Família paulista usou caminhão zero como poupança contra inflação na década de 90

Postado em: 14-10-2021 às 12h16
Por: Ícaro Gonçalves
Família comprou o veículo novo para mantê-lo guardado e vendê-lo posteriormente, como forma de contornar a inflação e a desvalorização financeira | Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

A atual inflação do Brasil, com previsão para fechar o ano em quase 9%, tem desvalorizado os salários e preocupado muitos brasileiros. Mas o estado atual do país ainda está longe de se igualar à crise econômica que afetou o país nas décadas de 1980 e 1990. Naquela época, algumas famílias chegavam a comprar veículos novos e mantê-los guardados por muito tempo para posterior revenda.

Esse é o caso de uma família paulista que deixou um caminhão Mercedes-Benz 1618 guardado por quase trinta anos, em um galpão na cidade de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.

Com apenas 40 km rodados, o veículo com caixa reduzida na cor azul foi parar nas mãos do comerciante de carros antigos Reginaldo Gonçalves, o Reginaldo de Campinas – especializado em comprar e revender automóveis e utilitários originais e com baixa quilometragem.

“Há menos de um mês, fui ver o veículo, ainda coberto por uma lona e todo empoeirado. A quilometragem anunciada bateu e logo fechamos negócio”, conta, sem revelar o valor que pagou pelo utilitário da marca alemã.

Reginaldo diz ter ouvido do antigo dono que o Mercedes-Benz foi comprado juntamente com outro caminhão, idêntico, exceto pela pintura branca.

Já devidamente higienizado, o 1618 preserva os plásticos nos bancos de tecido xadrez, como se tivesse acabado de sair da concessionária. Volante e painel não têm marcas de uso e também dão a impressão de se tratar de um exemplar novinho – não fosse o fato de ter sido produzido há 31 anos.

De acordo com Reginaldo de Campinas, apesar de ter ficado tanto tempo parado no mesmo lugar, o caminhão azul foi bem cuidado e está em condições operacionais. Isso inclui a caixa de transmissão reduzida, acionada eletronicamente por meio de um botão na alavanca do câmbio manual de cinco marchas.

“É bater o arranque e sair rodando. O dono trocou a bateria há pouco tempo ligava o motor regularmente. A parte mecânica está em ordem”.

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