Representatividade: jornalista brasileira com nanismo explica suas superações até chegar na ABC dos EUA     

Postado em: 24-01-2022 às 14h58
Por: Victoria Lacerda
Para a jornalista, a chave da mudança está justamente na representatividade. | Foto: Reprodução

Vivemos cercados de histórias de pessoas que romperam barreiras com essa filosofia. A jornalista Leda Alvim, de 21 anos, é mais um desses exemplos. Nascida em São José dos Campos, interior de São Paulo, hoje a Leda vive em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Formada em solo norte-americano, a brasileira acaba de ser contratada para estagiar na ABC News, que está entre os grupos de comunicação mais famosos do mundo.       

Em um site pessoal, a jornalista destaca que o nanismo foi uma das razões que a conectaram ao jornalismo. Ela diz que, quando criança, não entendia os olhares que a identificavam como “diferente” e que faltava representatividade. “O fato de não ter encontrado um lugar onde realmente pertencia me permitiu mergulhar mais fundo no mundo da contação de histórias”, diz Leda.       

Na faculdade, a estudante encontrou e abraçou muitas experiências importantes, com isso ganhou notabilidade. Vale lembrar que sua formatura foi há pouco tempo, no mês passado. Com uma bagagem rica em experiências, a jornalista foi notada pela ABC e começou o novo serviço no dia 10 deste mês.       

Acessibilidade na faculdade              

Ela diz que a vida escolar e na faculdade foram tranquilas. “Aqui nos EUA o tópico de acessibilidade é bem discutido e abordado”, diz a jornalista, que lembra de dificuldades pontuais como banheiros com pias altas.       

Apesar disso, ela destaca que, mesmo lá, a acessibilidade para pessoas com nanismo ainda precisa avançar. “Na minha faculdade tinha rampa em todos os lugares para quem precisa usar rampas, por exemplo. O nanismo é esquecido na conversa, pelo motivo de não ser muito reconhecido e não ter muita representatividade. As pessoas não pensam muito, elas assumem que as pessoas têm uma altura padrão e que é assim que acontece”, considera.       

Para a jornalista, a chave da mudança está justamente na representatividade. “A chance de eu ter visto uma pessoa com nanismo na minha faculdade foi muito pequena. A administração não percebe que isso também é uma causa que precisa ser abordada, reconhecida e que os lugares precisam ser adaptados para servir a essa população”, acrescenta a jovem.

    

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