Ex-prefeito Maguito Vilela admite conversar com PSDB

Ex-prefeito de Aparecida defende abertura do diálogo entre José Eliton e Daniel Vilela, após ser ventilado possível aliança nacional entre partidos

Postado em: 27-04-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Ex-prefeito de Aparecida defende abertura do diálogo entre José Eliton e Daniel Vilela, após ser ventilado possível aliança nacional entre partidos

Venceslau Pimentel

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Ao comentar as conversações entre o presidente Michel Temer (MDB) e o ex-governador de São Paulo e pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), para a formação de aliança, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, o emedebista Maguito Vilela, defendeu que esse diálogo seja aberto em Goiás entre o governador tucano José Eliton e o deputado federal Daniel Vilela, ambos pré-candidatos ao governo do Estado.

“Não vejo motivo nenhum para não acontecer essa conversa”, disse ontem Maguito em entrevista à imprensa, após a entrega do título de cidadão goianiense ao ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. José Eliton, Daniel e Iris Rezende prestigiaram o evento, na Câmara de Goiânia.

Ao ser indagado se, pessoalmente, defenderia essa tese, Maguito foi incisivo. “É lógico que posso defender. Por que não? De repente Daniel vai ser candidato a governador. Por que não defender essa ideia!”

Para mostrar que não estava surpreso com a busca de um acordo entre Temer e Alckmin, Maguito lembrou que, no plano federal, o MDB sempre foi o ponto de equilíbrio tantos nos governos tucanos quantos nos dos petistas. “O MDB sempre ajudou na governabilidade do governo federal. O partido não pode se furtar disso”, defendeu.

Por isso, Maguito afirmou que esse diálogo também deve ser aberto em Goiás. “Em Goiás tem de acontecer. Não vejo motivo nenhum para não acontecer, pois toda aliança é saudável”, justificou.

Questionado sobre a disputa política entre os dois partidos, Maguito comentou que existe uma forte rivalidade, mas que já foi maior no passado. “Então, há ambiente para conversar, sim”.

Quanto ao discurso de oposição defendido por Daniel, que é seu filho, o ex-prefeito o classificou como construtivo. “Daniel não faz uma oposição raivosa, antidemocrática. A oposição dele é construtiva, democrática e republicana”, classificou.

Mesmo com as pré-campanhas nas ruas, Maguito Vilela insiste no diálogo entre MDB e PSDB, mas que o tom dessa conversa será dado por Daniel e Eliton.  “Acho que numa pré-campanha você tem que conversar mesmo que não faça aliança. De repente, uma ideia para favorecer o estado, o povo, é importante e tem de ser levada a sério”, pondera. “São duas pessoas muito equilibradas, que têm futuro pela frente”, elogiou.

Ao mesmo tempo, o ex-prefeito prega respeito aos dois pré-candidatos, caso desejem manter suas postulações. A conversa, mesmo que não dê o resultado esperado, é saudável, conforme se expressou Maguito, para que seja mantido um nível respeitoso na campanha eleitoral.

A defesa do diálogo entre os dois partidos, garante Maguito, não visa derrotar o senador e pré-candidato a governador Ronaldo Caiado (Democratas). “Não pode ter como foco derrotar Caiado e sim beneficiar o povo goiano. Até o próprio Caiado pode entrar na conversa”, avalia. 

Daniel diz que unidade é apenas especulação 

Ao contrário do seu pai, Maguito Vilela, o deputado Daniel Vilela (que preside o diretório estadual do MDB), descarta qualquer possibilidade de união entre o seu partido e o PSDB.

“Vejo isso como especulação, estamos ainda distantes das eleições e todo dia tem esse tipo de conversa, em nível nacional. Mas, independentemente se isso vai ocorrer ou não no plano nacional, em Goiás essa possibilidade não existe”, disse em entrevista à imprensa após a homenagem na Câmara de Goiânia ao ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. “Não estarei no mesmo palanque do PSDB”, avisou.

“O MDB apresentará um projeto alternativo a esse grupo liderado pelo PSDB, que se encontra há 20 anos (no poder) e que não tem mais desculpa em relação aos problemas enfrentados pelos goianos”, pontuou, ponderando que sempre foi muito enfático sobre a questão de uma aliança com o PSDB, independente da questão nacional. 

Meirelles descarta vice de Alckmin 

Pré-candidato à Presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) disse ontem, em Goiânia, desconhecer suposta conversação entre o presidente Michel Temer e o PSDB para uma eventual aliança. Também garantiu que não tem conversado sobre o assunto com o ex-governador de São Paulo e também presidenciável Geraldo Alckmin.

“O meu projeto não é ser candidato a vice, mas a presidente”, disse ele em entrevista, após receber título de cidadão goianiense na Câmara de Vereadores da capital. “O importante é que o MDB tem decisão de ter candidato a presidente da República. Portanto, qualquer aliança passa por apoio ao candidato do MDB”, reafirmou Meirelles.

O ex-ministro condiciona uma aliança com o PSDB se tiver o apoio dos tucanos, mas como cabeça de chapa. “Se O PSDB estiver disposto a isso, perfeitamente estaremos contemplando esta possibilidade”. Uma eventual aliança entre os dois partidos estaria sendo costurada por Temer e Alckmin, com Meirelles como candidato a vice.

De acordo com o ex-ministro, a sugestão partiu de membros do PSDB. “Conversei hoje (ontem) com o presidente Temer, que disse que isso não procede. O nosso partido terá um candidato e, portanto, estamos trabalhando juntos nessa direção”, pontuou.

Questionado se a má avaliação do governo Temer poderia respingar de forma negativa em sua candidatura, caso venha a ser confirmada, Meirelles foi incisivo ao responder que não. Citou como razões para acreditar num fator positivo o crescimento da economia, a retomada do emprego, controle da inflação, reformas do ensino médio e trabalhista, recuperação de empresas públicas como a Petrobras e Banco do Brasil.

Por outro lado, o ex-ministro minimizou as denúncias contra Temer. Duas delas, apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por corrupção passiva e obstrução à Justiça e organização criminosa, foram arquivadas pela Câmara dos Deputados.

“Todos os grandes partidos têm em seus quadros aqueles que estão sendo questionados na Justiça. Contra a mim não tem acusação”, disse, destacando a sua trajetória. “Temos aí uma trajetória que mostra à população que a nossa carreira é bem-sucedida de serviço ao país, e de sucesso. Estamos mostrando resultados. E na medida que a população conhece esse resultado a resposta será positiva”, aposta. “Além do mais, temos um histórico de integridade pessoal inquestionável”.

Parceria

Meirelles disse que, com o título de cidadania, começa por Goiás a sua pré-campanha e que, no Estado, estará em dobradinha com o deputado federal Daniel Vilela (MDB), pré-candidato a governador. “Estamos trabalhando juntos com Daniel Vilela. Acredito que será uma campanha com muito êxito, estamos trabalhando juntos”.

Ao comentar sobre o desempenho de Vilela nas pesquisas eleitorais, em que o pré-candidato aparece praticamente empatado com o governador José Eliton (PSDB), disse que aposta na força histórica e tradicional do seu partido em Goiás. “Vamos trabalhar juntos. Tenho certeza que o resultado será extraordinário”, pontuo.

A solenidade de ontem, comandada pelo presidente da Câmara de Goiânia, Andrey Azeredo (MDB), foi prestigiada pelo governador José Eliton, o prefeito Iris Rezende (MDB), o deputado Daniel Vilela e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. A concessão do título de cidadania foi proposta pelo ex-vereador Luciano Pedroso. (*Especial para O Hoje) 

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