Mendanha fica isolado até pelo MDB em decretos

Postado em: 31-03-2021 às 08h40
Por: Augusto Sobrinho
Prefeito de Aparecida insiste em um modelo de isolamento social que diverge dos demais municípios e é avaliado por cientistas como ineficaz | Foto: Reprodução

José Luiz Bittencourt

O escalonamento intermitente do comércio, indústria e
serviços por regiões, adotado
em Aparecida, em contraponto ao resto do Estado, que está
seguindo o modelo 14×14 para
as atividades econômicas não
essenciais, ou seja, 14 dias de
portas abertas seguidos por 14
dias de reabertura e assim consecutivamente até o arrefecimento da pandemia, acabou
produzindo consequências
para a política.

É o caso do prefeito Gustavo
Mendanha (MDB),que hoje vive
um duplo isolamento: está em
casa, recolhido por orientação
médica para tratar da Covid-19 que o acometeu e a toda a sua
família (pai, mãe, cinco tios, a
mulher e dois dos quatro filhos), enquanto publicamente
segue esquecido até mesmo
pelo seu próprio partido,dentro
do qual ninguém levantou a
voz em sua defesa diante do
vendaval que críticas que vem
enfrentando pelas decisões equivocadas adotadas para o enfrentamento à pandemia no
seu município.

Aliás, causou espécie aos
emedebistas a divulgação do vídeo de uma live em que Mendanha troca afagos com o extremista Gustavo Gayer, líder
negacionista em Goiás e bolsonarista roxo, o mesmo que liderou o protesto que bloqueou
a Br-153 contra as medidas
de restrição à propagação do
coronavírus. No engarrafamento de 18 quilômetros que
foi gerado, muitas ambulâncias
transportando pacientes em
condição grave ficaram retidas,
com risco de morte para eles.

A gravação causou espanto no MDB, em especial entre
os membros do partido que
são próximos do presidente
estadual Daniel Vilela e ocupam cargos no Paço Municipal, onde vivem um momento difícil: aos poucos, estão
sendo expurgados para abrir
espaços para indicados da Câmara Municipal e do partido
do prefeito Rogério Cruz, o republicanos. Diante da repercussão negativa, Gustavo
Mendanha apagou o vídeo
das suas redes sociais sem
dar maiores explicações.

O MDB, que tem em Mendanha o seu principal prefeito, ainda mais em se tratando
do gestor de uma cidade de
600 mil habitantes, a segunda
maior de Goiás, evitou até
agora sair a campo para defender o modelo de escalonamento intermitente adotado
em Aparecida – considerado
pelo biólogo Matheus Santos,
especialista em genética da
Universidade Federal de Goiás,
como “uma concepção um tanto quanto ingênua de isolamento social”, basicamente
por não interromper o ciclo de
14 dias do vírus. 

Mesmo assim, é o que vigora em Aparecida, comprometendo os esforços de combate à Covid-19 em toda a região metropolitana, a mais
populosa de Goiás. A vizinha
Goiânia segue o revezamento
14×14 instituído pelo decreto
de Caiado, padrão de isolamento social e econômico considerado ideal para evitar
aglomerações – que se repetem diariamente na cidade
de Mendanha – e reduzir a
propagação da doença.

Em tempos mais favoráveis, o prefeito de Aparecida
sonhou com uma candidatura
a governador, atropelando se
preciso o seu parceiro Daniel
Vilela, o filho de herdeiro político de Maguito Vilela e nome
natural do emedebismo para
2022. Esse projeto está enterrado pelos passos equivocados na escolha de políticas disfuncionais para a Saúde do
município, onde as mortes pelo
coronavírus quadruplicaram
desde dezembro, passando de
duas por dia naquele mês para
oito diárias em março. Para
piorar, o Mendanha comunica-se mal, como exemplifica o vídeo com Gustavo Gayer, que
ele ingenuamente impulsionou nos seus perfis sociais e
assustou até mesmo seus supostos aliados do MDB. (Especial para O Hoje) 

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