Cientistas ficam assustados com estranhas ondas de rádio vindas do centro da Via Láctea. Entenda

Postado em: 13-10-2021 às 16h57
Por: Maria Paula Borges
Cientistas informam que luz é inconstante e tem origem no meio da galáxia, gerando espanto | Foto: Reprodução

Ondas de rádio incomuns vindas do centro da Via Láctea foram detectadas e espantaram cientistas espaciais. De acordo com um novo estudo publicado no Jornal de Astrofísica da Escola de Física da Universidade de Sydney, o sinal de energia é diferente de todo os fenômenos estudado anteriormente, podendo até surgir um objeto estelar desconhecido até então.

O brilho do objeto, que varia dramaticamente em uma sequência de acende e apaga sem uma lógica específica, foi o que mais chamou a atenção do principal autor do novo estudo, Ziteng Wang. “A propriedade mais estranha desse novo sinal é que ele tem uma polarização muito alta. Isso significa que sua luz oscila em apenas uma direção, mas essa direção gira com o tempo”, disse Wang em comunicado à imprensa.

Inicialmente, os cientistas pensaram que poderia ser um pulsar, que consiste em um tipo denso de estrela de nêutrons que gira rapidamente, ou uma estrela que emite grandes explosões solares. Entretanto, os sinais dessa nova fonte de ondas de rádio não correspondem ao que os astrônomos esperam desse tipo de estrela.

Inicialmente o objeto foi localizado durante uma pesquisa usando o radiotelescópio conhecido como Australian Square Kilometer Array Pathfinder (ASKAP), constituído por 36 antenas que funcionam juntas como um telescópio no Observatório de Radioastronomia Murchison, na Austrália. O objeto inconstante foi nomeado de acordo com as coordenadas no céu noturno, ASKAP J173608.2-321635.

Segundo a coautora do estudo, Tara Murphy o objeto inicialmente era invisível e é inconstante. “Este objeto foi o único que começou invisível, tornou-se brilhante, desapareceu e depois reapareceu. Esse comportamento foi extraordinário”, disse.

Em outras observações foram conduzidas com o radiotelescópio Parkes, na Austrália, e com o telescópio MeerKAT, na África do Sul. Porém, o telescópio Parkes falhou em detectar a fonte.

“Tentamos então o rádio telescópio MeerKAT, mais sensível, na África do Sul. Como o sinal era intermitente, nós o observamos por 15 minutos ao longo de semanas, na esperança de vê-lo novamente. Felizmente, o sinal retornou, mas descobrimos que o comportamento da fonte era dramaticamente diferente – a fonte desapareceu em um único dia, embora tenha durado semanas em nossas observações anteriores pelo ASKAP”, disse Murphy no comunicado.

Além disso, a coautora disse que telescópios mais poderosos podem ajudar a resolver o mistério. O Square Kilometer Array é um exemplo de equipamento que pode ser útil e será o maior radiotelescópio do mundo, e será concluído na próxima década.

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