Sábado, 10 de junho de 2023

CEI da Comurg: destino de verba milionária volta ao centro do debate

Durante sabatina com o presidente da Comurg, clima ficou tenso quando vereador questionou destino dos R$ 5 mi repassados à Comurg

Postado em: 28-03-2023 às 07h58
Por: Felipe Cardoso
Durante sabatina com o presidente da Comurg, clima ficou tenso quando vereador questionou destino dos R$ 5 mi repassados | Foto: Divulgação/ Câmara

O destino da verba milionária paga pela prefeitura de Goiânia à Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para reforma dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da capital voltou a movimentar as discussões no segundo dia de sabatinas da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Comurg na Câmara.

O sabatinado, desta vez, foi o diretor administrativo financeiro da Companhia, Adriano Renato Gouveia, que ocupa o cargo desde outubro de 2022. O montante repassado por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, braço do Executivo, foi de R$ 5 milhões.

Segundo o dirigente, todo recurso recebido foi alocado. E explicou: “A Comurg é uma empresa de economia mista. O nosso caixa é baseado em fluxo. Quando um dinheiro entra, ele não entra em uma conta específica destinado às praças, por exemplo, ele entra numa espécie de conta geral. Se naquele dia eu tinha que pagar férias para um funcionário, por exemplo, a gente pagou as férias desse funcionário; se tinha que pagar fornecedor, pagamos”.

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Em outro trecho, ele reforçou que 100% do que a Comurg recebeu foi alocado para que as reformas ocorressem. O dirigente também acrescentou que os materiais já foram adquiridos, “o que garante a entrega ao município de Goiânia”. O que ainda não foi concluído, segundo ele, não se tornou possível em decorrência da questão climática dos últimos meses.

Vale lembrar que na semana passada, durante o interrogatório do atual presidente, Alysson Borges, o vereador Paulo Henrique da Farmácia resolveu questionar o presidente sobre o pagamento de uma nota fiscal em questão. O vereador destacou que o dinheiro deveria ser destinado à reforma dos Cras e questionou o destino dos recursos uma vez que as unidades não se encontram reformadas. 

Borges disse, em um primeiro momento, que o “dinheiro foi repassado para custear o início das obras”. O vereador, por sua vez, indagou: “mas elas não foram feitas”. E o presidente retrucou: “É que diante da saúde financeira da empresa, que não tem capital de giro e historicamente acumulou déficits, pagamos, com esse dinheiro, os fornecedores que, inclusive, fornecem materiais de construção para as obras que nós executamos em nossos contratos”. 

Ele também disse que a Comurg “não pode ficar com dinheiro parado na conta”. E justificou: “Temos obrigações para cumprir, somos uma empresa deficitária”. Paulo Henrique, assim como o presidente da Comissão, Ronilson Reis, demonstraram insatisfação com a resposta. O primeiro chegou a considerar a elaboração de um requerimento para entender melhor a destinação dos recursos. Na contramão da interpretação dos vereadores, o presidente esboçou naturalidade: “todo dinheiro que entra é usado para isso”. 

O presidente também assegurou que desde que assumiu o comando da pasta, repassou todos os problemas diagnosticados ao prefeito Rogério Cruz (Republicanos). “A prefeitura, inclusive, tomou algumas medidas. Fizemos reuniões quinzenais com vários secretários buscando uma saída para a resolução dos problemas. Uma delas foi a terceirização de alguns serviços que são vistos como gargalos na Companhia, outra saída que encontramos foi buscar os valores que são devidos à Comurg e que nunca antes alguém se atentou para esse fato”.

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