitores. Além disso, entra na equação uma questão pessoal. Bruno nunca escondeu que seu sonho político é ser prefeito de Goiânia. Como dito, ele vive o ápice da carreira política. 

A entrada de Ana Paula, contudo, pode mudar essa possibilidade. O MDB teria seu próprio candidato e puxaria o apoio de Caiado, que tinha Iris como referência. O ex-prefeito, inclusive, foi um dos responsáveis para garantir o partido na aliança com o governador. Assim, seria provável que o chefe do Executivo goiano retribuísse a amizade com um gesto político – que não seria mero favor, vale ressaltar, uma vez que Ana Paula goza de prestígio.

Outros nomes

Na capital, o pré-candidato [quase] óbvio na disputa é o atual prefeito Rogério Cruz (Republicanos). A vida do gestor em 2024, todavia, pode não ser tão fácil. Na coluna Xadrez, do Hoje, Wilson Silvestre cita que ele não ‘vestiu’ a camisa de líder que administra o município mais importante do Estado e loteou a gestão entre grupos mais interessados em poder do que nos interesses dos cidadãos. 

A postura facilita a vida de outros postulantes ao paço. Inclusive, caso ele decida não concorrer, o Republicanos pode lançar outros nomes, como o presidente estadual e deputado federal João Campos e o deputado federal eleito Jeferson Rodrigues.

O PSDB de Marconi Perillo também deve começar a se movimentar, apesar da pouca tradição na prefeitura de Goiânia. Interlocutores apostam que o ex-governador não deve entrar na disputa, mas articular nomes como o da vereadora por Goiânia Aava Santiago, que é presidente metropolitana da sigla, ou do jornalista Matheus Ribeiro, segundo tucano mais votado com 46,9 mil eleitores para a Câmara Federal. 

Com a vitória de Lula, o PT também deve vir forte em 2024. O nome provável seria o da deputada federal eleita Adriana Accorsi, que já disputou o paço duas vezes, tendo terminado em terceiro lugar em 2020. Ela, todavia, já disse em mais de uma ocasião que cumprirá os quatro anos de mandato na Câmara Federal em respeito aos seus mais de 96,7 mil eleitores. Nada impede que a sigla tente convencê-la do contrário. 

Há, ainda, a possibilidade do senador Vanderlan Cardoso (PSD) tentar nova investida na capital. O ex-prefeito de Senador Canedo já chegou a dois segundos turnos em Goiânia: um contra Iris Rezende e outro Maguito Vilela. Já bateu na trave duas vezes. 

Deputado federal pelo PSB, Elias Vaz disputou o último pleito e terminou em quinto lugar. Na Câmara, se destacou pela oposição a Bolsonaro (PL). Presidente estadual da legenda ele ainda pode avaliar o cenário.

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