Entenda o caso do rapper que cometeu suicídio após sofrer agressão na internet por namorar uma mulher trans

Postado em: 24-01-2022 às 17h10
Por: Maria Paula Borges
Faith afirmou que Maurice sofria com depressão e o quadro agravou-se após os comentários ofensivos | Foto: reprodução

O rapper Maurice Willoughby, conhecido como Reese Him Daddie, cometeu suicídio no dia 19 de agosto de 2019 após um vídeo em que defendia seu relacionamento com Faith Palmer viralizar. Na ocasião, o rapper enfrentou comentários transfóbicos em defesa de Faith, além disso, o casal passou a sofrer com perseguições e xingamentos diariamente.

Após o suicídio, Faith comentou sobre a morte de Maurice e afirmou que o quadro de depressão do namorado agravou-se com os comentários ofensivos. A mulher informou ainda que a causa da morte foi overdose, uma vez que o rapper era dependente químico e o gatilho foram de fato os ataques na internet.

Em reposta aos comentários, Maurice afirmou que Faith é uma mulher e que ele a amava por quem era. “Vocês podem dizer o que quiser sobre Faith e eu realmente não me importo se ela não é “passável”, ela é uma mulher e eu a amo por quem ela é. Se vocês escutassem sua história, ficariam motivados… Eu estou feliz e vocês deveriam estar felizes por mim”, desabafa.

Em solidariedade aos amigos e familiares do artista, instituições e personalidades representantes da comunidade LGBT+ se manifestaram, como por exemplo a atriz Laverne Cox postou uma homenagem com a foto do casal e o Instituto Marsha P. Johnson e a ativista trans Ashlee Marie Preston, também prestaram homenagens nas redes.

“Quando um homem é confiante e seguro o suficiente para amar uma mulher trans abertamente, este é o bullying e o assédio que ele recebe”, escreveu Ashlee Marie Preston no Twitter.

Agressões

O casal, Maurice e Faith, moravam no prédio de uma loja na Filadélfia quando os ataques começaram. Segundo informações, um dia o casal estava na frente de casa quando quatro homens os cercaram e começaram a proferir insultos transfóbicos, ridicularizando o rapper por sua parceira.

Para defendê-la, Maurice enfrentou os agressores afirmando que namorava uma mulher trans e que isso não era problema. As imagens da discussão viralizaram na internet, atraindo mais comentários preconceituosos.

Era comum que o rapper postasse fotos e vídeos românticos do casal nas redes sociais, inclusive ele chegou a tatuar o nome de Faith no rosto. Nas declarações públicas, várias pessoas escreveram tributos a Maurice enquanto criticavam aqueles que os intimidavam e assediavam.

Em um dos comentários, um amigo próximo de Maurice comentou que “ele estava sendo perseguido e atacado o tempo todo”. “Ele estava sendo perseguido e atacado o tempo todo. De onde a gente é, se você gosta de uma mulher trans e você é negro, as ruas vão falar de você, brigar com você, até tentar te matar. Ele estava lidando com muita coisa”, relatou.

Identidade de Gênero

A atriz e cantora Lina Pereira, conhecida como Linn da Quebrada, chegou ao Big Brother Brasil (BBB 22) como a primeira travesti a participar do reality show. Nos primeiros dias, Lina se deparou com a resistência de alguns participantes a chamarem ela pelo pronome feminino, o qual ela se identifica.

Por diversas vezes, Linn foi chamada de “amigo” e “ele”, deixando claro em todas as vezes que é para chamá-la de “amiga” e “ela”. A identidade de gênero é um problema infelizmente presente no cotidiano de pessoas transexuais e travestis, muitas vezes puramente por ignorância popular.

Entretanto, no BBB 22 o mal foi cortado pela raiz pelo apresentador Tadeu Schmidt, no último domingo (23/1). Na ocasião, Schmidt questionou para a casa inteira quem das mulheres estavam solteiras e posteriormente quais dos homens estavam solteiros, deixando claro o gênero que estava perguntando.

Além disso, o apresentador perguntou para Linn o motivo de ela ter a palavra “ela” tatuada na testa. “Você tem o pronome ‘ela’ tatuado acima da sua sobrancelha. Eu queria que você explicasse por que você fez essa tatuagem e que você dissesse, mais uma vez, reforçando como as pessoas devem se dirigir a você”, incentivou o debate.

Para explicar, Lina afirmou que a tatuagem foi feita devido aos erros da mãe no início da transição. “Eu fiz essa tatuagem, na verdade, por causa da minha mãe, porque no começo da minha transição, minha mãe ainda errava e me tratava no pronome masculino. Eu falei ‘mãe, eu vou tatuar ‘ela’ na minha testa, pra ver se a senhora não erra’. E acho que assim também é uma indicação para as outras pessoas. Então, ficou na dúvida, lê e vocês lembram que eu quero ser tratada nos pronomes femininos”, afirmou.

Para finalizar, Tadeu agradeceu a explicação e reafirmou a importância de isso ser ensinado tanto para os moradores da casa mais vigiada do Brasil quanto para o resto do país, para evitar que erros sejam cometidos ou repetidos.

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