Sem parceria, prefeitos de Goiânia e Aparecida tomam rumos diferentes

Postado em: 15-03-2021 às 09h45
Por: Augusto Sobrinho
Rogério Cruz mantém o comércio fechado por mais 14 dias e Gustavo Mendanha reabre e alimenta o contágio da Covid-19 | Foto: Reprodução

José Luiz
Bittencourt

Enquanto a
prefeitura de Goiânia optou pelo fechamento das atividades não essenciais por
mais 14 dias a partir desta segunda-feira, 15 de março, a prefeitura de
aparecida resolveu relaxar as medidas de restrição ao funcionamento do comércio
e serviços, permitindo a reabertura mediante um sistema de escalonamento por
regiões.

O
desentendimento entre as duas municipalidades, que representam uma espécie de
continuidade urbana dada a vizinhança e a existência de grande número de pontos
de contato entre os seus moradores, contraria o discurso de parceria
desfraldado pelos prefeitos da capital Rogério cruz e de aparecida Gustavo Mendanha.

Gustavo Mendanha
foi duramente pressionado, na semana passada, pelas entidades empresariais da
sua cidade, influenciadas pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado
de Goiás – FIEG, Sandro Mabel. Enquanto Rogério cruz, em Goiânia, resistiu,
mantendo o lockdown por mais 14 dias, o prefeito de aparecida cedeu e liberou
as atividades econômicas não essenciais, adotando o chamado escalonamento
regional, que ele garante ser aprovado por 98% da população aparecidense,
embora sem apresentar pesquisas confiáveis mostrando esse resultado.

Os sistemas de
Saúde tanto de Goiânia quanto de aparecida estão colapsados, isto é, não
possuem mais oferta de UTI’s para atender aos pacientes acometidos pela
covid-19 e mesmo enfrentando dificuldades para garantir atendimento comum, ou
seja, enfermarias em número suficiente para cobrir a demanda.

Pela lógica,
ambos os municípios, compreendendo uma realidade urbana única, deveriam agir em
conjunto, para evitar que o crescimento de casos da nova doença venha a
estourar a capacidade de resolução das redes públicas e privadas tanto da
capital quanto de Aparecida.

As pressões do
setor empresarial que recaíram tanto sobre Rogério cruz quanto sobre Gustavo Mendanha
receberam reações diferentes. Enquanto o prefeito de Goiânia endureceu com a
decisão de prorrogar o lockdown, o seu colega aparecidense recuou e resolveu
permitir a reabertura do comércio e serviços, pelo sistema de escalonamento
intermitente, que, na prática, permite que parte expressiva da cidade mantenha
o funcionamento normal e ofereça condições para aglomerações e contato entre
pessoas favoráveis à disseminação da covid-19.

Em uma postagem
no Twitter, o secretário estadual de governo Ernesto Roller acusou Gustavo Mendanha
de subserviência a Sandro Mabel. Ele escreveu: “a FIEG assumiu a prefeitura de
aparecida? o que mudou? parece que o prefeito se submeteu aos interesses que
não significam a defesa da vida”, escreveu Roller, ao criticar a reabertura das
atividades não essenciais por zonas, em Aparecida.

Ao mesmo tempo,
Sandro Mabel intensificou as críticas às medidas restritivas contra a expansão
do novo coronavírus. Ele divulgou um vídeo argumentando que o governo do estado
poderia comprar vacinas, mas as imagens de uma live com lideranças empresariais
nacionais mostrou a dona do Magazine Luíza, Luíza Trajano, afirmando
diretamente a ele que não existem vacinas disponíveis para aquisição, neste
momento.

Luíza Trajano,
no vídeo, bate boca com Sandro Mabel, revelando que já procurou laboratórios em
todas as partes do mundo, citando especificamente a Índia e a Rússia, dizendo
que, “neste momento, eles não abrem a possibilidade de venda de vacinas, que é
exclusivamente para o governo federal”. Ela acrescenta que, “daqui a um mês,
acredita que essa realidade será diferente” e diz que, no futuro, “agosto e
setembro, a realidade será outra”, ante um atônito Sandro Mabel que fica sem
saber o que dizer. (Especial para O Hoje)

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