Caso Marielle: investigadores acreditam que Lessa tenha forjado áudio para dispersar suspeitas

Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz estão presos desde o dia 12 de março de 2019 pelo crime.

Postado em: 05-07-2021 às 17h10
Por: Alice Orth
Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz estão presos desde o dia 12 de março de 2019 pelo crime. | Foto: Reprodução

Ronnie Lessa, sargento reformado da Polícia Militar (PM) e suspeito de participação na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), pode ter forjado um áudio em seu celular a fim de desviar o foco dos investigadores. As informações são do jornal O Globo, que teria ouvido uma fonte próxima à força-tarefa que analisa o caso.

Sete aparelhos foram apreendidos com o acusado, todos com o conteúdo deletado, a exceção de um celular que continha apenas uma gravação. No áudio, Lessa conversa com um morador da comunidade de Rio das Pedras, e tenta direcionar a morte da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, a um outro grupo de milicianos. Os dois foram assassinados no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

Os investigadores seguem a teoria de que o único conteúdo do celular foi implantado propositalmente no dia o dia 24 de janeiro de 2019. Lessa guia a conversa, falando amenidades de início, e com o auxílio de uma terceira pessoa insere a conversa sobre Marielle de maneira casual. Ele havia sido chamado para depor na Delegacia de Homicídios da Capital (DH) duas semanas antes.

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“Tu sabe que eu nunca gostei de me meter”, diz ele. “Aquele dia que tu me falou o negócio lá que eles estavam reunidos no dia da, da morte lá da vereadora, que eles ficaram lá no, tu me falou isso no Rio das Pedras, o que eu falei pra tu? No Rio das Pedras não, no, no Quebra-Mar, que que eu falei? Quero nem saber meu filho, não falei isso pra tu? Não quero nem saber dessa m****. P****, sai fora meu irmão, eu não gosto nem de saber dessas coisas.” (sic).

Um dos fatores que levam a força-tarefa a acreditar na adulteração é que Lessa menciona por duas vezes que a polícia pode identificar a localização dos criminosos pela triangulação do sinal de antena de telefonia celular. No dia do homicídio, os celulares dele e de Élcio de Queiroz, outro acusado, estavam na Barra. Ao saber do protocolo de investigação, ele prova que pode ter deixado os aparelhos no local como álibi.

Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz estão presos desde o dia 12 de março de 2019 pelo crime. O ex-sargento é suspeito de ao menos outros quatro homicídios.

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